quinta-feira, 28 de maio de 2009

Atividade de Formação sobre a crise econômica recebeu dezenas de estudantes e trabalhadores

Mesa Redonda
"Análise da crise numa perspectiva marxista"

O palestrante Sergio Antão explica a crise estrutural do sistema capitalista.

O Coletivo Marxista organizou no dia 23 de maio uma atividade para a necessária análise marxista da crise mundial do capitalismo. A mesa foi composta pela coordenadora de Movimento Estudantil, Leila Leal, pelo engenheiro Sérgio Antão, dirigente da Polop na década de 1980, e pela professora da UFRJ e militante do Coletivo Marxista, Vera Salim.

Sérgio Antão Paiva iniciou o debate destacando que 80 anos depois da crise de 1929, vivenciamos uma nova crise mundial do capitalismo tendo os EUA no seu epicentro, destacando que ela ocorre quando o mundo parecia imune às crises, em função da intervenção dos governos. Na sua intervenção, Sergio Paiva analisou as origens superficiais e estruturais da crise, evidenciando a estagnação nos países centrais, seus reflexos nos países periféricos, as perspectivas para a classe trabalhadora e finalizou discutindo a manutenção ou declínio do capitalismo.

Ao analisar as origens superficiais da crise enfatizou a armadilha de liquidez, que se dá quando o FED (Federal Reserve, o Banco Central estadunidense) inunda o mundo com dólares para injetar liquidez na economia e os bancos, ao invés de emprestarem, entesouraram e não renovaram os empréstimos. Segue-se a insolvência dos principais bancos americanos sendo destacado que o custo potencial do socorro aos bancos já é estimado em US$ 5,1 trilhões.

Ao se alastrar pelo mundo e para a economia real (indústria automobilística, depressão na economia, desemprego e queda dos salários), a crise mostra de forma incontestável suas origens estruturais, explicitando a contradição fundamental do capitalismo: a produção cada vez mais social e a apropriação cada vez mais privada. “Nos Estados Unidos, maior nação representante do capitalismo, a média salarial na década de 1960 era de $8,99/hora; em 2006, $8,24/hora. No geral, a massa salarial dos trabalhadores encontra-se estagnada ou diminuída”, destacou Sérgio.

O capital tem formas de reverter momentaneamente esta situação: esforços de venda, aumento de publicidade, crédito e endividamento das famílias, aumento de fronteiras de acumulação capitalista, guerras. Sergio Antão mostrou ainda que o capital monetário evolui a uma taxa superior a da mais-valia, tornando-se cada vez mais fictício: “em torno de US$ 1,2 trilhão terá que ser esterilizado para limpar o excesso da última década”, frisou. Ao analisar os efeitos da crise nos países centrais mostra que a tendência seguida é a mesma: privatização dos lucros e socialização dos prejuízos.

Os efeitos da crise nos países periféricos apontam para o declínio das exportações de commodities primárias, o que coloca em xeque a estratégia de crescimento via exportações e o declínio dos preços de commodities, demonstrando que a divisão internacional do trabalho (ex.: produção de automóveis no Brasil) torna maior os efeitos da depressão, em função da dependência do mercado externo. Como resultado espera-se: crescimento negativo, desemprego (10% no Brasil), especialmente na indústria metalúrgica e automobilística, a redução dos salários e direitos dos trabalhadores. O crescimento negativo força o setor produtivo a ingressar no setor financeiro. A análise dos dados recentes, incluindo a divulgação de queda de 0,8% do Produto Interno Bruto brasileiro no primeiro trimestre confirma: o país encontra-se em recessão.


A mesa, composta pelo Engenheiro Sergio Antão (azul); pela estudante Leila Leal (centro); e pela Professora Vera Salim (vermelho).

Estamos diante da crise final do capitalismo?

O capitalismo não cai se não for derrubado!



A ideologia burguesa foi colocada na defensiva. Pela primeira vez em 20 anos são contestados os mitos da auto-regulação pelo mercado, das privatizações e da capacidade do Estado evitar crises econômicas. No Brasil, o modelo de conciliação de classes está ameaçado, mas a ausência de lutas de massa e da consolidação de uma vanguarda de esquerda, capacitada para catalisar e impulsionar mobilizações da classe trabalhadora nesse cenário de crise impossibilita a necessária transformação revolucionária para a superação do capitalismo. “Com 200 anos de vida o capitalismo nada mais tem a oferecer para o desenvolvimento da humanidade”, destacou Sérgio Antão.


A Professora da UFRJ e coordenadora de Movimento Sindical do Coletivo Marxista, Vera Salim, começou citando o local onde o evento fora realizado, o campus Praia Vermelha da UFRJ, “palco de tanta lutas libertárias e que hoje, graças à adequação da UFRJ ao modelo neoliberal de universidade, torna-se para nós um símbolo de resistência, já que o plano diretor da UFRJ pretende ‘readequar’ o campus, criando aqui um Centro Cultural e de Convenções privado, Hotel-Escola e estacionamento!”.


Ao realizar a análise da crise, frisou que precisamos realizar uma análise concreta da realidade concreta e, lembrando Eric Sachs, afirmou: marxismo é antes de tudo um método não dogmático de interpretação e intervenção numa realidade, que não nos autoriza a realizar transposições mecânicas de experiências históricas.


Ao analisar as conseqüências políticas de uma determinada realidade econômica, afirmou que a uma análise de conjuntura devem corresponder táticas adequadas de luta, pois se somos comunistas estudamos a realidade para transformá-la e usamos uma análise de conjuntura para retirar dela respostas e táticas concretas. Se, ao analisar as características especiais do Brasil, reconhecemos que mais uma vez os trabalhadores pagarão pela sobrevida do capital e que o governo Lula, o PT e a CUT, são agentes da manutenção da ordem capitalista, como deve atuar uma vanguarda política? Esperando que as massas façam sua experiência ou denunciando e organizando a luta e a defesa da classe trabalhadora?


Defender os trabalhadores é retirar as ilusões que ainda depositam no Governo Lula, é denunciar o papel da CUT e do PT e, mais, é criar novas organizações que possibilitam o avanço das lutas de classe e não a conciliação com o capital. Só assim estaremos construindo os caminhos para colocar as lutas de classe num novo patamar.


Proletários de todo o mundo, uni-vos!



Esta é a máxima do Manifesto Comunista. É claro que queremos e lutamos pela unidade, mas a unidade proletária, dos trabalhadores para o enfrentamento concreto contra o capital. A unidade que precisamos construir deve se dar em marcos estratégicos que apontem para a construção de uma sociedade baseada em princípios comunistas, superando o capitalismo que se alimenta e se reproduz de guerras e da miséria.


Após as falas dos palestrantes, os presentes fizeram inúmeras intervenções contribuindo para a qualidade do debate, que foi finalizado enfatizando a importância de organizar de maneira independente e autônoma a classe trabalhadora, demonstrando que a luta econômica que o trabalhador deve travar necessariamente se choca e é contra os agentes econômicos do capital e seus agentes políticos. No Brasil, identificar o Governo Lula/PT e seus fiéis aliados na UNE e na CUT não basta. É preciso construir alternativas de luta que se organizem de forma autônoma e contra esses organismos.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Homenagem a Mario Benedetti










O COLETIVO MARXISTA comunica com

tristeza o falecimento do poeta uruguaio Mario Benedetti, aos 88 anos de idade.

Que teus escritos contribuam para a reflexão bela, crítica e instigante,

caminhando para a construção da superação do modelo capitalista

e estabelecimento da sociedade socialista.

Mario Benedetti, presente!



CHAU NÚMERO TRÊS



Te dejo con tu vida
tu trabajo
tu gente
con tus puestas de sol
y tus amaneceres.



Sembrando tu confianza
te dejo junto al mundo
derrotando imposibles
segura sin seguro.



Te dejo frente al mar
descifrándote sola
sin mi pregunta a ciegas
sin mi respuesta rota.

Te dejo sin mis dudas
pobres y malheridas
sin mis inmadureces
sin mi veteranía.



Pero tampoco creas
a pie juntillas todo
no creas nunca creas
este falso abandono.



Estaré donde menos
lo esperes
por ejemplo
en un árbol añoso
de oscuros cabeceos.



Estaré en un lejano
horizonte sin horas
en la huella del tacto
en tu sombra y mi sombra.



Estaré repartido
en cuatro o cinco pibes
de esos que vos mirás
y enseguida te siguen.



Y ojalá pueda estar
de tu sueño en la red
esperando tus ojos
y mirándote.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Coletivo Marxista convida para mesa de debate sobre a crise econômica
















CONVIDA PARA A MESA



ANÁLISE DA
CRISE NUMA
PERSPECTIVA
MARXISTA


DEBATEDORES:
ENG. SERGIO ANTÃO PAIVA
PROF.ª VERA SALIM


SÁBADO, 23 DE MAIO DE 2009
ÀS 9H
NO AUDITÓRIO DO CFCH
UFRJ - CAMPUS PRAIA VERMELHA


CONTATOS:
GABRIEL (94502472)
LEILA (86779746)



Enfrent
ar a crise é lutar pela superação do capitalismo!
Pela organização independente e autônoma da classe trabalhadora!