domingo, 28 de junho de 2009

Marxismo Militante - 2ª edição

Jornal do Coletivo Marxista – Ano II – Número 2 – Junho/2009






Crise do capitalismo



É preciso construir uma resposta política proletária e independente


Os efeitos da crise econômica internacional já são incontestáveis. As próprias estatísticas burguesas revelam que a situação se agrava de forma drástica. Já há mais de 1 milhão de demissões e o fechamento de 700 mil postos de trabalho. Os pacotes dos governos para salvar a burguesia já extrapolam a ordem dos trilhões de dólares. No Brasil, o governo Lula já liberou cerca de 300 bilhões para as empresas, 160 bilhões para bancos e 8 bilhões para montadoras de automóveis. E o BNDES já anunciou mais 130 milhões para grandes empresas.


Sabemos que as crises econômicas são inerentes ao capitalismo, e que o sistema encontra formas de superar essas crises, reestruturando-se e assumindo novas formas que adiam sua extinção, mesmo que sejam incapazes de superar suas contradições fundamentais. Os números da atual crise são alarmantes e demonstram que ela atinge todas as esferas e setores da atividade produtiva e reprodutiva do sistema mundial, o que a configura como uma crise estrutural do sistema.






Crise estrutural: o capitalismo só cai se for derrubado!



As origens superficiais da atual crise apontam para a armadilha de liquidez, que se dá quando o FED (Federal Reserve, o Banco Central estadunidense) inunda o mundo com dólares para injetar liquidez na economia e os bancos, ao invés de emprestarem, entesouram e não renovam os empréstimos. Segue-se a insolvência dos principais bancos americanos, sendo destacado que o custo potencial do socorro aos bancos já é estimado em US$ 5,1 trilhões.

Ao se alastrar pelo mundo e para a economia real (indústria automobilística, depressão na economia, desemprego e queda dos salários), a crise mostra de forma incontestável suas origens estruturais, explicitando a contradição fundamental do capitalismo: a produção cada vez mais social e a apropriação cada vez mais privada. Nos Estados Unidos, maior nação representante do capitalismo, a média salarial na década de 1960 era de $8,99/hora; em 2006, $8,24/hora. No geral, a massa salarial dos trabalhadores encontra-se estagnada ou diminuída. O capital tem formas de reverter momentaneamente esta situação: esforços de venda, aumento de publicidade, crédito e endividamento das famílias, aumento de fronteiras de acumulação capitalista, guerras. O capital monetário evolui a uma taxa superior à da mais-valia, tornando-se cada vez mais fictício.

Os efeitos da crise nos países periféricos apontam para o declínio das exportações de commodities primárias, o que coloca em xeque a estratégia de crescimento via exportações e o declínio de seus preços, demonstrando que a divisão internacional do trabalho (ex.: produção de automóveis no Brasil) torna maior os efeitos da depressão, em função da dependência do mercado externo. Como resultado espera-se: crescimento negativo, desemprego (10% no Brasil), especialmente na indústria metalúrgica e automobilística, a redução dos salários e direitos dos trabalhadores. O crescimento negativo força o setor produtivo a ingressar no setor financeiro. A análise dos dados recentes, incluindo a divulgação de queda de 0,8% do Produto Interno Bruto brasileiro no primeiro trimestre confirma: o Brasil encontra-se oficialmente em recessão.

A ideologia burguesa foi colocada na defensiva. Pela primeira vez em 20 anos são contestados os mitos da auto-regulação pelo mercado, das privatizações e da capacidade do Estado evitar crises econômicas. No Brasil, o modelo de conciliação de classes está ameaçado, mas a ausência de lutas de massa e da consolidação de uma vanguarda de esquerda, capacitada para catalisar e impulsionar mobilizações da classe trabalhadora nesse cenário de crise, impossibilitam a necessária transformação revolucionária para a superação do capitalismo.




Proletários de todo o mundo, uni-vos!




Está clara a necessidade de organização dos trabalhadores e da juventude para enfrentar à altura a crise do capitalismo. Como vimos, os ataques já são aprofundados e a projeção para o próximo período só apontam para o agravamento da situação. Nesse sentido, é essencial que façamos aqui uma profunda reflexão sobre a necessária construção da resposta política à crise.


O que assistimos, lamentavelmente, na formulação da resposta política da esquerda para crise? Mais uma vez, a incorreta opção pelo estabelecimento de unidades rebaixadas, que em nada contribuem para o avanço de consciência e da luta dos trabalhadores e da juventude. Mais uma vez, observamos PSTU e PSOL optando por construir atos de propaganda em unidade com PT, PCdoB, CUT e UNE, poupando o governo e atacando em abstrato os ricos. E quem é o grande representante político dos interesses dos ricos, senão o governo Lula? Identificando o grande diferencial do governo Lula, estamos certos de que o nível de avanço de consciência e a possibilidade de arrancar vitórias concretas passa, necessariamente, por lutar contra os ataques de Lula e seus agentes no movimento social, construindo uma pauta política que onere e derrote os empresários, os banqueiros e o governo e avance na construção de alternativas independentes e de luta para o movimento social.


“Proletários de todo o mundo, uni-vos!”. Esse é o célebre final do Manifesto Comunista. É claro que queremos e lutamos pela unidade, mas a unidade proletária, dos trabalhadores para o enfrentamento concreto contra o capital. A unidade que precisamos construir deve se dar em marcos estratégicos que apontem para a construção de uma sociedade baseada em princípios comunistas, superando o capitalismo, que se alimenta e se reproduz através de guerras e da miséria.


Formação

A história e a contribuição da

Organização Revolucionária Marxista - Política Operária




Resgatar a história da Organização Revolucionária Marxista - Política Operária (Polop) não é uma simples homenagem do Coletivo Marxista a esta importante organização política que influenciou profundamente a esquerda revolucionária brasileira. Ao publicar nosso primeiro artigo sobre a história da Polop, num jornal intitulado Marxismo Militante (nome da Revista da Organização), fazemos, também, uma homenagem a seu principal militante e quadro teórico, Eric Czaczkes, precisamente no ano de 2009, quando completam-se 70 anos de sua chegada ao Brasil. Judeu austríaco, Eric Czaczkes (naturalizado Eric Sachs, nome de guerra Ernesto Martins) chega ao Brasil escapando das perseguições do nazismo e do stalinismo, com apenas 16 anos de idade.

No entanto, é nosso objetivo maior recolocar na ordem do dia a importante tarefa de criar uma organização revolucionária alicerçada nos princípios teóricos da Polop, resgatando seus fundamentos e procurando caminhos para a continuidade da tarefa iniciada por seus militantes nos anos 60: a formação e a organização do proletariado brasileiro como classe autônoma e independente.

Pautar este debate exige que se analise a recente história da esquerda brasileira, pois só assim possibilitaremos que “o debate político atual não caia na vala comum, onde os problemas imediatos são tratados com critérios imediatos” para “elevá-lo à condição de um debate sobre problemas históricos tratados com critérios materialistas históricos”(1).

Resgatar a história da Polop e sua proposta política torna-se uma tarefa imprescindível no momento em que o sistema capitalista entra em crise e quando se constata, no Brasil, a capitulação e falência do PT, da CUT e da UNE, instrumentos de apoio e sustentação do Governo Lula, e quando uma equivocada atuação da esquerda hegemônica brasileira repete erros históricos pautados em transposições mecânicas de formas de luta para a realidade brasileira.

Coloca-se, mais uma vez, na ordem do dia a tarefa revolucionária identificada por Eric Sachs na sua chegada ao Brasil em 1939: a necessidade de criar uma organização que enraíze entre nós uma alternativa ideológica às duas vertentes hegemônicas do comunismo, o stalinismo e trotskismo. Vertentes estas caracterizadas como dois lados de uma mesma medalha em “Qual a Herança da Revolução Russa?”, na medida em que ambas olham a revolução mundial sob ângulos específicos da Revolução Russa.

A história da Polop é a história de uma organização pautada nos princípios de que o marxismo não é nem pode ser dogmático. Ela mostra que a principal tarefa dos comunistas brasileiros é saber aplicar a experiência do marxismo vivo à realidade brasileira e que, se queremos tirar lições para o futuro, temos de aprender a distinguir os aspectos especificamente russos da Ditadura do Proletariado Russa das formas que ela tomará em outras revoluções que se darão em circunstâncias diferentes.

A sociedade comunista, todos sabemos, se desenvolve sobre bases da sociedade capitalista da qual acaba de sair, herdando “os estigmas da sociedade que a engendrou” e “toda revolução exige um atuação criadora de sua vanguarda e a adaptação crítica das experiências do passado a uma realidade concreta” (2).

A militância de Eric Sachs se confunde com a história da Polop e nos deixa como legado o movimento político de maturação, a fundação desta organização e toda sua contribuição teórica e prática revolucionária. No relato abaixo, o próprio Ernesto Martins, em 1982, descreve o momento de sua fundação:

“Há vinte anos, entre 16 e 19 de janeiro de 1961, um grupo de jovens, em torno de 20 anos, em sua maior parte, estava reunido em Jundiaí para fundar a Organização Revolucionária Marxista - Política Operária , conhecida também nos anos futuros como Polop.

O Congresso de Fundação foi iniciativa de um grupo do Rio, que desde 1959 editava o boletim quinzenal Política Operária. O grupo do Rio tinha se originado da Juventude do Partido Socialista, tornando–se independente pelo fato de não endossar a candidatura do Marechal Lott à Presidência da República. Alugou uma sede própria, onde se reunia para conferências e debates. Com a publicação do boletim, atingiu grupos de jovens nos demais estados. Em São Paulo, existia um grupo que se considerava luxemburgista; em Minas, uma Juventude Trabalhista. Os contatos rapidamente se estenderam pelo país afora. A Bahia, por exemplo, participou das discussões com dois grupos, um em Ilhéus, outro em Salvador. Dentro de pouco criou-se o consenso da necessidade de formar uma organização nacional.”


As idéias básicas que uniam este grupo inicial eram:

· a condenação à política de colaboração de classe agenciada pelo PCB, PSB e PTB;
· a caracterização do caráter socialista da revolução brasileira;
· o reconhecimento da importância da classe operária como agente de formação de frente entre trabalhadores do campo e da cidade;
· a defesa da construção de um partido político da classe operária em oposição aos partidos burgueses;
· a independência frente aos Partidos Comunistas dos diversos países;
· a busca de uma análise concreta da situação concreta brasileira;
· a critica às deformações burocráticas dos Estados do campo socialista.



A luta pela liberdade de organização, o combate ao stalinismo e a diferenciação crítica do trotskismo, a necessária criação de um partido político representativo da classe proletária e em oposição aos partidos burgueses, a luta pela organização sindical independente e autônoma do proletariado e a organização independente dos estudantes brasileiros compunham a linha estratégica da Polop. A Organização influenciou profundamente a chamada esquerda revolucionária brasileira, foi um agente catalisador de debates e produção teórica, tendo influência marcante nas históricas greves operárias de Osasco e Contagem e no movimento estudantil de 1968 (2).

A consolidação da Ditadura Militar, a conseqüente depressão do movimento operário e estudantil, as prisões, exílios forçados e a clandestinidade dos militantes que optaram por permanecer no país selaram o destino da Organização. O grupo no exílio, aglutinado em torno de Ernesto Martins, em conjunto com os sobreviventes dentro do país, decidiram apoiar o PT, quando este era um ainda um projeto. A Polp dissolveu-se lentamente nos primeiros anos da década de 80 (2).

Resgatar esta experiência histórica é recolocar a discussão da criação de organismos de luta independentes e contrários à ideologia dominante pautada no ideário burguês. Hoje, quando as forças trotskistas hegemônicas na esquerda brasileira incorrem, novamente, em erros táticos históricos pautados na inobservância da dinâmica da luta de classe e no uso de táticas que não promovem a necessária independência ideológica e política da classe trabalhadora, resgatar e analisar a trajetória da Polop é uma importante tarefa política.


“O Marxismo é antes de tudo método e experiência aproveitada e acumulada”(3).


Resgatar este ensinamento é resgatar o método de desenvolver táticas conectadas a uma linha estratégica, é se afastar de imediatismos e da adoção do discurso fácil da ideologia do senso comum, que propõe a criação de uma unidade fictícia pautada em eixos que não promovem a real organização independente da classe trabalhadora e da juventude brasileiras.

Resgatar e aprender com a história da Polop é procurar caminhos que não coloquem, mais uma vez, o proletariado e a juventude brasileiras a reboque dos movimentos puramente agitativos, mas, sim, construir uma unidade proletária que nos permita “Andar com os Próprios Pés”!


Referências:

1) Andar Com Os Próprios Pés - Eric Sachs - nota dos Editores (citação livre) - 1994
2) Qual A Herança da Revolução Russa?- Eric Sachs -1988
3) Marxismo e Luta de Classe - Eric Sachs – 1987







Encruzilhada no Movimento Sindical:

Construir a unidade proletária ou abandonar os princípios classistas?




Elaborar uma tática - programa de lutas e defesa - para a classe trabalhadora brasileira é a mais urgente e prioritária tarefa pautada para o movimento sindical combativo num momento de crise mundial do capitalismo. Tarefa esta, no entanto, que não será cumprida sob o signo de imediatismo e com a idealista proposta de construção da “unidade” da classe trabalhadora nos marcos rebaixados propostos pelos setores hegemônicos da Conlutas. Proposta de fácil apelo que se materializa numa resposta vazia: uma unidade construída sem bases materiais resulta no imobilismo, enfraquecimento e recuo político do movimento sindical brasileiro.

A conformação desta “unidade” sem marcos políticos proletários definidos leva hoje a Conlutas, surgida como necessária alternativa de luta para o movimento sindical anti-governista, a abrir mão da clara crítica ao governo Lula , e a defesa de palavras de ordem gerais e sem propostas políticas, que se chocam com “os ricos” em abstrato em um momento tão definitivo para classe trabalhadora brasileira. Mais ainda: ao responder a crise mundial do capital com a elaboração de um abaixo-assinado que exige “do Congresso Nacional e do Sr. Presidente da República que sejam adotadas medidas para defender os trabalhadores e trabalhadoras e suas famílias frente aos efeitos da crise na economia”, abre mão das mais elementares formas de luta de movimento sindical combativo, que se expressaria na construção de lutas concretas, paralisações, atos em portas de fábrica e a defesa de palavras de ordem de propaganda, como a construção de uma greve geral, como legítimo instrumento de luta dos trabalhadores.



Miséria e circo para os trabalhadores!





A crise já produz mais de 2 milhões de desempregados no Brasil, índices oficiais do IBGE. No Rio de Janeiro, o governo de Sérgio Cabral e a prefeitura de Eduardo Paes privatizam a saúde, a cultura e a educação, negociam a venda do Galeão e acenam com a Copa de 2014! O presidente Lula, com altíssimos índices de popularidade, aconselha os trabalhadores a garantir seus empregos e a não lutar por reajustes salariais, ao mesmo tempo em que manda a classe trabalhadora comprar para que o país não entre em recessão.

É com esta realidade que devemos trabalhar! Realizar uma correta proposta de enfrentamento da crise exige retirar propostas concretas da conjuntura brasileira, que devem levar em consideração o papel do governo Lula, do PT e da CUT, e, mais ainda, as características próprias do movimento sindical brasileiro. Movimento sindical que, com seu histórico atrelamento ao Estado, não propiciou até hoje a formação de uma classe operária autônoma e com objetivos de luta desvinculados do movimento burguês e mais recentemente pequeno-burguês.

Diante desta conjuntura, que tática escolheremos? Aquela que denuncie e ajude a destruir a máquina sindical oficial, hoje materializada na CUT, ou a conciliação com esta importante máquina de domesticação do movimento sindical, a serviço do governo Lula e do imperialismo? Cinco anos já se passaram desde a fundação da Conlutas, quando a vanguarda do movimento sindical reconheceu que todas as centrais existentes não serviam aos interesses e objetivos da classe trabalhadora e identificou a falência da CUT. Pautados nesta constatação, os militantes que hoje integram o Coletivo Marxista defenderam e defendem a consolidação da Conlutas como uma central sindical, capaz de responder aos desafios impostos pela conjuntura, fazer avançar o nível de consciência da classe trabalhadora e promover sua necessária e concreta unificação.

Transformaremos a atual estrutura sindical brasileira sem apresentar uma clara proposta organizativa que se configure como um meio de atingir a classe operária e permita a desconstrução das ilusões que ainda deposita no governo Lula? Como fazer a ponte entre o movimento sindical e a massa trabalhadora reunida nos centros de produção? A diluição das lutas ou a tentativa de unificação artificial de lutas isoladas em uma conjuntura de descenso bloqueia a combatividade do processo de reorganização do movimento sindical e da esquerda. Ontem e hoje, a tarefa central do movimento sindical é organizar o proletariado e construir sua autonomia, com objetivos de luta independentes.

Quando a Conlutas, já no nascedouro, incorre em erros de conciliação, autoritarismo, aparelhamento e subordinação do movimento sindical a imediatistas interesses e acordos parlamentares e institucionais, comprova-se que não é uma simples mudança de forma organizativa que impedirá o aparelhamento e a burocratização de qualquer organização. O que impede a burocratização é, e sempre será, a construção de um programa classista e revolucionário de lutas para a classe trabalhadora.

Políticas de aliança rebaixada com inúmeros setores governistas como a Articulação Sindical/PT e Corrente Sindical Classista/PCdoB foram promovidas como regra geral nas mais variadas lutas no período recente pelos setores majoritários da Conlutas. A massa de trabalhadores tem, portanto, direito de se fazer a correta pergunta: por que, então, romper com a CUT? Ou, ainda: é assim que construiremos uma alternativa à Central pelega?

A majoritária da Conlutas também errou e erra quando não observa a dinâmica da luta de classes e aposta num pragmatismo “racional e maduro”, propondo que as massas devem “fazer suas próprias experiências”. Exime-se, assim do seu necessário papel de vanguarda, se colocando a reboque do movimento de massas! Tais políticas nos levaram a não concretizar a construção de uma real alternativa de organização para a classe trabalhadora, capaz de colocá-la à altura de enfrentar os enormes desafios que agora se apresentam. Construir uma plataforma concreta de lutas que se enfrente com o capital e o governo Lula, organizar um dia de paralisação nacional, defender como propaganda a palavra de ordem de greve geral são plataformas concretas para a construção de uma real alternativa organizatória e para construção da unidade em marcos classistas e proletários.

Pelo fortalecimento classista da Conlutas!
Nem um passo atrás na reorganização do movimento sindical!
Pela Construção de um dia de paralisação e lutas!





Educação pública no RJ:
Ataques privatizantes e a necessária resposta dos trabalhadores



As redes municipal e estadual de educação do Rio de Janeiro têm sido alvos de avanços cada vez maiores da ação de grandes empresários e oportunistas no período recente. O Estado e o serviço público são utilizados de maneira a servir aos interesses da iniciativa privada e sua busca pela expansão das taxas de lucro. Num momento histórico de crise econômica, é uma nova fronteira – necessária à continuidade da expansão do processo de acumulação capitalista – que se abre. Por outro lado, os trabalhadores, em geral, pouco se movimentam para construir uma alternativa de resistência concreta ao que está sendo imposto pelos governos, agentes políticos dos capitalistas.

A lei municipal 5.026/2009 regulamenta a gestão e exploração por ONGs de creches municipais e do reforço escolar realizado nas escolas. Isto significa, na prática: transferência de recursos públicos para empresas, exploração da estrutura estatal para reprodução de capital e oportunidade para o fortalecimento dos líderes políticos locais da cidade.

Os acordos estabelecidos entre a Prefeitura do Rio/SME e ONGs, como o Instituto Ayrton Senna, demonstram que o dinheiro que há nos cofres municipais é prioritariamente revertido para instituições e empresas privadas, assim como ocorre no governo do Estado do Rio, outra parte da tríade Lula, Cabral e Paes. Tudo isto acompanhado pela promoção de Paes e Costin pela grande mídia como os “salvadores da ordem” no Rio e na Educação. A medida evidencia que há dinheiro, mas a questão que se deve perguntar é: para quem?

Na rede estadual, os trabalhadores convivem com um profundo arrocho salarial. O governo estadual utiliza a crise como desculpa para não aprovar aumentos para os trabalhadores da educação, ao passo que transfere verbas públicas para empresas privadas através de seu “projeto de informatização da educação” – o caso mais emblemático foi a compra de 31 mil notebooks a preço superfaturado.

O arrocho salarial do funcionalismo público estadual é escandaloso frente à constatação de que a economia do Estado cresceu mais do que em anos anteriores e que os gastos com o funcionalismo público diminuíram. Os recursos necessários para melhorias salariais existem, mas são utilizados para transferência de verbas para empresas por meio da “informatização”.

Para lutar contra a atual conjuntura imposta pelos governos aliados à burguesia, precisamos do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação, o SEPE-RJ, voltado à organização dos trabalhadores na base, e não engessado na burocracia e priorizando reuniões com as autoridades do executivo e do legislativo.

Os professores e todos os profissionais de educação precisam assumir a dianteira na luta pela educação e batalharem sim pela transformação significativa da educação e da sociedade como um todo. Somente a superação do capitalismo pode criar condições para que a educação desenvolva-se de modo livre das pressões do grande capital e seus agentes políticos.




Avançar nas lutas do movimento estudantil:
Derrotar a UNE e criar a Coordenação Nacional dos Estudantes





O momento de crise econômica do capitalismo impõe um conjunto de tarefas históricas não apenas aos trabalhadores, mas também à juventude brasileira. O acirramento dos ataques, a retirada de direitos e as tentativas da burguesia de imputar o custo da crise aos setores oprimidos verificam-se no cotidiano de estudantes em todo o país. Nesta conjuntura, torna-se ainda mais urgente que o movimento estudantil seja capaz de avançar em seu processo de reorganização, superando os obstáculos que se colocam para a consolidação de suas lutas e protagonizando mobilizações capazes de garantir seus direitos e avançar nas conquistas em torno a um projeto de educação público, gratuito e comprometido com os interesses do proletariado.


As conseqüências imediatas da crise para a educação são gritantes: o já deficitário orçamento do Ministério da Educação sofre um significativo corte de 10%, que atinge em cheio as universidades públicas durante o processo de implementação do Reuni. Nas universidades pagas, as mensalidades não param de aumentar, enquanto professores e funcionários são demitidos e o BNDES destina verbas públicas para socorres os lucros dos empresários da educação. Complementarmente, empresários do setor cultural buscam manter seus lucros patrocinando um violento ataque ao direito à meia-entrada, e formulam um projeto de Lei que a restringe de duas formas: estabelece uma cota de 40% para ingressos de eventos culturais e impõe a volta do monopólio das carteirinhas da UNE/UBES, medida apoiada pelas entidades governistas e traidoras dos estudantes.



Governo Lula e seu diferencial: UNE é obstáculo para as lutas!




Sabemos que a implementação e a sustentação do capitalismo neoliberal no Brasil é garantida e facilitada na atual conjuntura pela figura de Lula, que conta com sustentação e penetração nos movimentos sociais. Diferente dos governos tradicionais da burguesia, o governo Lula/PT consegue implementar com mais facilidade os ataques à classe trabalhadora e à juventude pelo fato de estar ideologicamente identificado com os setores oprimidos do país e contar com importantes aparatos de sustentação nos movimentos sociais. No caso do movimento estudantil, o governo Lula conta, desde que foi eleito e iniciou a implementação da Reforma Universitária, com a UNE como sua fiel aliada para defender os interesses privados e atacar a educação pública. A entidade parasita entre a juventude, legitimando as políticas neoliberais de Lula/PT e tentando impedir que as mobilizações do movimento estudantil se choquem contra o governo.


É esse o dado diferencial que coloca na ordem do dia para a juventude que deseja avançar em suas lutas a necessária tarefa de consolidação do processo de reorganização do movimento estudantil. É preciso compreender que a atual geração do movimento estudantil se depara com um momento de falência do velho e em que o novo ainda não está pronto. Trata-se, portanto, de criar sobre os escombros do velho a nova alternativa de luta para o movimento estudantil, compreendendo que o combate à UNE e a criação de uma nova entidade conformam um único e mesmo processo com as lutas que despontam em todo o país em patamares muito superiores aos dos últimos anos.




“É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem!”:


construir a Coordenação Nacional dos Estudantes


como uma nova entidade combativa para o ME






É preciso, portanto, que o movimento estudantil construa uma nova entidade pela base e supere a atual debilidade de seu processo de reorganização, refletida nas práticas aparelhistas, artificiais e apenas propagandísticas do setor majoritário que o reivindica, o PSTU. É preciso assumir a responsabilidade de imprimir ao dia-a-dia de nossa militância o conteúdo político da construção desta nova entidade, para que ela represente as lutas que travamos e unifique um programa para enfrentar a crise, defender a educação e avance na formulação de um projeto de universidade crítico e transformador.


A criação da Coordenação Nacional dos Estudantes (CNE) aparece como a necessária nova entidade estudantil que, surgida a partir do marco da definitiva falência da UNE, deve ser capaz de unificar o programa e as lutas do movimento estudantil. É preciso, aqui, reafirmar o importante debate sobre a ruptura com a UNE como um passo indispensável para a consolidação da CNE, fundamental para que a nova entidade se configure como um instrumento alternativo e qualitativamente diferenciado daquilo que a UNE representa. A recente experiência da Frente de Luta Contra a Reforma Universitária, culminando com a sua completa dissolução, demonstra que o momento exige de nós a criação de uma resposta organizativa muito superior a uma simples unidade em torno ao programa imediato de resistência aos ataques dos governos à educação e a configuração de um campo que se localiza “dentro e fora” da UNE.


A ruptura com a UNE para a criação da nova entidade não pode ser encarada, mais uma vez, como algo “menor” ou “dispensável”. Foi com esse programa coerente e combativo que militantes do Coletivo Marxista e estudantes independentes compuseram a chapa “Quem Vem Com Tudo Não Cansa” para as últimas eleições do DCE da UFRJ, ocorridas em maio, obtendo um vitorioso segundo lugar e a significativa marca dos 1.400 votos na universidade. O acerto do programa em sua profunda identificação com as lutas políticas imediatas e gerais dos estudantes foi comprovado nas urnas, consolidando a construção do novo movimento estudantil. É nesse sentido, identificada a necessidade histórica de construção de uma política para a superação da UNE, que propomos a ruptura com a entidade e a criação da Coordenação Nacional dos Estudantes como passo indispensável ao avanço das lutas do movimento estudantil brasileiro.






Mesa Redonda:


“Análise da Crise numa Perspectiva Marxista”




O Coletivo Marxista organizou no dia 23 de maio uma atividade para a necessária análise marxista da crise mundial do capitalismo. A mesa foi composta pela coordenadora de Movimento Estudantil, Leila Leal, pelo engenheiro Sérgio Antão, dirigente da Polop na década de 80, e pela professora da UFRJ e militante do Coletivo Marxista, Vera Salim.

Sérgio Antão Paiva iniciou o debate destacando que 80 anos depois da crise de 1929, vivenciamos uma nova crise mundial do capitalismo, tendo os EUA no seu epicentro, destacando que ela ocorre quando o mundo parecia imune às crises, em função da intervenção dos governos. Na sua intervenção, Sergio Paiva analisou as origens superficiais e estruturais da crise, evidenciando a estagnação nos países centrais, seus reflexos nos países periféricos, as perspectivas para a classe trabalhadora e finalizou discutindo a manutenção ou declínio do capitalismo.

A Professora da UFRJ e coordenadora de Movimento Sindical do Coletivo Marxista, Vera Salim, frisou que a uma análise de conjuntura devem corresponder táticas adequadas de luta. Se, ao analisar as características específicas do Brasil, reconhecemos que mais uma vez a tentativa da burguesia é fazer com que os trabalhadores paguem pela sobrevida do capital e que o governo Lula, o PT e a CUT são agentes da manutenção da ordem capitalista, como deve atuar uma vanguarda política? “Defender os trabalhadores é retirar as ilusões que ainda depositam no Governo Lula, é denunciar o papel da CUT e do PT e, mais, é criar novas organizações que possibilitam o avanço das lutas de classe e não a conciliação com o capital. Só assim estaremos construindo os caminhos para colocar as lutas de classe num novo patamar”, destacou.

Marxismo Militante - 1ª edição

Jornal do Coletivo Marxista – Ano I – Número 1 – Junho/2008







Unidade Proletária




1º Congresso da Conlutas deve avançar na consolidação de uma alternativa independente e classista






A criação da Conlutas em 2004, em Encontro Nacional amplamente vitorioso, foi um marco decisivo para a reorganização da esquerda brasileira, que em grande medida possibilitou a reorganização dos movimentos sindicais e sociais e a retomada das lutas de enfrentamento com o governo Lula e suas políticas neoliberais de ataque à classe trabalhadora. A Conlutas se constituiu em uma opção frente à falência da CUT, definitivamente transformada em um braço do governo dentro do movimento sindical e inimiga dos trabalhadores, e assim desempenhou papel indispensável para a reorganização do movimento e para a construção da retomada das lutas de massas.


Diante do 1º Congresso da Conlutas, está colocado para a entidade o desafio de consolidar-se como alternativa concreta para a classe trabalhadora brasileira, capaz de organizar e impulsionar suas lutas contra o governo e seus sustentáculos dentro do movimento social. Do ponto de vista do caráter e conteúdo das lutas a serem travadas, há um grande debate a ser feito. Apontávamos, desde o surgimento da Conlutas, como maior equívoco político a proposta de construção de uma unidade em marcos rebaixados com setores da CUT, da UNE e do PT. Os chamamentos a unidades dissolvidas foram erros sistematicamente apontados por nós neste período.


O grande diferencial do governo Lula, que o permite atacar a classe trabalhadora e aprofundar o neoliberalismo com mais facilidade e eficiência que os governos tradicionais da burguesia, é justamente sua sustentação e legitimação pelas entidades tradicionais do movimento, que atuam para frear as mobilizações e se enfrentam com o movimento independente e classista. É a partir daí que identificamos a necessidade de derrotá-las, junto ao governo, como condição fundamental para o avanço das lutas de classe e da consciência do proletariado brasileiro. O que justificaria, então, a construção de atos unificados com tais entidades, que só foram possíveis a partir da aceitação da condição – imposta pelos nossos inimigos de classe – de se abrir mão de todas as pautas políticas que atingissem o governo Lula?


É preciso, aqui, que façamos um sério e profundo debate sobre os marcos para a construção da unidade. De nosso ponto de vista, a unidade só é possível quando o movimento é capaz de identificar objetivos comuns e traçar ações unificadas para alcançá-los. Para além disso, se trata de nada mais do que “a violação da unidade sob os gritos da unidade”, já apontada por Lênin – trata-se, assim, da ruptura da unidade real da classe trabalhadora contra seu inimigo de classe em prol da construção da “unidade” impossível, sem pauta política, que se traduz, pura e simplesmente, como conciliação.


Estamos dispostos a discutir e construir em conjunto com todos os trabalhadores e trabalhadoras uma alternativa de classe para o proletariado, um instrumento capaz de unificar suas lutas e cumprir as tarefas históricas que se colocam para nós. E, para isso, é necessário avançarmos, e jamais retrocedermos, diante do que já construímos com muitas lutas até hoje, em direção à emancipação do proletariado e à superação revolucionária do capital. Avançar sob essa perspectiva será, justamente, a grande tarefa do 1º Congresso da Conlutas.




Construir a unidade proletária:
Perspectivas para o 1º Congresso da Conlutas



O debate sobre as perspectivas para o 1º Congresso da Conlutas passa, como dissemos, por um importante e fundamental debate acerca dos marcos políticos de construção da entidade, sobre suas orientações gerais e sobre o caráter que imprime às suas lutas cotidianas. Neste sentido, é essencial que façamos um balanço crítico sobre a orientação impressa à Conlutas por seus setores majoritários no último período, para que sejamos capazes de superar os erros cometidos e consolidar a entidade como uma alternativa concreta e de luta para a classe trabalhadora brasileira.


A construção da tão festejada “unidade” com setores governistas, em nossa avaliação, não passa de conciliação. Conciliação porque, para se construir, exige simplesmente que ignoremos a identificação de um objetivo comum. Se nosso inimigo é o governo Lula e nosso objetivo é derrotá-lo, não poderemos, em momento algum – a não ser que queiramos abandonar tal objetivo – deixar de enfrentá-lo para podermos construir “unidade” com aqueles que traíram a classe trabalhadora e querem exatamente o oposto de nós: defendê-lo, consolidá-lo como referência para a classe trabalhadora e garantir a implementação dos ataques neoliberais. Esta é a contradição central da conjuntura hoje, e é ela que deve nortear os marcos da construção da unidade.


Sobre a tão alardeada (pelos setores majoritários da Conlutas como justificativa para a construção de tal “unidade”) disputa das bases das entidades governistas, estamos certos de que só iremos trazer para o nosso lado a gama de trabalhadores e trabalhadoras que hoje ainda estão nas fileiras da CUT quando formos incisivos no combate às políticas da Central, e jamais ao reproduzi-las. Ou por acaso a classe vai compreender a necessidade de abandonar a CUT e construir a Conlutas quando a última fizer exatamente a mesma política que a primeira? É no combate à CUT e ao governo e consolidando uma alternativa completamente diferente na política e na forma que conseguiremos fazer avançar a consciência de tais trabalhadores.


Cabe ressaltar que aqui não nos referimos aos atos por pautas objetivas e concretas que por ventura, por conta de suas pressões e contradições internas, a CUT vier a participar. Obviamente, não deixaremos de participar de tais mobilizações. Obviamente, também, que o faremos com um conteúdo completamente diverso do defendido pela Central, que leve a luta às suas últimas conseqüências, aponte o caráter do governo como um todo, e, inclusive, denuncie o papel da entidade para frear o avanço das mobilizações – trazendo, assim, o debate da reorganização e da construção de alternativas de classe para o dia-a-dia das lutas.


Ao questionarmos os atos em unidade com o governismo, nos referimos, isso sim, aos atos de propaganda, sem reivindicações concretas, construídos pelo setor majoritário da Conlutas em conjunto com a CUT no ano passado, como o 23 de maio e a manifestação na abertura dos Jogos Pan-Americanos – cujas pautas políticas poupavam inteiramente o governo (e, mais do que isso, apoiavam seu “veto à emenda 3”) ao invés de combatê-lo. Essas são orientações inaceitáveis, que precisam ser definitivamente superadas pela concepção independente e classista que deve nortear a construção da Conlutas no próximo período.




Fusão com a Intersindical?

Nem um passo atrás na reorganização da esquerda!



Outro importante debate a ser travado refere-se à fusão com a Intersindical. Estamos certos de que a construção da unidade entre todos aqueles que querem lutar contra o governo e suas políticas é uma necessidade para o avanço das lutas de classe, e que a consolidação de uma entidade sindical passará pelo sucesso em construir tal unidade.


O que devemos ressaltar, sobre esse aspecto, é que a Intersindical se torna débil para responder as tarefas de reorganização do movimento sindical por aglutinar uma série de setores cutistas e, assim, estar impedida de consolidar uma alternativa independente e classista. Está claro que a construção de uma ferramenta que esteja à altura de cumprir seu papel histórico passa, necessariamente, pelo abandono e destruição da CUT como referência para o proletariado, e não pela “coexistência pacífica” com a central traidora.


Neste sentido, mantidos esses marcos, uma fusão da Conlutas com a Intersindical significaria um enorme retrocesso na construção do novo instrumento da classe trabalhadora brasileira. Significaria não apenas um, mas vários passos atrás no que se refere ao que a Conlutas já é hoje, no que construiu desde 2004 e nas deliberações do Conat de 2006, que apontavam claramente para a ruptura com a CUT. Significaria, assim, mais uma conciliação, mais uma diluição, mais uma negação em responder aos desafios colocados para a esquerda brasileira – política contra a qual nos colocamos frontalmente.



Nem um passo atrás na reorganização do movimento sindical:

consolidar a Conlutas como entidade para
derrotar o governo Lula/PT e suas políticas neoliberais!







Estrutura da Conlutas: responder
aos desafios da conjuntura



Precisamos, aqui, nos ater a uma importante preocupação: o debate organizativo da Conlutas, que reflete uma série de opiniões políticas e é essencial para a consolidação de uma entidade. Ao tratarmos dos métodos para a construção do novo, devemos estar atentos às tarefas que a esquerda como um todo precisa cumprir neste momento de reorganização. Isso significa que este processo deve se desenvolver a partir de uma caracterização precisa do estágio em que se encontram as lutas de classe a nível mundial e nacional, do nível de organicidade em que se encontra a classe trabalhadora, sobre quais são e, principalmente, por onde passam suas possibilidades de avanço.


Para tal, não nos serve avaliar a conjuntura tal qual queríamos que ela fosse, tal qual queremos que seja a curto ou médio prazo. Isso, obviamente, é também importante – mas apenas se combinado com a avaliação concreta da situação concreta, pois é daí que retiraremos nossas tarefas imediatas, tanto do ponto de vista político como organizativo. Isso significa que, para que a Conlutas possa cumprir seu papel na reorganização do movimento sindical brasileiro, precisamos ter clareza que ainda não vivemos um momento de unificação das lutas de classe no país. Esse é o desejo de todos os lutadores e lutadoras da esquerda brasileira, mas apenas isso não basta.


É justamente porque queremos que as lutas de classe se unifiquem no próximo período que precisamos impulsionar esse processo a partir do que temos de concreto, hoje, na conjuntura, e não tentar unificá-las artificialmente – o que só faz o processo retroceder. É neste sentido que não acreditamos que possam contribuir com o avanço da luta as propostas de transformar a Conlutas em algo parecido como um “soviet”, numa conjuntura em que a unificação das lutas ainda não está colocada.


É por isso que apontamos a necessidade de uma nova central sindical de trabalhadores e de uma nova entidade de representação dos estudantes, já que identificação de classe se dá por um entendimento real dos trabalhadores sobre o papel que representam nas relações de produção. Defendemos, obviamente, que trabalhadores e estudantes atuem em unidade contra o capital, resgatando a herança da unidade operário-estudantil. Defendemos, igualmente, a realização de fóruns amplos, que reúnam o movimento sindical, social e estudantil para a avaliação e organização de lutas conjuntas.


Mas isso não pode substituir a construção de organizações de classe e categoria, capazes de atender às necessidades específicas de cada movimento e, assim, fazer avançar o nível de consciência da classe trabalhadora e da juventude no fogo de suas lutas, rumo a uma real unificação do movimento. Se ignorarmos tal tarefa e tentarmos, artificialmente, unificar as lutas de classe apenas por nossa vontade, à revelia da conjuntura, estaremos construindo uma ferramenta superestrutural, na qual as necessidades específicas dos trabalhadores e da juventude serão objetivamente relegadas a segundo plano, assim como o avanço de suas consciências.



A realidade que queremos transformar:
uma análise de conjuntura do Brasil e do mundo




É preciso um programa proletário para
enfrentar a ofensiva do capital



Assumir, nos dias atuais, que o capital em nível mundial encontra-se em uma profunda dilaceração em suas formas produtivas e organizativas representa, no mínimo, um retrocesso só justificado pela ausência de aplicação do marxismo como método de análise e interpretação da realidade. A crise do setor imobiliário dos EUA, com quedas de 4,5% e 6,5% em seus lucros nos terceiro e quarto trimestres de 2007, é prova, sem dúvida, da desestabilização da economia estadunidense.


Dados gerais mostram que a economia como um todo foi abalada. O crescimento do Produto Interno Bruto caiu de 4,9% no terceiro trimestre para apenas 0,6% no quarto, contrariando até mesmo as previsões mais pessimistas – que variavam em torno de 1,2% de crescimento. Alarmante também é o crescimento da taxa de desemprego, que chegou a 5% em dezembro de 2007, o dobro do mesmo período do ano anterior e o crescimento da inflação, atingindo a maior taxa em 26 anos: o índice foi de 4,1% em 2007, contra 2,5% em 2006. Há também a redução dos postos de trabalho. O Departamento do Trabalho do governo dos EUA revela que no mês de janeiro foram fechados 17 mil postos de trabalho, a primeira redução no número de empregos desde agosto de 2003.


Fontes oficiais do governo e analistas econômicos da grande mídia apontam para uma rápida recuperação. A recuperação das bolsas, após as medidas paliativas anunciadas pelo governo norte americano, acontece enquanto o FMI anuncia a diminuição da previsão de crescimento mundial para 2008, mas insiste em afirmar que não haverá recessão, uma vez que a crise seria apenas financeira e não econômica. A crise mundial “dos alimentos”, que reflete a desestabilização do centro da economia mundial, já atinge muitos países, e é sentida também no Brasil.


Sabemos que o capitalismo é um sistema que enfrenta crises cíclicas, inerentes à sua própria estrutura. Sabemos, igualmente, que encontra formas de superá-las, reestruturando-se e assumindo novas facetas que adiam sua falência definitiva, mesmo que sejam incapazes de superar suas contradições fundamentais. Obviamente, os números atuais dos EUA apontam para uma recessão mais importante que a queda das bolsas. Ainda assim, a dimensão e a definição do caráter da crise – se se trata de uma crise conjuntural ou estrutural – certamente ainda se delineiam.



Lula e o aprofundamento do neoliberalismo no Brasil







Luis Inácio Lula da Silva é eleito presidente do Brasil num cenário de intensos ataques às conquistas dos trabalhadores e às suas organizações políticas e sindicais. A necessária implantação do projeto neoliberal para dar sobrevida ao capital é conseqüência direta de mais uma crise do capitalismo, quando a queda das taxas de lucro do capital mundial obriga a burguesia a abandonar o modelo de Estado de Bem-Estar Social e adotar uma estratégia de intensificação da exploração da mais-valia absoluta e relativa. Estratégia esta necessária para a reprodutibilidade do sistema, que impõe, mais uma vez, sacrifícios ao proletariado mundial e ao brasileiro.


Como sabemos, a implantação inicial deste projeto no Brasil coube especialmente aos governos Collor e FHC. No momento em que o próprio neoliberalismo começa a apresentar sinais de desgaste, cabe a um líder operário o aprofundamento e institucionalização do projeto neoliberal brasileiro. Assim, o papel de algoz da classe trabalhadora cabe a um líder sindical carismático que, por isto mesmo consegue, de forma mais eficiente do que qualquer representante clássico da burguesia, implantar as reformas necessárias à sobrevida do capital com menor pressão, enganando parte da classe trabalhadora e desmobilizando temporariamente o país. Transforma-se, assim, Luis Inácio Lula da Silva numa eficiente e descartável marionete da burguesia e do capital financeiro, que chama Bush de companheiro – e, mais do que isso, sustenta sua política internacional: prova disso é o escandaloso envio de tropas militares brasileiras para oprimir e sustentar a exploração do povo haitiano e dar suporte à invasão dos EUA ao Iraque.


A política desenvolvida por Lula e pelo PT representa e representava, desde seu início, uma continuação das políticas burguesas desenvolvidas no país. Este eficaz comitê gestor da economia e da política burguesas tem como uma das suas especificidades históricas o fato de se encontrar ancorado em um líder sindical como presidente e em um partido e entidades (PT, CUT, UNE) que, de uma forma ou de outra, detinham significativo poder de representação, dificultando enormemente a retomada das lutas contras as reformas neoliberais e o trabalho de reorganização partidária, sindical e estudantil no campo da esquerda.


Diante dessa realidade e com uma série de debilidades, se inicia um processo de reorganização do movimento operário e estudantil ainda no primeiro mandato de Lula, mas os ataques do governo são implementados com relativa facilidade. No primeiro ano do segundo mandato do governo Lula, as denúncias de corrupção se tornam rotina, demonstrando mais uma vez e claramente a deterioração do PT e a conivência e apoio da CUT a toda política neoliberal, incluída aí a corrupção como uma de suas manifestações. Em rápidos e sucessivos intervalos ocorrem denúncias, crise, apreensão no poder e rápidas recuperações. A aceitação do governo oscila, mas se mantém em alta, resultado dos programas assistencialistas, da parceria com a Rede Globo, do apoio do capital financeiro com lucros sempre crescentes e do bom desempenho da economia na ótica burguesa.


De toda forma, observa-se que o governo já apresenta uma dificuldade maior para implementar suas reformas e a política neoliberal como um todo. Depois de fortalecer-se no ano eleitoral (quando freou alguns de seus ataques e mobilizou mesmo parte da esquerda, que já não acreditava mais no projeto do PT, com a falsa polarização com a direita tradicional representada pelo PSDB), o governo volta a atacar logo no primeiro ano do segundo mandato e encontra uma resistência mais organizada por parte da esquerda. Ainda que tal resistência não tenha sido capaz de barrar objetivamente muitos dos aspectos da política do governo Lula, o enfrentamento se deu em níveis superiores, colocando maiores obstáculos aos ataques neoliberais e refletindo o avanço do processo de reorganização da esquerda brasileira.


Lamentavelmente, foi exatamente nesse momento de maior desgaste do governo e seus apêndices que observamos a opção, por parte das correntes hegemônicas na esquerda (PSTU e PSOL), de voltar a organizar mobilizações - com eixos políticos rebaixados - lado a lado com aqueles que representam a burguesia no movimento social, o que impediu que a reorganização avançasse ainda mais.



Quem é o Coletivo Marxista?



O Coletivo Marxista é uma organização revolucionária surgida em 2006, que defende a Revolução Socialista, operada pelo proletariado, como único caminho para a superação do capitalismo e todo o estado de coisas em que vivemos, em direção ao comunismo. Queremos uma sociedade livre de todo tipo de exploração e opressão, uma sociedade sem classes, e entendemos que a luta para sua construção deve ser protagonizada pela classe trabalhadora, profundamente orientada pela independência de classe em relação à burguesia e suas instituições, tais como a democracia burguesa e o parlamento.


Entendemos que a especificidade histórica da Revolução Socialista instala a teoria como arma indispensável à sua própria viabilidade. Diferente dos processos históricos que a precedem, a Revolução Socialista se coloca como tarefa não apenas substituir uma classe por outra no poder, mas sim de exterminar as bases sociais – a propriedade privada dos meios de produção e a divisão social do trabalho – da exploração e da própria existência das classes sociais.


Esta especificidade da Revolução Socialista implica o estabelecimento de uma meta futura, de natureza abstrata. Tal meta exige ser pensada, e só pode ser pensada, em termos abstratos, teóricos portanto. O proletariado terá que tomar o poder político para instalar novas relações de produção e desenvolver forças produtivas em direção ao comunismo, terá que instalar uma sociedade nova e para tal precisa formar-se a partir da teoria revolucionária.


Nossa teoria é o marxismo. É sobre os alicerces teóricos do materialismo dialético e do materialismo histórico que produzimos o nosso conhecimento da realidade e nossas políticas para revolucionar esta realidade. É neste sentido que nos orientamos pelo fio condutor trazido ao Brasil por Eric Sachs, fundador da Organização Revolucionária Marxista Política Operária, a Polop, a partir da tradição de independência formulada pela Oposição Comunista Alemã, a KPO: cada nova revolução é uma fonte de novas experiências e exige um papel criador de sua vanguarda. Devemos nos apropriar das experiências revolucionárias anteriores compreendendo o que têm de específico e o que têm de geral como contribuição para a luta do proletariado mundial. Mas sem apegar-se ao espírito messiânico que prevê esquemas mecânicos e pré-concebidos da Revolução.


Não nos consideramos donos do marxismo. Ninguém o é. Mas julgamos possuir a legitimidade política para impor-nos a tarefa de contribuir para desenterrar o marxismo como uma força revolucionária viva, única força capaz de instrumentalizar a concretização do sonho libertário comunista. E convocamos todos e todas que compartilham deste sonho a discutir conosco, enriquecendo nossas contribuições na experiência da luta de classes, em direção à Revolução Socialista e à construção do comunismo.


Junte-se ao Coletivo Marxista na luta por uma sociedade sem classes!



Movimento Estudantil: quem disse que sumiu?



A retomada das mobilizações evidencia a necessidade de construção
de uma alternativa capaz de unificar o movimento






Em maio de 2008, em diversos momentos pudemos recordar e trazer à tona as comemorações dos 40 anos de um período extremamente significativo para as lutas estudantis, ao lado da classe trabalhadora, a nível mundial. A ousadia, a coragem, a combatividade e a jovialidade dos estudantes são características essenciais para vislumbrarmos uma organização coletiva que se choque com a ordem vigente e fortaleça a luta para a construção de uma nova sociedade.


O ano de 2007 foi, sem dúvida, um marco para o movimento estudantil brasileiro. A retomada das lutas em patamar significativamente superior aos últimos anos, que recolocou o ME na cena política nacional, exige da esquerda um profundo e responsável balanço. Para além do super dimensionamento e da agitação esvaziada, que exalta vitórias a qualquer custo, devemos refletir sobre os avanços e limites do processo de lutas pelo qual passamos, para que tenhamos condições concretas de identificar nossas debilidades e avançar em sua superação.



Frente de Luta e a artificialidade da “unidade”



No final de 2006, surge a Frente Nacional de Luta Contra a Reforma Universitária, amplamente festejada pelos seus setores majoritários, PSTU e PSOL, como a “reconstrução da unidade no movimento estudantil”. No entanto, devemos fazer uma reflexão que dê conta de avaliar o conjunto das tarefas colocadas para o movimento estudantil brasileiro.


E o que representa a Frente de Luta nesse cenário? Por um lado, a óbvia explicitação da impossibilidade de se tocar qualquer luta por dentro da UNE e da necessidade de construção de novos instrumentos para organizar nacionalmente a luta do movimento estudantil. Por outro, um reflexo recuado, do ponto de vista político, de toda potencialidade desse processo. Justamente por basear-se em uma unidade artificial, que não corresponde a um entendimento comum das tarefas e necessidades do movimento estudantil, a Frente só se sustenta com a manutenção artificial de tal unidade. Isso impõe a todos os estudantes que participam de sua construção uma estrutura extremamente burocrática e limitadora do ponto de vista político, da qual o maior exemplo é o autoritário sistema de deliberações apenas por consenso.



2007: um balanço conseqüente da retomada do ME



É neste cenário de potencialidades, debilidades e indefinições que se desenvolvem as importantes lutas do último ano. A intensificação dos ataques ao sistema educacional, consolidada pela ofensiva do setor privado com sustentação dos governos, se manifestou através dos decretos do Governo Serra/PSDB nas estaduais paulistas, o Reuni de Lula/PT nas universidades federais e dos aumentos de mensalidades, demissões de professores e precarização das condições de ensino nas universidades particulares. O Movimento Estudantil, mais avançado em seu processo de reorganização do que nos primeiros anos do governo Lula/PT, conseguiu construir uma aguerrida resposta a tais ataques, que o recolocaram no cenário político nacional e alavancaram as lutas a um patamar superior às travadas nos últimos anos.


Exemplos disso foram as passeatas, greves e, principalmente, as ocupações de Reitoria que se espalharam por todo o país. No entanto, tais manifestações, que tiveram o mérito de fortalecer enormemente o movimento estudantil, ainda foram, em grande parte, insuficientes para garantir vitórias concretas e barrar os ataques à educação. A principal dificuldade enfrentada pelo movimento estudantil neste processo de lutas, que o impediu de atingir todas as suas potencialidades e alcançar vitórias concretas, foi, sem dúvida, a incapacidade de se conferir um caráter nacional às lutas. Por mais que tivéssemos, no auge do processo, diversas reitorias de universidades ocupadas simultaneamente, a luta ainda permanecia restrita às universidades, e não se unificou como uma única e mesma luta contra o governo. É daí que se depreende, claramente, a importância da construção de uma nova entidade para avançarmos concretamente em nossas lutas.



Construção de uma nova entidade: superar o “círculo vicioso” e avançar nas lutas




Mas como se dará a construção de uma nova entidade? Diversos setores do movimento têm argumentado, corretamente, que este não pode ser um processo artificial, superestrutural, que apenas crie uma nova direção para o movimento. É justamente por isso, para que este debate ganhe o dia-a-dia de nossas lutas, que não podemos abandoná-lo para construir “unidades” artificiais, em marcos rebaixados, que ignoram uma necessidade real do movimento estudantil e deixam a importante tarefa política da reconstrução de um movimento unificado nacionalmente “para depois”, um futuro abstrato e distante e, assim, impedem que as próprias lutas que estariam supostamente sendo “garantidas” e “privilegiadas” alcancem seus objetivos.


Defendemos, portanto, a construção de uma nova entidade pela base. Para isso, precisamos assumir essa tarefa e, mais do que isso, a responsabilidade de imprimir ao dia-a-dia de nossa militância o conteúdo político da construção desta nova entidade. Apenas assim ela surgirá do calor das lutas e não será artificial. Em 2008, será nossa tarefa central para a reorganização do movimento estudantil a construção de um grande Congresso, com tiragem de delegados em cada sala de aula do máximo de universidades públicas e privadas e colégios pelo país, a fim de discutir todas as pertinentes questões vivenciadas pelos lutadores no último período.


O Encontro Nacional de Estudantes, que é muito importante para dar um pontapé inicial neste debate, ainda não é suficiente para responder a todas as nossas necessidades. Precisamos de um congresso com amplo processo de construção pela base, com eleição de delegados que representem a realidade das lutas em cada estrutura do Brasil. O Congresso é imprescindível para impulsionar as lutas que alavancaremos no transcorrer do ano, para reunir e representar uma grande parcela do corpo discente de nosso país. Acreditamos, também, que o Congresso deve ser convocado com a preocupação de discutir os rumos e tarefas do movimento estudantil e, portanto, deve pautar o debate da criação de uma nova entidade nacional para o ME.


É importante que nos entendamos enquanto vanguarda de um processo em curso, e se não temos os estudantes convencidos de que é preciso construir um novo movimento e uma nova entidade estudantil, é nosso papel, nossa tarefa, nosso desafio elaborar e criar sólidos argumentos para convencer nossos colegas. Não solidificar esse processo é rumar para o caudismo, estar na retaguarda da reorganização dos estudantes, não na vanguarda. É possível sonhar, ousar, lutar e vencer, mas precisamos criar e recriar os instrumentos para atingirmos nossos fins.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Coletivo Marxista lança a 2ª edição do Marxismo Militante


Nesse mês de junho, durante o Congresso Nacional de Estudantes, na UFRJ, o Coletivo Marxista apresentou a 2ª edição de seu jornal, denominado Marxismo Militante.

Diante do cenário de crise estrutural do sistema capitalista, “Crise do capitalismo” é a principal matéria da edição, demonstrando a importância de que seja construída uma resposta política proletária e independente, por meio da organização de uma vanguarda de esquerda que possa impulsionar mobilizações da classe trabalhadora e apontar para a superação do capitalismo.

Enquanto diversos setores da esquerda têm retrocedido no processo de reorganização dos trabalhadores em nosso país, questionamos na matéria “Encruzilhada no Movimento Sindical”: construir a unidade proletária ou abandonar os princípios classistas? Nossa resposta passa pela construção de uma plataforma concreta de lutas que se choque com os agentes econômicos e políticos da classe dominante, ou seja, solidificar o enfrentamento ao capital e ao Governo Lula.

No Rio de Janeiro, a Educação Pública é alvo de ataques privatizantes. Os trabalhadores da Educação precisam de um sindicato atuante e combativo. O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE-RJ) deve retirar seu gesso burocrático e organizar os trabalhadores na base para lutar contra a tríade Lula, Sergio Cabral e Eduardo Paes. Um pequeno repasse sobre a atividade de formação realizada no dia 23 de maio também é apresentado nessa edição, relatando a mesa redonda “Análise da crise numa perspectiva marxista”, que contou com os palestrantes Sergio Antão e Vera Salim.

Romper com o velho e consolidar o novo é uma tarefa história da atual geração da juventude brasileira. A União Nacional dos Estudantes tem sido um obstáculo para as lutas estudantis e se coloca ao lado do Governo Lula/PT na implantação de suas políticas voltadas para os interesses da burguesia. Na matéria “Avançar nas lutas do Movimento Estudantil”, apresentamos um panorama para derrotar a UNE e criar a Coordenação Nacional dos Estudantes, uma nova entidade combativa surgida a partir do marco da definitiva falência do velho.

Por fim, em nossa sessão de formação, um importante resgate histórico da POLOP, de necessária abordagem de nossa herança teórica e de consideráveis contribuições de Eric Sachs é trazido pela matéria “A história e a contribuição da Organização Revolucionária Marxista – Política Operária”.

Adquira a 2ª edição do Marxismo Militante com quaisquer militantes do Coletivo Marxista. Solicitamos como contribuição solidária o valor de R$1,00 para que possamos prosseguir na organização das lutas, atividades e tarefas necessárias para fortalecer a militância classista e combativa e acumularmos forças para a transformação revolucionária do sistema capitalista e construir o socialismo.

Entre em contato conosco:
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(21)86779746 / (21)94502472