O ano de 2007 foi, sem dúvida, um marco para o movimento estudantil brasileiro. A retomada das lutas em patamar significativamente superior aos últimos anos, que recolocou o ME na cena política nacional, exige da esquerda um profundo e responsável balanço. Para além do super dimensionamento e da agitação esvaziada, que exalta vitórias a qualquer custo, devemos refletir sobre os avanços e limites do processo de lutas pelo qual passamos, para que tenhamos condições concretas de identificar nossas debilidades e avançar em sua superação.
O movimento estudantil brasileiro, assim como o conjunto da esquerda do país, entra em uma nova fase após a ascensão de Lula/PT ao governo federal. Diferente dos anos anteriores, quando estava minimamente unificada na resistência ao neoliberalismo, a partir de 2003 a esquerda entra em um período de perda de referências e de necessidade de reorganização, diante da falência do projeto hegemônico petista ancorado na perspectiva da eleição de Lula. Com a passagem definitiva de Lula, PT e seus aliados para a direita, com sua conversão em agentes da burguesia responsáveis pela implementação dos ataques da política neoliberal, a esquerda se vê diante de um momento em que o velho não serve mais e o novo ainda não existe. Coloca-se, aí, sua tarefa: derrotar o velho movimento, convertido em inimigo de classe, e construir o novo a partir de uma perspectiva independente e classista.
Especificamente no campo da educação, o primeiro mandato de Lula/PT é recheado de ataques. O início da implementação da Reforma Universitária de maneira fatiada, através de Medidas Provisórias e Decretos, pega o movimento ainda desarticulado. De um lado, a União Nacional dos Estudantes como fiel defensora de toda a política neoliberal do governo, atuando para legitimar a destruição da universidade pública junto aos estudantes. De outro, a então “esquerda do PT”, com sua linha de “disputa do governo”, permanecia imobilizada e atuando como linha auxiliar do governo, esperando uma “outra Reforma Universitária” e assistindo de camarote o desmonte da educação superior, já que não tinha a independência necessária para combatê-lo.
Como expressão da necessidade de construção do novo, surge a Conlute em 2004. Naquele momento, é dado o pontapé inicial na luta contra a Reforma Universitária e a nova ferramenta serve para aglutinar os setores combativos do movimento estudantil, dispostos a derrotar o governo e suas políticas neoliberais. A Conlute consegue avançar, consolidando-se no dia-a-dia das lutas, realizando uma série de atividades e efetivamente organizando o movimento para o embate com o governo e a UNE, compreendendo a necessidade de derrotá-la por ser o principal elemento de conferência de legitimidade à política neoliberal de Lula/PT. O entendimento de que a luta não devia ser apenas por fora, mas também contra a UNE ganhava espaço, dada a identificação da entidade como grande diferencial do governo Lula e elemento central de garantia da aplicação de suas políticas neoliberais.
Porém, a atuação ainda incipiente da Conlute - porque nova e fruto de um processo de reorganização ainda em desenvolvimento - aos poucos se direciona ao marco superestrutural, apenas propagandístico, e diminui a força outrora crescente no cenário nacional. A política do setor majoritário na Coordenação, o PSTU, é de esvaziá-la enquanto alternativa concreta em favor da construção de fóruns conjuntos com a “esquerda do PT” e o nascente PSOL, com o falido “Movimento Vamos Barrar Essa Reforma” - que, diante da total falta de acordo na política entre os setores que o compunham, nada fez de concreto para organizar a luta em defesa da educação.
Frente de Luta e a artificialidade da “unidade”
No final de 2006, surge a Frente Nacional de Luta Contra a Reforma Universitária, amplamente festejada pelos seus setores majoritários, PSTU e PSOL, como a “reconstrução da unidade no movimento estudantil”. Obviamente, a unidade contra as políticas neoliberais de Lula/PT, entre todos aqueles que queiram combatê-las, é fundamental para avançarmos nas lutas. Nesse sentido, a Frente de Luta cumpriu um importante papel. No entanto, devemos fazer uma reflexão que dê conta de avaliar o conjunto das tarefas colocadas para o movimento estudantil brasileiro.
Ao identificarmos a necessidade de construção de uma alternativa de luta capaz de derrotar a UNE e reunificar o movimento estudantil combativo por um viés classista, as limitações da Frente são facilmente constatadas. Se o instrumento é importante por conseguir organizar as lutas em seu nível imediato, precisamos, em contrapartida, ter a clareza de que é incapaz de levá-la às suas últimas conseqüências e, assim, responder às tarefas colocadas para o movimento estudantil.
Isso porque a questão da reorganização não é apenas superestrutural, não é um adendo, não é uma questão externa e diferente das lutas que travamos no dia-a-dia. Pelo contrário: dada a especificidade do governo Lula/PT (sua penetração no movimento estudantil, que o permite atacar a juventude com a legitimação e sustentação de parte da categoria), este debate interfere diretamente na nossa capacidade ou não de alcançar vitórias nas nossas lutas imediatas. Aí está a questão: a criação de uma alternativa para o movimento estudantil está diretamente relacionada às nossas lutas diárias e, por isso, deve determinar o CONTEÚDO de tais lutas, e não ser tratada como uma questão à parte, que pode ser abandonada quando for conveniente ou deixada “para depois”. Da nossa conseqüência com este debate, insistimos, depende o nosso sucesso nas lutas concretas e diárias contra o governo e suas políticas.
E o que representa a Frente de Luta nesse cenário? Por um lado, a óbvia explicitação da impossibilidade de se tocar qualquer luta por dentro da UNE e da necessidade de construção de novos instrumentos para organizar nacionalmente a luta do movimento estudantil. Por outro, um reflexo recuado, do ponto de vista político, de toda potencialidade desse processo. Justamente por basear-se em unidade artificial, que não corresponde a um entendimento comum das tarefas e necessidades do movimento estudantil, a Frente só se sustenta com a manutenção artificial de tal unidade.
Isso impõe a todos os estudantes que participam de sua construção uma estrutura extremamente burocrática e limitadora do ponto de vista político, da qual o maior exemplo é o sistema de deliberações apenas por consenso. Na prática, esse sistema corresponde aos acordos firmados entre PSTU e PSOL, que, muito longe de representarem uma unidade real – um entendimento comum sobre os objetivos do movimento e a elaboração de táticas conjuntas para alcançá-los –, impõem artificialmente as resoluções para o movimento. Em muitos espaços, as resoluções “de consenso” já são apresentadas a priori e os estudantes não podem sequer se manifestar, elaborar novas propostas e intervir politicamente. Ou seja, para “manter a unidade”, o movimento como um todo é impedido de refletir sobre si mesmo e de pautar qualquer questão que possa ameaçar a frágil e artificial “unidade” firmada entre PSTU e PSOL. E, nos raros casos em que não há consenso entre as correntes, as polêmicas não podem ser avaliadas politicamente pelo conjunto do movimento: elas simplesmente emperram a tomada de qualquer posição pela Frente e impedem que uma série de importantes posicionamentos políticos e ações sejam definidos.
2007: um balanço conseqüente da retomada do ME
É neste cenário de potencialidades, debilidades e indefinições que se desenvolvem as importantes lutas do último ano. Como dissemos, de nosso ponto de vista um balanço conseqüente desse processo deve abandonar a esvaziada agitação, que nos obriga a comemorar vitórias e pintar um cenário de maravilhas, para apontar concretamente nossos avanços, dificuldades e retrocessos e, assim, permitir que avancemos objetivamente em nossas lutas.
A intensificação dos ataques ao sistema educacional, consolidada pela ofensiva do setor privado com sustentação dos governos, se manifestou através dos decretos do Governo Serra/PSDB nas estaduais paulistas, do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Instituições de Ensino Superior (REUNI) de Lula/PT nas universidades federais e dos aumentos de mensalidades, demissões de professores e precarização das condições de ensino nas universidades particulares. O Movimento Estudantil, mais avançado em seu processo de reorganização e menos imobilizado do que nos primeiros anos do governo Lula/PT, conseguiu construir uma aguerrida resposta a tais ataques, que o recolocaram no cenário político nacional e alavancaram as lutas a um patamar superior às travadas nos últimos anos. Exemplos disso foram as passeatas, greves e, principalmente, as ocupações de Reitoria que se espalharam por todo o país.
No entanto, tais manifestações, que tiveram o mérito de fortalecer enormemente o movimento estudantil, ainda foram, em grande parte, insuficientes para garantir vitórias concretas e barrar os ataques à educação. O Reuni, grande expoente de todo o processo, foi aprovado em grande parte das universidades federais. É claro que não fomos definitivamente derrotados, que a luta contra o Reuni e as políticas do governo continuará e, inclusive, será muito fortalecida pelas mobilizações de 2007. Mas a compreensão de que o movimento ainda foi débil para garantir vitórias concretas é fundamental para que possamos fortalecê-lo.
A principal dificuldade enfrentada pelo movimento estudantil neste processo de lutas, que o impediu de atingir todas as suas potencialidades e alcançar vitórias concretas, foi, sem dúvida, a incapacidade de se conferir um caráter nacional às lutas. Por mais que tivéssemos, no auge do processo, diversas reitorias de universidades ocupadas simultaneamente, a luta ainda permanecia restrita às universidades, e não se unificou como uma única e mesma luta contra o governo. É daí que se depreende, claramente, a importância da construção de uma nova entidade para avançarmos concretamente em nossas lutas.
Construção de uma nova entidade: superar o “círculo vicioso” em que se encontra o ME
Mas como se dará a construção de uma nova entidade? Diversos setores do movimento têm argumentado, corretamente, que este não pode ser um processo artificial, superestrutural, que apenas crie uma nova direção para o movimento. Uma entidade surgida nesses marcos, sem dúvida, não seria capaz de reorganizar pela base o movimento estudantil.
Mas é justamente aí que o movimento estudantil entra no “círculo vicioso” que o mantém preso às suas próprias debilidades. Se nós temos clareza de que uma nova entidade não pode ser construída artificialmente e, igualmente, percebemos a grande necessidade de construí-la para obtermos vitórias em nossas lutas concretas, é nossa tarefa ir para o dia-a-dia das lutas, discutir com cada DCE, cada executiva de curso, ir a cada centro acadêmico, cada sala de aula, travar este debate com os estudantes, relacionando a necessidade da nova entidade com a concreticidade das mobilizações que construímos.
No entanto, o que observamos é este debate sendo relegado a um segundo plano pela corrente majoritária da Conlute, abandonado, tratado como algo externo à realidade das lutas e prejudicial à “unidade” da Frente de Luta. Assim, ele nunca deixa de ser artificial. E, como ainda é artificial, o movimento não pode decidir por dedicar-se à construção de uma nova entidade, porque não queremos que ela seja superestrutural. Está fechado o círculo, e o movimento fica preso às suas limitações.
Para que o círculo seja rompido e o movimento estudantil possa avançar, é necessário compreendermos a construção de uma nova entidade e as lutas de base como um único e mesmo processo. É justamente por isso que não podemos abandonar o debate da reorganização para construir “unidades” artificiais, em marcos rebaixados, que ignoram uma necessidade real do movimento estudantil e deixam a importante tarefa política da reconstrução de um movimento unificado nacionalmente “para depois”, um futuro abstrato e distante e, assim, impedem que as próprias lutas que estariam supostamente sendo “garantidas” e “privilegiadas” alcancem seus objetivos.
Exemplo disso é a retomada de diversos DCEs, que estavam nas mãos do governismo, em todo o país no último ano. As autoproclamadas “chapas da Frente de Luta”, vitoriosas em muitos processos eleitorais, representam a potencialidade de avanço das lutas contra o governo e, ao mesmo tempo, a incorreta opção por descolar o debate do enfrentamento ao governo da discussão da reorganização do movimento estudantil, ignorando o fato de esta questão influenciar direta e decisivamente a luta concreta em defesa da educação.
Defendemos, portanto, a construção de uma nova entidade pela base. Para isso, precisamos assumir essa tarefa e, mais do que isso, a responsabilidade de imprimir ao dia-a-dia de nossa militância o conteúdo político da construção desta nova entidade. Apenas assim ela surgirá do calor das lutas e não será artificial.
Em 2008, será nossa tarefa central para a reorganização do movimento estudantil a construção de um grande Congresso Estudantil, com tiragem de delegados em cada sala de aula do máximo de universidades públicas e privadas e colégios pelo país, a fim de discutir todas as pertinentes questões vivenciadas pelos lutadores no último período. Este Congresso é imprescindível para impulsionar as lutas que alavancaremos no transcorrer do ano, para reunir e representar uma grande parcela do corpo discente de nosso país. Acreditamos que o Congresso deve ser convocado com a preocupação de discutir os rumos e tarefas do movimento estudantil e, portanto, deve pautar o debate da criação de uma nova entidade nacional para o ME.
Obviamente, queremos um espaço autônomo e soberano para avaliar se este é ou não o melhor momento para a fundação da entidade. Mas, se temos a clareza de que esta é uma necessidade objetiva, devemos, desde já, criar as condições para que o Congresso seja o marco conjuntural e o espaço de criação de uma nova entidade nacional, que supere a atual (pouca) organicidade da Conlute, estando efetivamente presente no dia-a-dia das lutas e reunificando o movimento por um viés classista.
É nossa tarefa, portanto, sermos conseqüentes com o debate da reorganização e da construção de uma nova alternativa para o ME desde já, assumindo o compromisso político de construir esse debate pela base desde o início deste semestre. É importante que nos entendamos enquanto vanguarda de um processo em curso e se não temos os estudantes convencidos de que é preciso construir um novo Movimento Estudantil, através da construção de uma nova entidade, é nosso papel, nossa tarefa, nosso desafio elaborar e criar sólidos argumentos para convencer nossos colegas. Não solidificar esse processo é rumar para o caudismo, estar na retaguarda da reorganização dos estudantes, não na vanguarda. É possível sonhar, ousar, lutar e vencer, mas precisamos criar e recriar os instrumentos para atingirmos nossos fins.
Coletivo Marxista
segunda-feira, 17 de março de 2008
domingo, 9 de março de 2008
8 de março é dia de luta! Em defesa do feminismo classista e revolucionário
8 de março é dia de luta!
Em defesa do feminismo classista e revolucionário
“A ordem reina em Berlim!... Ah! Estúpidos e insensatos carrascos! Não reparastes que a vossa ‘ordem’ está a alçar-se sobre a areia. A revolução alçar-se-á amanhã com a sua vitória e o terror pintar-se-á nos vossos rostos ao ouvir-lhe anunciar com todas as suas trombetas: ERA, SÃO E SEREI!”
(LUXEMBURGO, R. A Ordem Reina em Berlim!, último escrito de 14 de janeiro de 1919).
Por mais que haja diferentes versões sobre o motivo da escolha do dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, não há dúvidas de que foi estabelecido como um marco da unificação do movimento feminista revolucionário internacional, em sua luta contra o machismo e pela superação do capitalismo. É, portanto, um dia de luta da mulher trabalhadora, cujo caráter deve ser defendido pelos revolucionários contra as permanentes tentativas da burguesia de se apropriar da data, seja para transformá-la em mais um dia para aquecer vendas ou, principalmente, difundir a ilusão conciliatória de que “as mulheres já conquistaram seu espaço” no capitalismo.
Nós, que lutamos diariamente contra toda a brutalidade e violência do capitalismo, devemos denunciar a situação a que estão submetidas as mulheres trabalhadoras, o setor mais explorado da classe. Ainda hoje, é comum que mulheres recebam salários mais baixos que os homens, mesmo desempenhando funções iguais. O machismo é, portanto, necessário ao capitalismo, para a garantia de maiores taxas de lucro às custas da superexploração da mulher.
É justamente por isso que o debate de gênero só poder feito sob uma perspectiva de classe. Sabemos todos que a superação da desigualdade entre homens e mulheres passa pela superação da sociedade de classes e, igualmente, é um elemento indispensável para a luta contra o capital, exatamente por expor suas contradições de maneira mais enfática. É daí que se depreende a necessidade de inserir as lutas feministas na conjuntura, na concreticidade da luta de classes.
Para além das abstratas palavras de ordem que muito se aproximam de um feminismo burguês, que pretende “inserir a mulher na sociedade”, é nossa tarefa construir as lutas da mulher no que há de concreto, e a partir daquilo que se choca com as estruturas de poder da sociedade capitalista. Não queremos incluir as mulheres nesta sociedade cruel e opressora. Queremos, isso sim, que as mulheres se libertem destruindo esta sociedade e construindo o socialismo.
Uma luta feminista conseqüente, classista e revolucionária passa, hoje, pelo necessário combate às reformas neoliberais do Governo Lula/PT, gerente do poder burguês no Brasil. As reformas que retiram direitos dos trabalhadores atingirão, sem dúvida, de forma ainda mais violenta, as mulheres, como o setor mais explorado da classe. A ausência de políticas públicas para saúde, educação, transporte e moradia impõe às mulheres duplas ou triplas jornadas de trabalho, obrigando-as a dedicar-se à escravidão do trabalho doméstico. Da mesma forma, a política externa de Lula/PT, que sustenta a invasão imperialista no Iraque através do envio de tropas brasileiras ao Haiti, é responsável pela opressão de milhares de mulheres trabalhadoras, submetidas a brutais (e notórias) situações de violência sexual praticadas pelos soldados invasores.
Há também, os escandalosos casos da ingerência do Estado sobre o corpo e a vida das mulheres. A luta pela legalização do aborto deve ser pauta das mobilizações feministas, em defesa da saúde de milhares de mulheres trabalhadoras que morrem ou ficam com graves seqüelas em decorrência da realização de abortos clandestinos. É uma dura batalha que o movimento deve travar, contra a moral católica e machista que naturaliza a maternidade e nega às mulheres o direito de decidir se e quando serão mães. O debate se faz ainda mais urgente diante da ofensiva conservadora contra a legalização do aborto que se consolida no Brasil, com a criação da “Frente por um Brasil sem Aborto”, que conta, inclusive, com a vergonhosa participação da ex-senadora, presidente do PSOL e candidata da “Frente de Esquerda” Heloísa Helena. É em figuras como essa que a esquerda deve se referenciar?
Ou a esquerda revolucionária assume seu lado, colocando-se claramente ao lado das mulheres trabalhadoras contra a ofensiva conservadora, denunciando a política de Heloísa Helena e sua frente reacionária, ou estaremos tratando esse debate como algo dispensável. É ou não é importante defender o direto das mulheres de decidir sobre seu corpo? É ou não é importante parar com as milhares de mortes e mutilações causadas por abortos clandestinos? É ou não é importante travar esse debate francamente com cada mulher trabalhadora que ainda é submetida à moral burguesa e machista reproduzida diariamente pela Igreja, pela mídia, pela família, pela escola e tantas outras instâncias? Fingiremos que este debate não existe, ou é algo menor, em nome da “unidade da esquerda”, como fazem PSTU e PSOL?
Não. A tarefa da esquerda revolucionária é resgatar o feminismo classista como arma para a luta de classes, como instrumento para a luta contra o capital. E isso passa, necessariamente, por sermos capazes de levarmos cada debate às suas últimas conseqüências, combatendo toda manifestação de exploração e opressão sobre a mulher que se apresente na conjuntura. É por isso que denunciamos, também, o governo petista do Pará que mantinha uma adolescente presa em carceragem masculina e sendo submetida diariamente à violência sexual. Denunciamos, ainda, o absurdo projeto petista da “bolsa-estupro”, que prevê o apoio para mulheres estupradas para que sustentem seus filhos até os 18 anos e não precisem, assim, realizar aborto – trata-se, sem dúvida, de um projeto que ignora o combate à violência sexual (e, mais do isso, legitima-a) e criminaliza o aborto.
Diante de tantos escândalos na conjuntura, tantos elementos para denúncia da política opressora de Lula/PT na luta feminista, é obrigação da esquerda revolucionária imprimir um caráter abertamente anti-governista aos atos do 8 de março. E o que assistimos, lamentavelmente, no ato do Rio de Janeiro? Mais uma vez, a opção de PSTU e PSOL por realizar atos conjuntos com os aparatos governistas no movimento social. Festejando a consagração da “unidade” no 8 de março carioca, PSTU e PSOL juntam-se à CUT, UNE e demais entidades pelegas e traidoras, abandonando a denúncia do governo Lula e deixando de inserir o debate sobre a opressão da mulher na concreticidade das lutas de classe.
Nós, do Coletivo Marxista, acreditamos que a luta feminista só tem sentido se inserida na luta de classes, e por isso chamamos todos os companheiros e companheiras a construir o feminismo revolucionário a partir da concreticidade da luta de classes, derrotando Lula/PT e suas políticas de ataque à mulher trabalhadora, em direção à superação revolucionária do capitalismo!
Coletivo Marxista
Em defesa do feminismo classista e revolucionário
“A ordem reina em Berlim!... Ah! Estúpidos e insensatos carrascos! Não reparastes que a vossa ‘ordem’ está a alçar-se sobre a areia. A revolução alçar-se-á amanhã com a sua vitória e o terror pintar-se-á nos vossos rostos ao ouvir-lhe anunciar com todas as suas trombetas: ERA, SÃO E SEREI!”
(LUXEMBURGO, R. A Ordem Reina em Berlim!, último escrito de 14 de janeiro de 1919).
Por mais que haja diferentes versões sobre o motivo da escolha do dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, não há dúvidas de que foi estabelecido como um marco da unificação do movimento feminista revolucionário internacional, em sua luta contra o machismo e pela superação do capitalismo. É, portanto, um dia de luta da mulher trabalhadora, cujo caráter deve ser defendido pelos revolucionários contra as permanentes tentativas da burguesia de se apropriar da data, seja para transformá-la em mais um dia para aquecer vendas ou, principalmente, difundir a ilusão conciliatória de que “as mulheres já conquistaram seu espaço” no capitalismo.
Nós, que lutamos diariamente contra toda a brutalidade e violência do capitalismo, devemos denunciar a situação a que estão submetidas as mulheres trabalhadoras, o setor mais explorado da classe. Ainda hoje, é comum que mulheres recebam salários mais baixos que os homens, mesmo desempenhando funções iguais. O machismo é, portanto, necessário ao capitalismo, para a garantia de maiores taxas de lucro às custas da superexploração da mulher.
É justamente por isso que o debate de gênero só poder feito sob uma perspectiva de classe. Sabemos todos que a superação da desigualdade entre homens e mulheres passa pela superação da sociedade de classes e, igualmente, é um elemento indispensável para a luta contra o capital, exatamente por expor suas contradições de maneira mais enfática. É daí que se depreende a necessidade de inserir as lutas feministas na conjuntura, na concreticidade da luta de classes.
Para além das abstratas palavras de ordem que muito se aproximam de um feminismo burguês, que pretende “inserir a mulher na sociedade”, é nossa tarefa construir as lutas da mulher no que há de concreto, e a partir daquilo que se choca com as estruturas de poder da sociedade capitalista. Não queremos incluir as mulheres nesta sociedade cruel e opressora. Queremos, isso sim, que as mulheres se libertem destruindo esta sociedade e construindo o socialismo.
Uma luta feminista conseqüente, classista e revolucionária passa, hoje, pelo necessário combate às reformas neoliberais do Governo Lula/PT, gerente do poder burguês no Brasil. As reformas que retiram direitos dos trabalhadores atingirão, sem dúvida, de forma ainda mais violenta, as mulheres, como o setor mais explorado da classe. A ausência de políticas públicas para saúde, educação, transporte e moradia impõe às mulheres duplas ou triplas jornadas de trabalho, obrigando-as a dedicar-se à escravidão do trabalho doméstico. Da mesma forma, a política externa de Lula/PT, que sustenta a invasão imperialista no Iraque através do envio de tropas brasileiras ao Haiti, é responsável pela opressão de milhares de mulheres trabalhadoras, submetidas a brutais (e notórias) situações de violência sexual praticadas pelos soldados invasores.
Há também, os escandalosos casos da ingerência do Estado sobre o corpo e a vida das mulheres. A luta pela legalização do aborto deve ser pauta das mobilizações feministas, em defesa da saúde de milhares de mulheres trabalhadoras que morrem ou ficam com graves seqüelas em decorrência da realização de abortos clandestinos. É uma dura batalha que o movimento deve travar, contra a moral católica e machista que naturaliza a maternidade e nega às mulheres o direito de decidir se e quando serão mães. O debate se faz ainda mais urgente diante da ofensiva conservadora contra a legalização do aborto que se consolida no Brasil, com a criação da “Frente por um Brasil sem Aborto”, que conta, inclusive, com a vergonhosa participação da ex-senadora, presidente do PSOL e candidata da “Frente de Esquerda” Heloísa Helena. É em figuras como essa que a esquerda deve se referenciar?
Ou a esquerda revolucionária assume seu lado, colocando-se claramente ao lado das mulheres trabalhadoras contra a ofensiva conservadora, denunciando a política de Heloísa Helena e sua frente reacionária, ou estaremos tratando esse debate como algo dispensável. É ou não é importante defender o direto das mulheres de decidir sobre seu corpo? É ou não é importante parar com as milhares de mortes e mutilações causadas por abortos clandestinos? É ou não é importante travar esse debate francamente com cada mulher trabalhadora que ainda é submetida à moral burguesa e machista reproduzida diariamente pela Igreja, pela mídia, pela família, pela escola e tantas outras instâncias? Fingiremos que este debate não existe, ou é algo menor, em nome da “unidade da esquerda”, como fazem PSTU e PSOL?
Não. A tarefa da esquerda revolucionária é resgatar o feminismo classista como arma para a luta de classes, como instrumento para a luta contra o capital. E isso passa, necessariamente, por sermos capazes de levarmos cada debate às suas últimas conseqüências, combatendo toda manifestação de exploração e opressão sobre a mulher que se apresente na conjuntura. É por isso que denunciamos, também, o governo petista do Pará que mantinha uma adolescente presa em carceragem masculina e sendo submetida diariamente à violência sexual. Denunciamos, ainda, o absurdo projeto petista da “bolsa-estupro”, que prevê o apoio para mulheres estupradas para que sustentem seus filhos até os 18 anos e não precisem, assim, realizar aborto – trata-se, sem dúvida, de um projeto que ignora o combate à violência sexual (e, mais do isso, legitima-a) e criminaliza o aborto.
Diante de tantos escândalos na conjuntura, tantos elementos para denúncia da política opressora de Lula/PT na luta feminista, é obrigação da esquerda revolucionária imprimir um caráter abertamente anti-governista aos atos do 8 de março. E o que assistimos, lamentavelmente, no ato do Rio de Janeiro? Mais uma vez, a opção de PSTU e PSOL por realizar atos conjuntos com os aparatos governistas no movimento social. Festejando a consagração da “unidade” no 8 de março carioca, PSTU e PSOL juntam-se à CUT, UNE e demais entidades pelegas e traidoras, abandonando a denúncia do governo Lula e deixando de inserir o debate sobre a opressão da mulher na concreticidade das lutas de classe.
Nós, do Coletivo Marxista, acreditamos que a luta feminista só tem sentido se inserida na luta de classes, e por isso chamamos todos os companheiros e companheiras a construir o feminismo revolucionário a partir da concreticidade da luta de classes, derrotando Lula/PT e suas políticas de ataque à mulher trabalhadora, em direção à superação revolucionária do capitalismo!
Coletivo Marxista
24/01/2008: El día en que faltaron claveles rojos en Berlín
Ao nos depararmos com as conseqüências da barbárie estabelecida pela sociedade dividida em antagônicas classes, a certeza do conflito que busque a superação se faz presente.
Nesse início de mais um giro de nosso Planeta ao redor do Sol, a tarefa dos combatentes e lutadores se mostra árdua, mas os desafios impostos pela incessante luta para a construção de uma nova sociedade e a formação de um novo ser humano nos fazem recordar a importância da luta e da garra de militantes como Rosa Luxemburgo, que nos devem servir de inspiração e guia para a práxis revolucionária.
Decorrem-se 89 anos completos no último 15 de janeiro do assassinato da camarada em Berlim. Segue abaixo um trecho da notícia veiculada no Rebelionixo para que ampliemos e sigamos fortemente em nossa luta, recordando as palavras de Che, pois os poderosos poderão destruir uma, duas ou até três rosas, mas jamais conseguirão destruir a primavera.
"El día en que faltaron claveles rojos en Berlín".
............"
El 15 de enero concurrieron más de setenta mil personas (cálculo del diario principal de Berlín,Tagespiegel) a llevar claveles rojos a la tumba de Rosa Luxemburgo, a 89 años de su cobarde asesinato por militares en Berlín. Se repite así un homenaje que se cumple todos los años. No hay figura que se recuerde así, en ninguna parte del mundo. Ni grandes pensadores, ni héroes históricos, ni políticos. Es un increíble ejemplo de respeto, recuerdo y admiración por la obra y la ética de esa mujer.
Sus profundos escritos acerca de cómo el mundo debía luchar por un sistema definitivo que trajera la paz eterna y terminara con las injusticias sociales deberían ser lectura en todos los últimos años de los colegios secundarios y de las universidades, y tema preferido en centros culturales. Fue pacifistay por su lucha estuvo presa en las cárceles del Kaiser casi los cuatro años de la Primera Guerra Mundial. Fueen ese tiempo fundadora del Grupo Internacional Antimilitarista.
Propuso siempre la solidaridad internacional de los trabajadores y por eso sostenía que ningún trabajador alemán debía apretar el gatillo contra un trabajador francés o de cualquier otra nación. Cuando, pese a su lucha, se declaró la guerra, dijo:" Cuando escuché la noticia, pensé en suicidarme. Me di cuenta de que había vencido el oportunismo". Ese oportunismo e irracionalidad que costó la muerte de miles de jóvenes.
............ ......... ......... .........
"Durante la revolución alemana, el 15 de enero de 1919, fue detenida en el hotel Eden, y en la puerta misma el suboficial Runge le dará un culatazo en la cabeza y luego será asesinada por el teniente Souchon, que le pegó un tiro en la sien. Terminaba así esa cabeza que tantos principios profundos enseñó a la humanidad. En el recordatorio del martes pasado, ante su tumba, se vio a jóvenes y viejos con lágrimas en los ojos. Su tumba quedó cubierta totalmente por claveles rojos que llevaron cada uno de los asistentes. Un diario tituló el acto así: "El día en que faltaron claveles rojos en Berlín". Y se escucharon las viejas canciones obreras de siglos pasados. Un ejemplo. Es curioso: los héroes de la sociedad en sus monumentos no son recordados, amén de algún acto oficial cada cincuentenario de su muerte. Pero a Rosa Luxemburgo la recuerdan como a nadie, año tras año, después del espantoso y cobarde crimen. Que tengan esto en cuenta todos aquellos que aman el poder por el poder mismo. La historia va filtrando y sólo quedan aquellos que dieron sus vidas por esa palabra con la que comenzamos: la Etica, que es siempre el no rotundo a la muerte y el firme sí a la Vida."
Saudações Comunistas,
COLETIVO MARXISTA.
Nesse início de mais um giro de nosso Planeta ao redor do Sol, a tarefa dos combatentes e lutadores se mostra árdua, mas os desafios impostos pela incessante luta para a construção de uma nova sociedade e a formação de um novo ser humano nos fazem recordar a importância da luta e da garra de militantes como Rosa Luxemburgo, que nos devem servir de inspiração e guia para a práxis revolucionária.
Decorrem-se 89 anos completos no último 15 de janeiro do assassinato da camarada em Berlim. Segue abaixo um trecho da notícia veiculada no Rebelionixo para que ampliemos e sigamos fortemente em nossa luta, recordando as palavras de Che, pois os poderosos poderão destruir uma, duas ou até três rosas, mas jamais conseguirão destruir a primavera.
"El día en que faltaron claveles rojos en Berlín".
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El 15 de enero concurrieron más de setenta mil personas (cálculo del diario principal de Berlín,Tagespiegel) a llevar claveles rojos a la tumba de Rosa Luxemburgo, a 89 años de su cobarde asesinato por militares en Berlín. Se repite así un homenaje que se cumple todos los años. No hay figura que se recuerde así, en ninguna parte del mundo. Ni grandes pensadores, ni héroes históricos, ni políticos. Es un increíble ejemplo de respeto, recuerdo y admiración por la obra y la ética de esa mujer.
Sus profundos escritos acerca de cómo el mundo debía luchar por un sistema definitivo que trajera la paz eterna y terminara con las injusticias sociales deberían ser lectura en todos los últimos años de los colegios secundarios y de las universidades, y tema preferido en centros culturales. Fue pacifistay por su lucha estuvo presa en las cárceles del Kaiser casi los cuatro años de la Primera Guerra Mundial. Fueen ese tiempo fundadora del Grupo Internacional Antimilitarista.
Propuso siempre la solidaridad internacional de los trabajadores y por eso sostenía que ningún trabajador alemán debía apretar el gatillo contra un trabajador francés o de cualquier otra nación. Cuando, pese a su lucha, se declaró la guerra, dijo:" Cuando escuché la noticia, pensé en suicidarme. Me di cuenta de que había vencido el oportunismo". Ese oportunismo e irracionalidad que costó la muerte de miles de jóvenes.
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"Durante la revolución alemana, el 15 de enero de 1919, fue detenida en el hotel Eden, y en la puerta misma el suboficial Runge le dará un culatazo en la cabeza y luego será asesinada por el teniente Souchon, que le pegó un tiro en la sien. Terminaba así esa cabeza que tantos principios profundos enseñó a la humanidad. En el recordatorio del martes pasado, ante su tumba, se vio a jóvenes y viejos con lágrimas en los ojos. Su tumba quedó cubierta totalmente por claveles rojos que llevaron cada uno de los asistentes. Un diario tituló el acto así: "El día en que faltaron claveles rojos en Berlín". Y se escucharon las viejas canciones obreras de siglos pasados. Un ejemplo. Es curioso: los héroes de la sociedad en sus monumentos no son recordados, amén de algún acto oficial cada cincuentenario de su muerte. Pero a Rosa Luxemburgo la recuerdan como a nadie, año tras año, después del espantoso y cobarde crimen. Que tengan esto en cuenta todos aquellos que aman el poder por el poder mismo. La historia va filtrando y sólo quedan aquellos que dieron sus vidas por esa palabra con la que comenzamos: la Etica, que es siempre el no rotundo a la muerte y el firme sí a la Vida."
Saudações Comunistas,
COLETIVO MARXISTA.
13/07/2007: Sobre o ato na abertura do Pan e a falsa unidade da "esquerda"
Sobre o ato na abertura do Pan e a falsa unidade da"esquerda"
No início do segundo mandato de Lula/PT grande parte dos trabalhadores já não tinha mais esperanças de que o governo fosse realizar qualquer tipo de transformação social. Por conta disso, quando o governo iniciou a onda de ataques aos direitos dos trabalhadores e da juventude buscando concluir as reformas iniciadas no primeiro mandato, a reação foi imediata.
O primeiro semestre de 2007 foi marcado por uma série de greves em todo país para combater a precarização das condições de vida dos trabalhadores imposta pelo governo. Nas universidades, de norte a sul aconteceram ocupações de reitorias que exigiram a melhoria das condições de ensino e rejeitaram a chantagem e o ataque à autonomia das universidades expressas no Decreto que instituiu o Reuni.
Como não poderia deixar de ser, CUT e UNE cumpriram o papel de atravancar todas estas lutas, ora buscando desqualificá-las e desmobilizá-las, ora se infiltrando nas mobilizações para tentar enfraquecê-las por dentro, através da imposição de eixos rebaixados, que significavam a defesa - velada ou aberta - do governo.
Agora, em julho, chegam os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Os governos Lula, Sergio Cabral e César Maia investem bilhões na maquiagem do Rio de Janeiro,buscando esconder os problemas sociais que os trabalhadores e a juventude enfrentam, e impõem uma política de segurança baseada na repressão, na violência policial e no ataque às comunidades pobres do Rio de Janeiro. Além disso, os governos buscam se promover através do Pan-Americano, visando um fortalecimento político para dar prosseguimento à ofensiva sobre os direitos sociais.
O momento exige uma resposta clara por parte dos movimentos sociais combativos, que hoje se encontram em processo de reorganização, buscando reconstruir a unidade da classe trabalhadora e da juventude e se libertar da cooptação articulada pelo governo Lula/PT através da CUT e da UNE.
Para tal, é fundamental que a denúncia da precarização das condições de vida, do aumento da exploração via ataques sobre os direitos de trabalhadores, da privatização do ensino público, das péssimas condições do transporte e saúde públicos, da violência policial, enfim, que a denúncia de toda situação de precaridade em que vive a classe trabalhadora, seja somada à denúncia do governo Lula/PT como agente maior destes ataques e como representante das classes dominantes. Afinal, as reformas neoliberais que o governo vem implementando significam o aprofundamento de toda esta precarização e a retirada de direitos históricos, assegurados com muita luta, em favor do lucro de empresários e banqueiros. Os Jogos Pan-Americanos são mais um exemplo desta opção: gastam-se bilhões do dinheiro público para promover um Brasil de mentira, jogando para baixo do tapete todos os problemas sociais existentes, e alega-se que não há verba para as áreas sociais.
No entanto, a opção política dos setores majoritários da Conlutas e Intersindical (PCB PSOL PSTU) foi outra. Neste momento decisivo, preferiram construir um ato rebaixado, que não se opõe frontalmente ao governoLula/PT e que, por isso, é incapaz de servir como verdadeira defesa dos direitos que ele vem caçando e como um passo na luta por melhora nas condições de vida dos trabalhadores e da juventude. De nada adianta apontar os problemas e preservar seu agente.
E esta opção foi feita, de maneira lamentavelmente incoerente, justamente para construir uma falsa unidade com CUT, UNE , PT e PCdoB, que são os agentes deste governo no interior dos movimentos sociais, que são seu maior apoio para implementar sua política reacionária. Dizemos que é uma falsa unidade porque a condição que CUT, UNE, PT e PCdo B impõem para participar do ato é exatamente que ele não esclareça a serviço de quem o governo está e nem deixe claro que são Lula/PT os responsáveis pelas reformas que buscam tirar direitos dos trabalhadores e da juventude. É por isso que este ato não vai servir para somar forças para a luta dos movimentos sociais em sua tarefa de reorganização independente para lutar pela garantia de seus direitos. Afinal, a única unidade possível com o governo e seus agentes pressupõe a supressão das divergências políticas fundamentais: é a "unidade" da renúncia à política, que só soma forças à defesa velada do governo.
Sendo assim, nós, militantes empenhados na construção de uma organização revolucionária reunidos no Coletivo Marxista, repudiamos um ato construído em tais marcos. Importantes mobilizações do início de 2007 se deram por fora dos marcos da CUT e da UNE. Na prática, se chocaram frontalmente com os agentes do governo Lula/PT, que foram repudiados veementemente em cada uma delas.
Esse é o caminho de construção da verdadeira unidade da esquerda. Uma unidade que signifique independência frente à política de cooptação do governo, que signifique, enfim, independência política e organizativa para a classe trabalhadora e para a juventude lutarem pelos seus direitos. Convocamos, então, os estudantes e trabalhadores a alavancarem estas mobilizações a um patamar superior, capaz de derrotar a política reacionária de Lula/PT.
Coletivo Marxista
No início do segundo mandato de Lula/PT grande parte dos trabalhadores já não tinha mais esperanças de que o governo fosse realizar qualquer tipo de transformação social. Por conta disso, quando o governo iniciou a onda de ataques aos direitos dos trabalhadores e da juventude buscando concluir as reformas iniciadas no primeiro mandato, a reação foi imediata.
O primeiro semestre de 2007 foi marcado por uma série de greves em todo país para combater a precarização das condições de vida dos trabalhadores imposta pelo governo. Nas universidades, de norte a sul aconteceram ocupações de reitorias que exigiram a melhoria das condições de ensino e rejeitaram a chantagem e o ataque à autonomia das universidades expressas no Decreto que instituiu o Reuni.
Como não poderia deixar de ser, CUT e UNE cumpriram o papel de atravancar todas estas lutas, ora buscando desqualificá-las e desmobilizá-las, ora se infiltrando nas mobilizações para tentar enfraquecê-las por dentro, através da imposição de eixos rebaixados, que significavam a defesa - velada ou aberta - do governo.
Agora, em julho, chegam os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Os governos Lula, Sergio Cabral e César Maia investem bilhões na maquiagem do Rio de Janeiro,buscando esconder os problemas sociais que os trabalhadores e a juventude enfrentam, e impõem uma política de segurança baseada na repressão, na violência policial e no ataque às comunidades pobres do Rio de Janeiro. Além disso, os governos buscam se promover através do Pan-Americano, visando um fortalecimento político para dar prosseguimento à ofensiva sobre os direitos sociais.
O momento exige uma resposta clara por parte dos movimentos sociais combativos, que hoje se encontram em processo de reorganização, buscando reconstruir a unidade da classe trabalhadora e da juventude e se libertar da cooptação articulada pelo governo Lula/PT através da CUT e da UNE.
Para tal, é fundamental que a denúncia da precarização das condições de vida, do aumento da exploração via ataques sobre os direitos de trabalhadores, da privatização do ensino público, das péssimas condições do transporte e saúde públicos, da violência policial, enfim, que a denúncia de toda situação de precaridade em que vive a classe trabalhadora, seja somada à denúncia do governo Lula/PT como agente maior destes ataques e como representante das classes dominantes. Afinal, as reformas neoliberais que o governo vem implementando significam o aprofundamento de toda esta precarização e a retirada de direitos históricos, assegurados com muita luta, em favor do lucro de empresários e banqueiros. Os Jogos Pan-Americanos são mais um exemplo desta opção: gastam-se bilhões do dinheiro público para promover um Brasil de mentira, jogando para baixo do tapete todos os problemas sociais existentes, e alega-se que não há verba para as áreas sociais.
No entanto, a opção política dos setores majoritários da Conlutas e Intersindical (PCB PSOL PSTU) foi outra. Neste momento decisivo, preferiram construir um ato rebaixado, que não se opõe frontalmente ao governoLula/PT e que, por isso, é incapaz de servir como verdadeira defesa dos direitos que ele vem caçando e como um passo na luta por melhora nas condições de vida dos trabalhadores e da juventude. De nada adianta apontar os problemas e preservar seu agente.
E esta opção foi feita, de maneira lamentavelmente incoerente, justamente para construir uma falsa unidade com CUT, UNE , PT e PCdoB, que são os agentes deste governo no interior dos movimentos sociais, que são seu maior apoio para implementar sua política reacionária. Dizemos que é uma falsa unidade porque a condição que CUT, UNE, PT e PCdo B impõem para participar do ato é exatamente que ele não esclareça a serviço de quem o governo está e nem deixe claro que são Lula/PT os responsáveis pelas reformas que buscam tirar direitos dos trabalhadores e da juventude. É por isso que este ato não vai servir para somar forças para a luta dos movimentos sociais em sua tarefa de reorganização independente para lutar pela garantia de seus direitos. Afinal, a única unidade possível com o governo e seus agentes pressupõe a supressão das divergências políticas fundamentais: é a "unidade" da renúncia à política, que só soma forças à defesa velada do governo.
Sendo assim, nós, militantes empenhados na construção de uma organização revolucionária reunidos no Coletivo Marxista, repudiamos um ato construído em tais marcos. Importantes mobilizações do início de 2007 se deram por fora dos marcos da CUT e da UNE. Na prática, se chocaram frontalmente com os agentes do governo Lula/PT, que foram repudiados veementemente em cada uma delas.
Esse é o caminho de construção da verdadeira unidade da esquerda. Uma unidade que signifique independência frente à política de cooptação do governo, que signifique, enfim, independência política e organizativa para a classe trabalhadora e para a juventude lutarem pelos seus direitos. Convocamos, então, os estudantes e trabalhadores a alavancarem estas mobilizações a um patamar superior, capaz de derrotar a política reacionária de Lula/PT.
Coletivo Marxista
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