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sábado, 30 de abril de 2016

1º de maio - A saída é pela Esquerda! Tod@s ao ato às 15h no Parque Madureira



É chegado o 1º de Maio, data que simboliza e consagra a histórica luta da classe trabalhadora por direitos e pela sua emancipação. Não se trata de um dia festivo, de shows e sorteios de carros, como determinadas centrais sindicais pretenderam transformá-lo nos últimos tempos. Pelo contrário, essa é uma oportunidade para fazer avançar a unidade entre aqueles que ocupam as ruas para demonstrar que a classe trabalhadora e a juventude não tolerarão mais retiradas de direitos e criminalização das lutas.

Definitivamente, não há o que ser comemorado em termos de ganhos para a classe trabalhadora nesse ano de 2016, o que aumenta nossa certeza de que há muita luta pela frente. As conquistas históricas de direitos sociais e trabalhistas, conseguidos com árduas lutas protagonizadas pela classe trabalhadora sob o “Estado Democrático de Direito” - manto sob o qual se esconde a ditadura velada da burguesia - estão sendo duramente atacados pelo avanço da implantação de medidas neoliberais, como expressado pelo atual ajuste fiscal. A situação é ainda mais dramática tendo-se em conta o crescente conservadorismo que ora se irradia pela sociedade.

O ano se iniciou com a edição da Lei 13.255, que acarreta duros cortes aos direitos dos trabalhadores e também à justiça do trabalho, que perdeu a metade da verba destinada a suprir seus custos. Inúmeros ajustes econômicos ou já foram ou estão prestes a serem feitos, como uma maior flexibilização das leis trabalhistas, a prevalência do acordado sobre o legislado, a reforma da previdência social com vistas a aumentar o tempo de contribuição para a aposentadoria e a expansão do trabalho terceirizado/precarizado no setor público. Sistemáticas ofensivas aos direitos sociais da classe trabalhadora não podem passar sem uma resposta adequada, pois o que está em jogo são nossas condições de sobrevivência.

Nos últimos 14 anos os governos petistas colocaram em prática seu pacto de colaboração de classes que, com a crise econômica, atingiu seu esgotamento. E agora que sua estratégia de governo não é mais interessante aos olhos do grande capital, os governistas esforçam-se para recuperar o apoio da classe trabalhadora, tentando vender a ideia de que foram grandes os avanços sociais “conquistados” nos últimos tempos. A verdade, contudo, é que o governo aprofundou reformas pró-mercado, retirou direitos e quis tentar confundir “cidadania” com acesso restrito ao consumo. Políticas focalizadas de compensação social não foram nem de longe suficientes para mudar a dura realidade da população: guerra contra os pobres, desmantelamento dos serviços públicos, remoções, caos urbano, violência no campo, etc. Que democracia é essa que o PT e seus aliados nos convocam a defender? 

Por outro lado, para conter o avanço do processo de impeachment, o governo não mediu esforços para atender às novas exigências dos setores mais conservadores da política brasileira. Isso significou intensificar o arrocho que já era praticado sobre a classe trabalhadora. O governo Dilma é indefensável! Contudo, em que pese todos os esforços do governo, o impeachment avança no Senado, e não temos dúvidas de que, caso ele seja aprovado, o que virá adiante será um cenário ainda mais duro de cortes de direito e criminalizações. Nesse momento, a defesa das mínimas conquistas democráticas obtidas pela classe trabalhadora - sujeitas ao retrocesso - deve estar presente nas ruas. É necessário nos posicionarmos contra o golpe de governo operado por Temer, Cunha e demais agentes podres da elite brasileira.

Os governos petistas não estiveram ao lado dos trabalhadores e tampouco poderá estar o possível governo oriundo do golpe, com claras intenções de fazer avançar o ajuste fiscal. O discurso de retomada do crescimento e restauração da normalidade, nada mais significa para nós que o agravamento de péssimas condições de vida. Isso se traduz em dificultar o acesso à saúde e à educação públicas e gratuitas, na efetivação de diretrizes políticas conservadoras, que só poderá resultar em mais violência às mulheres, a negras e negros, indígenas, homossexuais, trabalhadores do campo, determinados grupos religiosos, etc. 

Portanto, não podemos apoiar nosso próprio algoz quando ele se vê ameaçado, e muito menos esquecer de que quem o ameaça neste momento não é, em hipótese alguma, nosso aliado. A polarização cada vez mais acirrada entre governo e oposição coloca na ordem do dia a necessidade da criação de uma frente de esquerda capaz de elaborar estratégias de luta contra as ofensivas do capital aos direitos dos trabalhadores.

Como parte da construção de uma frente de esquerda presente nas ruas, no Rio de Janeiro, o COLETIVO MARXISTA se soma a demais organizações políticas e convoca sua militância, trabalhador@s e jovens para a manifestação no Parque Madureira, às 15h deste domingo, para entoarmos nossas vozes contra os ajustes fiscais, contra o impeachment e em apoio à luta d@s servidor@s estaduais!

 

PRIMEIRO DE MAIO, DIA DE LUTA! A SAÍDA É PELA ESQUERDA!

sábado, 22 de agosto de 2015

Repúdio ao PL 2016/2015 do Governo Dilma

O Coletivo Marxista manifesta seu total repúdio à aprovação do Projeto de Lei 2016/2015, alcunhado de lei "antiterrorismo". Esta aprovação acontece no exato momento em que o governo Dilma apresenta um pacote de “governabilidade”, atendendo aos anseios da burguesia e da direita institucionalizada que domina o Estado brasileiro.
Não causa surpresa a opção do governo Dilma e de seus aliados pela adoção de medidas que se pautam estritamente pelas leis do receituário neoliberal. A serviço da sobrevida e da sustentabilidade do capitalismo em crise mundial, o Governo Dilma opta pelo caminho da criminalização dos movimentos e ativistas sociais. A truculência do aparato repressivo do Estado tem sido presente em todas as últimas manifestações, inclusive, por exemplo, as que lutam por verbas para educação e saúde e pela manutenção do seu caráter publico.
Também não é surpreendente que, neste cenário de estagnação da economia e de baixíssima popularidade, os Jogos Olímpicos de 2016 – assim como a Copa do Mundo da FIFA – sejam pensados como saídas para modificação deste cenário. O que nos causa perplexidade é a constatação do pouco impacto que isto causou à classe média e à população em geral, mais atentas ao tema da corrupção, pautado pela grande mídia. Usando uma série de artifícios, a mídia dominante atua para desvincular os assassinatos e chacinas diárias do aparato repressivo do Estado brasileiro.
O Projeto de Lei 2016/2015 abre brechas para que as manifestações políticas e todas as reivindicações e mobilizações dos movimentos sociais organizados sejam criminalizadas. Nada mais oportuno para a manutenção da “ordem do capital”. O texto, como aprovado na Câmara, presidida por Eduardo Cunha, prevê pena de reclusão de 12 a 30 anos em regime fechado e possibilita a prisão de ativistas e militantes.
Sabemos que todos os crimes previstos neste Projeto estão tutelados por outras leis. Portanto, o que interessa é deixar de forma imprecisa e inconstitucional o que é considerado crime terrorista e aterrorizar e amedrontar os movimentos sociais e ativistas políticos, tentando impedir nossa organização e manifestações políticas.
Este PL, que segue para análise e votação no Senado, é mais uma pauta para luta da esquerda organizada. Seremos presos, por 30 anos, pelo governo petista, por defender e lutar por uma sociedade igualitária?
O Coletivo Marxista está e estará engajado na luta para que este PL seja retirado da pauta de votações no Senado!
Não à criminalização dos Movimentos Sociais e ativistas políticos!
Pela liberdade de organização e manifestações!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A luta contra os megaeventos esportivos que atacam a classe trabalhadora e a juventude no Brasil: Não vai ter Copa!


Diego Nogueira,
estudante de Serviço Social da UFRJ, militante 
do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa 
e do Coletivo Marxista


                É fato consensual entre a esquerda brasileira que a conjuntura no Brasil é outra após as manifestações de junho. Inicialmente contra o aumento do preço das passagens pelo país, incorporaram outras pautas, como o questionamento ao alto investimento em obras para a Copa do Mundo, ao passo que áreas básicas como saúde e educação não receberam a mesma e necessária destinação de verbas. Nesse período, durante a Copa das Confederações, as manifestações colocaram os governos neoliberais de Dilma e Lula/PT e Cabral e Paes/PMDB em xeque, surgindo e ganhando muita força nas ruas a palavra de ordem “Não Vai Ter Copa”, que foi e tem sido entoada em praticamente todos os atos após junho.

            Entretanto, nas últimas semanas, alguns setores dos movimentos sociais – com inserção no movimento estudantil – aparentemente recuam e apresentam novas palavras de ordem, como “Na Copa, vai ter luta” ou “Se não tiver direitos, não vai ter copa”. Em nossa avaliação, tais mudanças configuram-se em erros crassos, significando um recuo no processo de avanço do nível de consciência da classe trabalhadora, que sofre diariamente com os trens sucatas da SuperVia e demais formas de transporte público, que morre nas filas das UPAs e não recebe um atendimento adequado à Saúde e que a cada dia que passa questiona o porquê de bilhões de reais de investimentos públicos para um megaevento esportivo. Portanto, nosso papel deve ser potencializar essas angústias e esses questionamentos, transformando-os em enfrentamento ao Mundial da FIFA.

            Precisamos nos preparar e nos defender, obviamente, dos ataques da mídia conservadora e do governo repressor, que estarão lado a lado para garantir o desejo dos setores dominantes para que a Copa aconteça no Brasil. E é neste cenário que a palavra de ordem “Não vai ter copa” manifesta mais do que simplesmente a vontade de que o Mundial não se realize. Ela expressa uma luta direta contra todo o sistema capitalista que, em busca de soluções para a crise nos países centrais, explora ainda mais os países de capitalismo dependente para manter suas taxas de lucro. Além disso, coloca na ordem do dia uma ação concreta e organizada contra os seus interesses, enfatizando que a luta popular se choca com os planos do capital. Este pode e deve ser um duro canto contra a política neoliberal que se aprofundou durante os 12 anos de governo do PT.

            Reivindicar outra coisa diferente da não realização do Mundial – como a diminuição imediata do preço dos ingressos – é negociar migalhas do capital. É aceitar pequenas melhorias em saúde e educação, por exemplo, e continuar submetido à lógica do capital. A estapafúrdia alegação de que as massas possuem o futebol como a paixão nacional e devemos dialogar com estas, que supostamente desejariam a Copa, é recorrer ao caudismo, renegar o papel de luta da vanguarda da esquerda brasileira e, também, ignorar a crescente insatisfação popular com o pacote de violações implementado pelo megaevento, que deve ser politizada. Alegar que faremos lutas antes, durante e depois da Copa é uma obviedade, uma tergiversação, já que enquanto estivermos em uma sociedade de classes, precisaremos lutar contra a exploração, a opressão, a retirada de direitos etc. Em suma, o recuo nas palavras de ordem expressa posições reformistas!


Não negamos que vai ter luta durante a Copa. Lá estaremos lutando firme, ao lado daqueles que militam diariamente para transformar a sociedade. Todavia, ratificamos que seguiremos entoando NÃO VAI TER COPA. E que o conjunto da esquerda combativa faça essa reflexão, unificando as lutas contra os governos e contra a FIFA para que tenhamos ainda mais força nesse período ímpar que se aproxima, convencendo o conjunto da classe trabalhadora e da juventude deste país e de todo o mundo a entoar conosco.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Avaliação do I Congresso da CSP- CONLUTAS

Sumaré /SP 27-30/04/2012

Cerca de 1 mês após a realização do I Congresso da CSP-Conlutas explode no país a maior greve das Instituições Federais de Ensino Superior  das ultimas décadas. São 49 universidades em greve de docentes, e em mais de 30 greves estudantis já foram deflagradas. Essa greve se soma ao cenário de surgimento de diversas mobilizações localizadas, como as greves da construção civil por vários lugares do país, que coloca com ainda mais clareza a necessidade de pensarmos profundamente as tarefas da classe trabalhadora e da juventude na atual conjuntura. Justamente nesse contexto, o Coletivo Marxista lança sua avaliação sobre o I Congresso da Central Sindical e Popular - Conlutas e coloca a necessidade de uma resposta organizativa qualificada para os enfrentamentos que a classe trabalhadora terá pela frente.

 Mesa de Abertura do Congresso.

De 27 a 30 de março de 2012, a esquerda organizada e combativa reuniu-se na Estância Árvore da Vida, Sumaré – SP, no I Congresso da CSP-Conlutas, com o objetivo de avaliar os dois últimos anos vividos desde a sua fundação como central sindical e popular, para a partir daí organizar a classe para as lutas do próximo período. Refletir, também, sobre a ação desta mesma esquerda nos anos anteriores a 2010, retirar dessas experiências lições e avançar na luta dos próximos anos com um projeto de ação coerente com as necessidades da classe trabalhadora, movimentos populares e juventude compõem os objetivos do Congresso.

Esta avaliação do I Congresso da CSP-CONLUTAS adota o marxismo como método de análise, observando seus fundamentos básicos. Fundamentos que postulam, prioritariamente, a adoção de um método de análise para entendimento e transformação da realidade integrando economia, política e ideologia e respeitando, rigorosamente, a estreita vinculação entre tática e estratégia. Entendemos que, neste caso, uma de nossas linhas estratégicas fundamentais é a constituição de uma classe trabalhadora autônoma e independente em nosso país, o que passa, necessariamente, pela criação de um organismo de luta e defesa do proletariado brasileiro.  Também partimos do principio que, ao longo dos diferentes e necessários embates, cada vez mais duros e radicalizados contra o capital, estaremos contribuindo para a formação de um proletariado autônomo e independente, um agente a serviço da transformação social.

Sustentamos, portanto, que mais do que promover constantes ações de agitação de massa, é preciso realizar ações políticas que representem o crescimento, formação e fortalecimento ideológico da classe trabalhadora. Objetivando estas metas, consideramos errada toda ação tática que desvincula os objetivos imediatos dos objetivos estratégicos que, necessariamente, devem colocar a luta de classe num patamar superior.

Apoiados nestes fundamentos, não fazemos uma avaliação positiva do I Congresso da CSP- Conlutas. Avaliações  tais como  o congresso foi  ”um sucesso”, “um evento vitorioso”, ou que “aqui se viu que algo novo está nascendo”, abrindo mão de um debate sério e profundo sobre os potenciais e problemas do momento que ora enfrentamos, estão longe de satisfazer as necessidades mais elementares para um avanço qualitativo de nossa organização e nossa luta.  

Nossa avaliação, lamentavelmente, é que o saldo deste congresso foi negativo. Mais ainda, consideramos que representou um retrocesso se comparado com momentos fundantes do processo atual, como o combativo Encontro da Conlutas realizado em 2005 em Porto Alegre e com os anseios e potencial organizativo das lutas naquele momento expressos. Neste curto espaço de tempo - 7 anos-, observa-se um assustador afastamento da diversidade política e o uso de métodos tantas vezes criticados por todos que abandonaram a CUT na expectativa da criação de uma nova ferramenta organizativa: hegemonismos, supressão de debates, imposição de soluções organizativas às polêmicas políticas e muitos outros aspectos, tão criticados formalmente por todos os setores que constroem a CSP-Conlutas, foram infelizmente constatados na prática do Congresso.


O Congresso da CSP-Conlutas e os desafios da conjuntura

A CSP-Conlutas se materializa num momento de crise do capital no cenário internacional. No Brasil, que passa à condição de sexta economia em escala mundial, os efeitos da crise ainda assim são sentidos, com aumento da exploração aos trabalhadores e cortes sistemáticos do orçamento destinado às áreas sociais. Despontam, pelo país, importantes greves e lutas, porém ainda não unificadas e mantendo como a tônica política o alto índice de popularidade de aceitação do governo Dilma. E, dando continuidade ao caráter do governo Lula, as centrais sindicais pelegas, especialmente CUT e Força Sindical, em parceria com a UNE e mídia burguesa, cumprem com eficiência o papel de alienação e domesticação da classe trabalhadora. Configura-se, portanto, um cenário extremamente complexo para a as lutas de resistência e combate da classe trabalhadora e seus aliados. Ressalta-se que, mesmo com a crise mundial e a implementação de todo o receituário de políticas neoliberais, tais como arrocho salarial, retirada de direitos trabalhistas, políticas de privatização, criminalização dos movimentos sociais, eliminação sumária de ativistas políticos e toda a sorte de denúncias de corrupção, o governo Dilma permanece blindado e com índices crescentes de aceitação.

Torna-se, portanto, muito claro o papel cumprido pelo Brasil e pelos governos petistas de Lula e Dilma, de facilitar a sobrevida do capital que para cá se transfere e se realiza com lucros exorbitantes, através da criação e expansão de novos mercados e da mais absurda expropriação de mais-valia. O papel de domesticação que exercem as centrais sindicais pelegas promove o enfraquecimento e desarticulação da explorada classe trabalhadora que vê seus direitos duramente conquistados sendo suprimidos gradativamente para dar vida e sobrevida ao capital. 

É neste momento difícil de crise econômica, e de retomada da combatividade com lutas ainda dispersas, que aconteceu o I Congresso da CSP-Conlutas. Esperava-se portanto, um Congresso com alta reflexão, base para formulação de um programa de lutas classista tão necessário para real construção de uma unidade entre os segmentos que compõem a esquerda combativa. Esperava-se uma séria avaliação crítica da trajetória da criação da Conlutas, de sua transformação na CSP-Conlutas, e uma rigorosa avaliação do congresso que a fundou, o Conclat. Mas o que se viu?  Ao contrário, assistimos a total ausência de formulações teóricas e avaliação critica, substituídas por performáticas atuações de militantes. Total ausência de autocrítica e aprofundamento das divergências políticas foi o que se viu no desenrolar do congresso. Um falso ufanismo reinante remetia à suposição de que nenhum erro foi cometido ao longo desta trajetória -  supostamente -  “tão  vitoriosa”. 

Estranhamente, estes erros foram rigorosa e duramente criticados pelo companheiro Zé Maria, do PSTU, setor majoritário do Congresso, numa das primeiras mesas deste congresso! Avaliamos, naquele momento fugaz, que ali se iniciava uma positiva sinalização de que “não estávamos imunes aos erros”, palavras do Zé Maria e, pensávamos, ali estaria sendo pautada uma dinâmica reflexiva, diferenciada e produtiva para o congresso.

O que se seguiu, no entanto, foi a substituição sistemática de debates políticos aprofundados, que possibilitariam o debate, reflexão  e síntese de divergências com o campo majoritário, leia-se PSTU, por caricatas oratórias grandiloquentes, autoelogiosas e denuncismos adjetivados. A imposição desta dinâmica instalou a velha prática de ignorar erros e a realidade e de transformar erros em virtudes, impedindo um avanço reflexivo e um balanço real deste primeiro ano de existência da CSP-Conlutas. 


Plenária. À esquerda, no alto, a bandeira do COLETIVO MARXISTA.

Debate sobre a construção da unidade: um dos grandes prejudicados pela dinâmica do Congresso

Como um chocante exemplo desta dinâmica, devemos citar as respostas sistemáticas de expressivos quadros do PSTU às criticas sobre alianças com forças do governo e a construção de atos com a CUT e demais centrais sindicais pelegas que exigiram o rebaixamento programático e colocaram as contradições, não nos ombros deles, como se tentava inutilmente dizer, mas sim diretamente no nosso colo! As claras explicitações das diferenças entre a construção de unidade de ação e construção de unidade programática também foram ignoradas e respondidas, sistematicamente, como sendo acusações não fundamentadas “daqueles que só criticavam e em nada a contribuíram para criação, crescimento e consolidação da CSP-Conlutas”!

Assim se blindam as bases de reconhecer, avaliar e formular sobre os erros cometidos? Lamentável, repetimos, ouvir como respostas, em arroubos de oratória vazia e gestual dramaticamente teatralizado, frases vazias, com efeitos pretensamente agitativos, que se expandiam no vazio. Postura adotada por uma grande maioria de quadros representativos do PSTU que preferiram, em vários momentos, fugir da disputa maior de diferenças na avaliação da forma de construção de unidade e de crescimento da CSP-Conlutas, para atuar no campo do denuncismo não fundamentado.

Ao invés de acusações, gostaríamos de ouvir respostas e as defesas contra as críticas apresentadas. Especialmente no tocante à priorização da insustentável política de exigências ao governo para que se coloque ao lado dos trabalhadores em detrimento do enfrentamento direto ao governo e suas políticas com reivindicações objetivas para as lutas imediatas. Por exemplo, no que se refere às exigências formuladas como respostas à crise do capitalismo desde 2008, claramente o setor majoritário apostou no enfraquecimento inexorável do governo, o que não se verificou. No entanto, um balanço conseqüente dessa opção política, suas implicações nas lutas ou mesmo uma reflexão sobre sua validade no atual período foram elementos sumariamente ignorados nos debates. 

E, na construção de atos conjuntos, o que justifica acordos com setores governistas que impediram as denúncias claras do papel do governo Lula, Dilma e das centrais pelegas? Um destaque: essa mesma lógica levou à participação de centrais pelegas, governistas e burocráticas na mesa de abertura de nosso congresso! No decorrer do Congresso, conseguimos perceber que a posição do setor majoritário não havia mudado, firmes em manter a unidade rebaixada com as centrais governistas, como CUT, CTB, Força Sindical e UGT, concorrer às eleições sindicais com chapas unificadas com estes setores, proclamando em suas falas este posicionamento como tática política para esclarecer a população, na medida em que a traição dessas centrais se expõe. Todavia, se rebaixam suas pautas para fazer unidade, a contradição está com a CSP-Conlutas. 

Esperávamos, também, presenciar uma rigorosa avaliação sobre a construção da unidade pautada em acordos superestruturais entre direções, origem e responsável, em muitos casos, pelo imobilismo da CSP-Conlutas (por exemplo, enquanto aguardava a definição da composição de chapas para concorrer a eleições no parlamento burguês)!

Como parte desse processo, não se produziu em momento algum um balanço profundo e responsável do Conclat, o que é inaceitável para todos aqueles que estão seriamente dispostos a construir uma alternativa que avance diante dos desafios atuais. Não é importante pensarmos sobre nossa experiência mais recente, sobre a forma como se expressou no último ano, sobre as lições e tarefas que dela retiramos? 


O método e a moral entre os trabalhadores

Há um elemento a ser destacado em todo esse processo de supressão de debates e utilização de métodos estranhos aos trabalhadores, que envolveu uma postura que consideramos estranha à democracia operária por parte do PSTU. Durante o Congresso, dirigentes do PSTU que coordenavam a mesa diretora dos trabalhos chamaram a atenção para três distintas denúncias sobre casos graves ocorridos durante o congresso, que envolviam de opressão a mulheres, discriminação religiosa e desrespeito com os funcionários do local onde se realizava o evento. Mesmo se tratando de casos graves, em nenhum momento dirigiram-se denúncias a qualquer pessoa ou apuração e punição dos responsáveis foram propostas. Os realizadores da denúncia, portanto, optaram por fazê-la de maneira genérica e como um alerta e pedido de atenção a todos presentes ao plenário. 

No entanto, logo após a realização da denúncia pública e oficial pelos militantes do PSTU e principais figuras organizadoras do Congresso, uma coluna também de militantes do PSTU, mulheres, organizadas no plenário, dirigiu-se de maneira truculenta à bancada dos militantes do Movimento Revolucionário. Sem qualquer explicação pública, discussão e apuração dos fatos, o que presenciamos foram acusações violentas e julgamentos que os responsabilizaram como autores dos atos de opressão. Adota-se, então, no nosso congresso, o método  de acusar sem apurar e sem direito de defesa? Adota-se a prática de denuncismo  sem apuração e de constrangimento público? É esta nossa democracia operária? 

Não estamos aqui entrando no mérito do conteúdo das denúncias feitas, que fique bem claro. Estamos chamando atenção para o método, estranho á democracia operária, utilizado pelo PSTU. Afinal, se havia o interesse de se responsabilizar alguém diretamente pelos fatos denunciados, por que isso não foi feito na fala pública ao plenário? Por que não defenderam a apuração e consequente punição dos responsáveis? Por que optaram por fazer uma denúncia ‘oficial’ genérica e, de maneira coordenada, partir de maneira truculenta em direção aos acusados sem lhes dar direito de defesa e já culpablizando-os publicamente antes mesmo de serem julgados? Mais: se estavam convencidas de que aqueles eram os responsáveis pelas agressões e que era preciso alguma medida em relação a eles, o método de combate ao machismo seria denunciar apenas o fato oficialmente de maneira genérica, achincalhá-los informalmente em público e depois deixar o congresso correr normalmente? Repetimos: se a apuração dos fatos comprovasse as denúncias, estaríamos (e estamos) dispostos a defender punição aos agressores. O que não toleramos, de maneira alguma, é a utilização de métodos autoritários, desrespeitosos e coercitivos entre nós quando qualquer tipo de acusação seja feito. 

Não podemos considerar este episódio como algo menor ou ato isolado de disputa entre correntes. Esta é uma prática altamente deseducativa para os novos militantes e altamente preocupante para militantes experientes. Sem autocrítica deste episódio, passamos a legitimar práticas autoritárias, inaceitáveis entre nós diante de qualquer situação. Nosso método e nossos princípios não são ‘para dias de festa’, e devem ser lembrados – talvez principalmente – quando ocorrem diante de nós situações de maior gravidade.  O Coletivo Marxista repudia esta prática. Depois do episódio, devido à solicitação de esclarecimentos públicos pelo Movimento Revolucionário, foi eleita uma comissão pelo Congresso para apurar as denúncias – método que deveria ter sido adotado desde o princípio e que fica prejudicado sem a necessária autocrítica do método autoritário utilizado anteriormente – e estaremos, obviamente, atentos ao resultado das apurações, prezando pelos espaços constituídos pela democracia operária conduzidas e defendendo a necessidade de debate e conhecimento público do resultado sobre denúncias dessa gravidade. 


Da representatividade

Devemos ainda registrar o menor número de teses submetidas neste Congresso e uma diminuição significativa no número de participantes. Retrato de uma reconfiguração organizativa e do expressivo desaparecimento de grande parte dos grupos organizados menores.  O debate sobre o caráter da entidade, não encaminhado de maneira clara e conseqüente, se impôs de maneira enviesada diante do crescimento do número de  delegados dos movimentos sociais e o número reduzido de estudantes, oficialmente representados pela Central mas que foram relegados a um papel ainda mais coadjuvante do que nos espaços anteriores sem ao menos uma reflexão ou explicitação sobre o sentido dessa opção política (não estavam na mesa de abertura, não fizeram nenhuma intervenção em plenário, não apresentaram contribuições sistematizadas do segmento estudantil). E aqui já se delineiam dificuldades organizativas e políticas pouco discutidas. O que levou a esta reconfiguração? Mais ainda, a   impossibilidade financeira para  custear a inscrição de delegados oriundos dos movimentos sociais que acabaram por  remeter ao movimento sindical uma dependência financeira da coordenação da CSP-Conlutas, não foi avaliada em sua totalidade, e sim tratada de maneira pragmática. Afinal, o que significa essa diferença de dinâmicas entre movimento popular e sindical? Como ela se expressa na Central? Qual seu impacto na formulação das políticas da Central?  

No que diz respeito à nossa história de militância, imaginamos que é desnecessário  reafirmar que defendíamos um outro modelo organizativo para CSP-CONLUTAS  e menos ainda rebater a afirmação “de que os que criticam em nada contribuíram o para a consolidação e crescimento da CSP-Conlutas”. Nossa prática, como corrente minoritária, foi de participação independente em todos os espaços, defendendo posições discordantes dos grupos hegemônicos, explicitando e fundamentando nossas posições e respeitando, sempre, as decisões tomadas. A construção ativa do ato de solidariedade a Pinheirinho no Rio de Janeiro e a materialização da presença da representação docente da UFRJ neste congresso, são apenas dois exemplos recentes de nossa trajetória. Denúncias falsas e vazias, em substituição à defesa de posições políticas diferenciadas, são o mais negativo saldo deste congresso.

Partindo destes apontamentos, precisamos salientar que o congresso termina sem um balanço real das políticas adotadas durante o ano de 2011, sem um debate aprofundado da política de alianças adotada neste período e sem explicitar a necessária diferença entre unidade de ação e políticas de unidade em fóruns permanentes e atos de propaganda. Nada se aprofundou sobre os erros cometidos no Conclat e, finalmente, reviver o debate da falsa polêmica sobre o nome da central demonstra erros dos dois grupos majoritários que hegemonizam a CSP-Conlutas. Assim, neste momento tão singular para a classe trabalhadora em escala mundial, é lamentável registrar este balanço e apontar o abandono e/ou desprezo pelos princípios mais básicos que armam e parametram a prática e, consequentemente, a ética, de uma militância  de esquerda.


Quando a desorganização prática vira hegemonismo político

É ainda importante registrar que, mais uma vez, foi errado o dimensionamento para o tempo de atividades durante o Congresso. Assim (intencionalmente?), mais uma vez ficamos sem tempo para discussão e elaboração de planos de lutas que, mais uma vez, foi remetido para plenária que, MAIS UMA VEZ, remeteu esta importante discussão  para  coordenação da CSP-Conlutas. Não é possível aceitar que ainda hoje não seja possível dimensionar corretamente o tempo para cada atividade programada, deixando programado o tempo para imprevistos que sempre acontecem. Perdurou a prática da majoritária em jogar todas as resoluções a que pertenciam as principais discussões, como Organização de base e Plano de Ação, para a última plenária, plenária esta que normalmente nunca se realiza por falta de tempo. Nos três últimos Congressos, isso aconteceu e desta vez não foi diferente. A principal discussão não foi feita, muitas resoluções passaram em bloco, pouco discutidas e o resto será decidido pela Coordenação Nacional. Tempo de sobra para longas falas (em painéis, saudações e afins) das correntes e majoritárias com prejuízo dos pontos que seriam o eixo concretizador de todo o debate do Congresso. Desta vez, o plano de lutas reduzido a um acordo que previa a apreciação de uma proposta de cada tese, sufocando o debate vindo dos grupos (justo no Congresso que tinha como grande tema a organização de base!) e mesmo a contribuição global dos grupos presentes. 

Para finalizar, o abrupto encerramento do Congresso, encaminhado pelo PSTU, descumprindo até mesmo o acordo entre as correntes que apresentaram teses, fecha de forma lacônica , como uma síntese espelhada, o que foi este congresso. Um congresso que propõe a criação do novo e acaba com uma plenária vazia, sem síntese de divergências já sabidamente postergadas e amadurecidas ao longo de pelo menos dois anos, que finaliza sem a discussão e aprovação em plenária de um plano de lutas e que descumpre, até mesmo, o acordo realizado entre correntes, merece um balanço sério que vá muito além de ser considerado como um saldo positivo para classe trabalhadora brasileira.


Seguimos na luta para a construção de uma Central à altura dos desafios da classe trabalhadora

O Coletivo Marxista deixa aqui como registro a sua permanência e continuidade na luta de construção da CSP-CONLUTAS.  Como corrente minoritária, sabemos de nossas limitações neste espaço e estamos conscientes do papel que desempenhamos. Nossa organização, mais uma vez, não se eximirá de enfrentar os desafios presentes para construção da CSP-Conlutas.  Não enfrentar desafios, neste especial momento conjuntural, é um grave erro político. Continuaremos defendendo a necessidade de um organismo que possua caráter de central sindical e a construção de uma unidade proletária, pautado em princípios classistas e construído com base programática. A crise do capital e a necessária organização da classe trabalhadora em sindicatos e partidos exigem este esforço conjunto da criação de uma unidade proletária! Acreditamos que, apesar de tantos erros, este é o espaço de aglutinação da esquerda brasileira combativa. Acreditamos, também, que se abre um horizonte de lutas radicalizadas e enfrentamentos importantes, com o recrudescimento dos ataques e criminalização da classe trabalhadora e movimento sociais. Assim, mais do que nunca precisamos aprofundar divergências e construir uma unidade proletária pautada na construção de um programa diferenciado de lutas.


À luta, companheiros, rumo à construção de uma diferenciada e combativa organização a serviço da classe trabalhadora brasileira!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Declaração sobre o Golpe de 1964

Companheiros assassinados pela ditadura militar:

Presentes!

 Companheiros desaparecidos durante a  ditadura militar:

Presentes!



O Coletivo Marxista reverencia todos os militantes assassinados e desaparecidos durante a ditadura militar, instalada através de um golpe militar, em 01/04/1964.
Esquecer ou disfaçar o brutal e terrível período de repressão brasileiro, esquecer ou ocultar as torturas e mortes com requintes de crueldade e manter vivo e impune todo o aparato de repressão policial é crime.

Registramos também que este é  o mesmo aparato policial que impune  hoje assassina , humilha, prende e reprime violenta e sumariamente e, a  cada dia que passa, de forma mais ostensiva  e truculenta, a todos que sonham e lutam por um mundo igualitário e portanto comunista.

Precisamos de uma grande e unificada campanha pela abertura dos arquivos da ditadura, com apuração dos crimes de tortura e assassinatos e punição dos responsáveis. O governo Dilma/PT não está disposto a levar essa luta a suas últimas consequências: comprometido com os interesses burgueses, optou mais uma vez por conciliar com os representantes da tortura brasileira e abrir mão da defesa de apuração e julgamento dos crimes por eles cometidos, com a proposta de instalação da ‘Comissão da Verdade’. Insuficiente e conciliatória, a proposta é de que os crimes sejam conhecidos,  revelados, mas não julgados.  Reafirmando seu autoritarismo e a defesa da tortura, os militares hoje repudiam frontalmente mesmo essa proposta conciliatória, o que só confirma a necessidade de nos organizarmos firmemente para reivindicar o direito à verdade e à justiça, como feito na maioria dos países da América Latina em relação às suas ditaduras militares. 
  
Irmanados na luta contra a barbárie, o Coletivo Marxista canta, unido com todos os revolucionários, A Carta, de Violeta Parra.

Los hambrientos piden pan
ou
La carta

Violeta Parra

Me mandaron una carta
por el correo temprano.
En esa carta me dicen
que cayó preso mi hermano
y, sin lástima, con grillos,
por la calle lo arrastraron, sí.

La carta dice el motivo
que ha cometido Roberto:
haber apoyado el paro
que ya se había resuelto.
Si acaso esto es un motivo,
presa también voy, sargento, sí.

Yo que me encuentro tan lejos,
esperando una noticia,
me viene a decir la carta
que en mi patria no hay justicia:
los hambrientos piden pan,
plomo les da la milicia, sí.

De esta manera pomposa
quieren conservar su asiento
los de abanico y de frac,
sin tener merecimiento.
Van y vienen de la iglesia
y olvidan los mandamientos, sí.

¿Habrase visto insolencia,
barbarie y alevosía,
de presentar el trabuco
y matar a sangre fría
a quien defensa no tiene
con las dos manos vacías?, sí.

La carta que he recebido
me pide contestación.
Yo pido que se propale
por toda la población
que «El León» es un sanguinario
en toda generación, sí.

Por suerte tengo guitarra
para llorar mi dolor;
también tengo nueve hermanos
fuera del que se engrilló.
Los nueve son comunistas
con el favor de mi Dios, sí.

quinta-feira, 8 de março de 2012

8 de março é dia de luta! Avançar nas conquistas de direitos das mulheres trabalhadoras!


Dados como “a cada dois minutos uma mulher é espancada por seus parceiros no Brasil”, “durante a crise econômica mulheres estão na linha de frente das demissões do ABC paulista”, “mulheres ocupando os mesmos cargos que os homens ganham cerca de 51% a menos” e muitos outros são comumente ouvidos, mas não podem ser naturalizados. Os dados acima são os mais alarmados pela mídia, mas a discussão sobre a situação das mulheres vai muito além disso.  Por exemplo, ainda hoje nossa sociedade reproduz a função doméstica da mulher, o que se soma à função de sustento do lar. Ou seja, muitas mulheres enfrentam a dupla jornada de trabalho; ainda é tido como dever da mulher o cuidado com os filhos; inúmeras mulheres criam seus filho e netos sem auxílio dos pais; as mulheres negras são as que ganham salários mais baixos  e têm menor acesso à educação; existe um pequeno índice de creches públicas para atender a população; em inúmeras universidades federais, as estudantes que moram nos alojamentos, e engravidam, são expulsas da residência; inúmeras mulheres são demitidas após o término da licença maternidade; cresce o número de cirurgias estéticas em mulheres; dentre outras questões.

É preciso entender essas informações como um processo de formação histórica que perpassa pelo interesse da burguesia na manutenção da condição de explorada e oprimida da mulher trabalhadora, para manter e/ou aumentar os lucros das empresas e exercer a manutenção do poder político. A exploração da mulher como ser reprodutor, que cuida da casa e dos filhos, se iniciou antes mesmo da sociedade capitalista, que tratou de se apropriar e intensificar essa exploração. Isso ocorre, pois há a necessidade da manutenção da classe trabalhadora como classe trabalhadora, como aquela que passa a maior parte do dia trabalhando, com condições precárias de transporte e alimentação, onde o lazer na maioria das vezes é assistir televisão, dominada pela mídia burguesa, que introjeta valores, morais e costumes para a manutenção da ordem vigente. São reproduzidos no interior da própria classe a opressão e a exploração das mulheres, pois são elas que após trabalharem, durante todo o dia em subempregos, empregos informais ou terceirizados, quando chegam em casa cozinham, lavam, passam, cuidam dos filhos e fazem faxina, entrando no mesmo ciclo de toda a classe trabalhadora, porém com dupla jornada de trabalho, ou dupla exploração.

E, diante de tão duras condições de vida, os governos Lula/PT e Dilma/PT lançaram inúmeros programas assistencialistas que trazem aos trabalhadores uma maior aceitação das suas condições de vida e aumentam sua popularidade tanto entre a população quanto entre os empresários, enquanto o real investimento em educação e saúde pública fica de lado. Esses direitos estão entregues aos modelos privatistas de OSs (Organizações Sociais) e OSCIPs (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público), mantendo a má qualidade do atendimento de educação e saúde à população, além de manter limitado o acesso às atividades culturais.

Dentre esses programas estão o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Bolsa Família, que têm grande impacto na vida de tantas mulheres trabalhadoras. Os governos também criaram programas específicos de atendimento à mulher, como o programa que aumenta a escolaridade da mulher, Programa Mulheres Mil, Programa de saúde da mulher a proposta do hospital da mulher, dentre outros.

Muito conveniente é para o governo Dilma alardear a saúde da mulher e, comprometido com o conservadorismo, não avançar uma linha na discussão sobre o direito ao aborto como uma questão de saúde pública. Quem não se lembra que, ao temer perder as eleições presidenciais, Dilma abriu mão do debate sobre a legalização do aborto? Discutir a saúde da mulher tem como eixo central a discussão e desmistificação da moral burguesa e da Igreja católica que condenam o aborto, a legalização do mesmo e o oferecimento desse serviço pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Milhares de mulheres, atualmente, morrem por fazerem abortos ilegais, em péssimas condições, enquanto as mulheres burguesas, que podem pagar, fazem abortos em clínicas clandestinas com todo o aparato médico.

A questão da mulher também pode ser um “negócio” muito lucrativo. A dupla exploração da mulher muito beneficia as grandes empresas que se utilizam do jargão da maior instabilidade da mulher para pagarem menores salários e para terem menos promoções. Existe ainda o grande e lucrativo jogo da licença maternidade, através do Programa “Empresa cidadã” implantado no final de 2009 pelo Governo Lula/PT, pelo qual as empresas que concedem uma extensão de quatro para seis meses da licença obtêm um incentivo fiscal. O que deveria ser um direito garantido pelo Estado vira mais uma forma de aumentar os lucros dos empresários. Fora isso, todo o mito da perfeição do corpo da mulher, massificado pela mídia, também serve aos lucros de um mercado muito grande: a indústria da plástica, dos cosméticos e do fitness.

Nesse sentido, a esquerda tem um desafio, que está na ordem do dia: a discussão da situação da mulher trabalhadora, não descolada da situação do proletariado, pois a mulher trabalhadora é explorada tanto lado a lado aos homens trabalhadores, como também no lar. Não nos cabe então unirmos e uni-los a quem implementa os programas que atacam os direitos da mulher trabalhadora, não cabe a nós fazermos falsas unidades em atos do dia Internacional de Luta da mulher, 8 de Março, que nos impeçam de denunciar essa situação. Cabe a nós diferenciar, avançar na consciências dessas mulheres, avançarmos na criticidade, avançarmos a organização em sindicatos e entidades que realmente estejam lutando junto aos trabalhadores, fazer crescer a fileira de mulheres que lutam pela sua emancipação ombro a ombro com os homens trabalhadores.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Toda solidariedade aos moradores do Pinheirinho! Abaixo a repressão de Alckmin e da PM!


Na manhã deste domingo, 22 de janeiro, o governo tucano do Estado de São Paulo desrespeitou uma decisão do judiciário federal e iniciou uma violenta invasão ao Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). Desde 2004, 1600 famílias ocupam a área, lutando pelo direito à moradia. As mais de 9 mil pessoas que vivem e trabalham ali estão, neste momento, sendo retiradas de suas casas sob forte repressão.

A justiça e o Estado mostram, mais uma vez, de que lado estão. Contra 1600 famílias trabalhadoras, defendem os interesses da especulação imobiliária na área e de Naji Nahas, processado por diversos crimes fiscais, que disputa o terreno do Pinheirinho. A área foi abandonada por compor a massa falida de uma das empresas fraudulentas de Nahas.


A situação no Pinheirinho é gravíssima e exige uma forte resposta dos movimentos sociais. A ação ilegal da PM conta com 2 mil homens, blindados, helicópteros e soldados da tropa de choque usando gás pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e atirando nos moradores com balas de borracha. Há denúncias de que também houve tiros com armas de fogo, muitos feridos (incluindo crianças e mulheres grávidas) e mesmo de mortos no local. Com internet, telefone e acesso restrito à região, a ação violenta da PM de Alckmin de desdobra durante todo o dia sem nenhuma atenção da grande mídia.


O Coletivo Marxista apóia integralmente a luta dos moradores do Pinheirinho por moradia e dignidade, e repudia o massacre dirigido pelo governador Alckmin, sustentado pelo prefeito Eduardo Cury (também do PSDB) e ordenado diretamente pela juíza Márcia Loureiro. É importante destacar também que a presidenta Dilma ignora a situação até este momento: nenhuma atitude para parar o massacre ou ao menos uma declaração. Desta forma, o governo do PT se torna conivente com mais essa demonstração da escalada de violência e repressão aos movimentos sociais e ao povo pobre no Brasil. Pinheirinho não é um caso isolado: faz parte de um cenário cada vez mais preocupante e que exige respostas concretas da militância de todos os movimentos sociais.


Defendemos: suspensão imediata da ação policial, punição aos responsáveis pelo massacre, moradia digna para os moradores do Pinheirinho, com expropriação da área! Manifestações já estão sendo organizadas em diversas cidades em apoio ao Pinheirinho. Hoje (22/1) em São Paulo, amanhã (23/1) no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belém e Fortaleza. Participe!


TODOS AO ATO NO RIO DE JANEIRO: 23/1, CONCENTRAÇÃO ÀS 16h NO LARGO DA CARIOCA!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

GREVE GERAL: Pela anistia dos presos políticos e pela conquista de melhores salários! Fora Cabral!

As precárias condições de trabalho e os péssimos salários dos bombeiros deram início a uma luta que se alastrou para diferentes categorias de profissionais do Estado do Rio de Janeiro, submetidas ao mesmo quadro de arrocho salarial. A importância dos bombeiros e a violência da repressão usada pelo governo Cabral provocaram uma reação em cadeia com a imediata mobilização e apoio de expressiva parcela da população fluminense. Estes acontecimentos mostram, mais uma vez, a verdadeira face do governo Cabral. Um governo sustentado e a serviço dos interesses do grande capital com o apoio da grande mídia. E, como todos que fazem esta opção, oferece migalhas aos seus servidores e péssimas condições de trabalho.

Este governo, em aliança tão propagandeada com o governo Dilma/PT, mostra sua face mais cruel na sua sistemática política de criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. Promove a “paz” usando a violência nas favelas e matando indiscriminadamente. Um governo que joga bombas nos profissionais da educação; que reprime estudantes mobilizados contra o aumento das passagens; que prende sumariamente manifestantes que protestavam contra a presença de Obama e contra a venda de nossas riquezas naturais. Violência é o nome do Rio de Cabral, que só tem araras azuis nos filmes e festas à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. O triste episódio da covarde invasão do quartel central do Corpo de Bombeiros com a prisão de 439 trabalhadores mostra outra vez o autoritarismo, o desrespeito, a violência e a arrogância deste governo.

Servidores têm direito de lutar por melhores salários e as manifestações e as greves são suas armas legítimas. A deflagração da greve dos profissionais da educação, que assim se une à luta dos bombeiros, aponta o correto caminho para a luta por melhores salários para as demais categorias. Greve Geral, esta é a poderosa forma de luta dos trabalhadores, Luta que deve ser independente de parlamentares que só que aparecem quando os holofotes se acendem. O Coletivo Marxista defende a anistia dos presos políticos do quartel central e aponta a unidade, autonomia e independência das lutas da classe trabalhadora como o caminho correto para suas conquistas.

domingo, 20 de março de 2011

Repudiamos a prisão dos 13 manifestantes do ato contra Obama! Libertação já!


"Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado”
(Chico Buarque – Cálice)

O cinismo e a farsa demonstram sua face mais dura e caricata no recente episódio da prisão aleatória e sumária de 13 participantes do ato em protesto à visita de Obama ao Brasil e, especialmente, contra sua política belicista e imperialista, que pretende assinar com o governo Dilma acordos para exploração do pré-sal brasileiro. Palavras de ordem contra a venda do pré-sal, fora as tropas brasileiras e americanas no Haiti e fim ao bombardeio na Líbia foram considerados perigosas demais e, assim, suficientes para que a polícia de Sergio Cabral - que pratica diariamente atos bárbaros de violência e criminalização da pobreza e dos movimentos sociais -, referendada pelo Governo Dilma, ordenassem a prisão indiscriminada de 13 pessoas.

Entre elas, uma senhora de 69 anos! Igualmente brutal é a prisão de um jovem estudante do Pedro II, adolescente que corre risco de violência, colocado sozinho no instituto Padre Severino. Os demais militantes, já de cabeça raspada, numa clara tentativa de humilhação, estão presos em Bangu 8 e Água Santa. É fundamental uma grande campanha pela libertação imediata dos 13 presos políticos e contra a escalada de criminalização dos movimentos sociais, que se sustenta sob o governo do PT.

Atos arbitrários típicos de estado de exceção. Voltamos à ditadura militar com 3 meses do governo Dilma? A América Latina continua com suas veias abertas, agora vertendo etanol, soja e a venda antecipada de nosso pré-sal. A fúria da “democracia americana", ressurge, com toda a sua crueldade: invasão no Iraque e os recentes bombardeios na Líbia são apenas alguns exemplos. Os aliados de ontem, como o ditador líbio Muammar Kadafi, são os inimigos de hoje desde que o controle dos poços de petróleo continue nas mãos do Estados Unidos da América!

Intervenção no Haiti e acordos para venda antecipada do pré-sal são as necessárias faces políticas de governos liberais que procuram, a todo custo, prolongar um sistema econômico baseado nas guerras que alimentam a indústria bélica e da superexploração da classe trabalhadora. Assim, enquanto Obama faz arremedos de embaixadinhas na Cidade de Deus, sob os olhos embevecidos de Sergio Cabral, nossa juventude e trabalhadores são aprisionados.

Mais um ato de violência do governador. Quem não se lembra da violência contra a passeata dos professores e da repressão aos movimentos Sem Teto? É crime gravíssimo contra ordem pública protestar contra os acordos econômicos aqui firmados e corajosamente se manifestar pela necessidade de uma nova política econômica, na qual a riqueza brasileira não fique na mão de 10 grande milionários?

O Coletivo Marxista registra seu repúdio aos governos Dilma e Cabral e à política de extermínio e criminalização dos movimentos sociais, ante-sala do que se espera para os Jogos Olímpicos e para a Copa do Mundo. A tarefa de todos militantes de esquerda é, neste momento, repudiar a postura fascista dos governos Dilma/Cabral e exigir a imediata libertação dos prisioneiros políticos.

- LIBERDADE IMEDIATA AOS NOSSOS PRESOS POLÍTICOS

- Pelo cessar-fogo interno e externo na Líbia. Apoio à luta do povo árabe!
- Não à venda do pré-sal!
- Fora as tropas brasileiras do Haiti

- Pela soberania e autodeterminação dos povos

- Pela Unidade Proletária na luta contra o capitalismo

- Lista dos presos políticos:

Gilberto Silva – eletricista
Rafael Rossi - professor de estado, dirigente sindical do SEPE
Pâmela Rossi - professora do estado
Thiago Loureiro - estudante de Direito da UFRJ, funcionário do Sindjustiça
Yuri Proença da Costa - funcionário dos Correios
Gualberto Tinoco "Pitéu" - servidor do estado e dirigente sindical do SEPE
Gabriela Proença da Costa - estudante de Artes da UERJ
Gabriel de Melo Souza Paulo - estudante de Letras da UFRJ, DCE-UFRJ
José Eduardo Braunschweiger – advogado
Andriev Martins Santos - estudante da UFF
João Paulo - estudante Colégio Pedro II
Vagner Vasconcelos - Movimento MV Brasil
Maria de Lurdes Pereira da Silva - doméstica


Vera Salim, do Coletivo Marxista e do Movimento Universidade Crítica, na manifestação de 20/3: convocação para ato em repúdio às prisões na UFRJ, dia 21/3, às 11h na Faculdade de Letras

Passeata de 20/3: Libertação dos presos políticos já! Fora Obama do Brasil!