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sábado, 8 de março de 2014

Dia 8 de Março: dia de luta da mulher trabalhadora! Por uma unidade de esquerda!



Podemos ver a cada ano que passa, como o Dia Internacional da Mulher vem perdendo seu caráter de luta. Pouco se debate sobre sua origem, conquistas e caráter político, e o espaço para a construção de atos de rua e reivindicações de pautas especificas se tornou escasso. O processo de desconstrução do 8 de Março deu lugar a mais uma data “comercial”, apropriada para a vendagem de diversos produtos direcionados ao público feminino.

E o que mudou desde o 8 de março do ano passado? Com a chegada dos megaeventos e o aprofundamento dos seus efeitos nefastos para a classe trabalhadora, as mobilizações contra os aumentos das passagens de ônibus deram início a uma virada conjuntural no país. Entrou em cena a população nas ruas em grandes manifestações, lutando por transporte público de qualidade, por suas reais necessidades como saúde, educação, etc. E lá estiveram – e ainda estão presentes – milhares de mulheres, trabalhadoras e estudantes, somando às lutas também o seu repúdio à violência diária que jamais deixara de oprimi-las.

Neste 8 de Março de 2014, num momento em que o Brasil é entregue ainda mais aos empresários que lucram com os megaeventos, celebramos a presença da mulher combativa nas ruas. Celebramos o heroísmo e a resistência das mulheres trabalhadoras e da juventude. Mulheres em dupla e tripla jornada de trabalho, chefes de família, excluídas das universidades, alvos de violência doméstica, de opressão, de discriminação, de assassinatos e de demais sintomas da barbárie imposta pelo sistema capitalista. Nesse momento se torna ainda mais importante incentivar a participação das mulheres na vida política, nas lutas do dia-a-dia!

Com o avanço de consciência da classe trabalhadora é papel fundamental desta pôr fim às opressões, desde as mais “naturalizadas” até as mais gritantes. As mulheres e as bandeiras do combate às opressões devem estar desde já nas nossas fileiras.

Essa compreensão significa um grande passo para a organização da classe trabalhadora e para a superação das opressões, mas sabemos que só a superação do sistema capitalista trará para a mulher a igualdade de que tanto falamos. Para isso, nossa unidade deve se dar a partir das organizações e entidades realmente combativas e que representam a esquerda brasileira, e isso não passa por construir marchas com setores governistas – como PT, CUT, UNE, etc. – que em nada podem servir aos interesses históricos da mulher trabalhadora e da classe como um todo.

Neste 8 de Março de 2014, nosso grito de unidade parte da garganta das mulheres trabalhadoras brasileiras que, lutando por terra, moradia, educação e saúde, são o símbolo de coragem e esperança de transformação deste Brasil numa sociedade igualitária e livre da opressão.


Viva a mulher trabalhadora brasileira!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Avaliação do XXIX Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia

XXIX Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia
Universidade Federal de Pernambuco
Avaliação do Coletivo Marxista

Reorganizar o Movimento Estudantil de Pedagogia
a partir das Lutas



Entre os dias 19 e 25 de julho, cerca de 1.300 estudantes de Pedagogia estiveram reunidos na Universidade Federal de Pernambuco para participar do XXIX ENEPe, cujo tema foi “Educação e Periferias: disciplinamento, controle e resistências”. Desde 2007, o Coletivo Marxista participa do Movimento Estudantil de Pedagogia, estando presente no Fórum Nacional de Entidades de Pedagogia (FoNEPe-USP), no XXVIII ENEPe (UFES) bem como mobilizando lutas no dia-a-dia das Universidades e atuando nos Centros Acadêmicos. Um balanço comprometido com a reorganização que aponte as perspectivas para os próximos meses é extremamente necessário.

Da construção política do ENEPe


O método utilizado para as escolhas acerca do tema, programação, palestrantes e estrutura, destina à sede do evento todo o poder de decisão e precisa ser revisto. Com a desarticulação organizativa e estrutural da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) nos últimos meses, ficou limitada a contribuição de diversos Centros e Diretórios Acadêmicos para a construção política do ENEPe, na qual deveria estar congregada a pluralidade de opiniões daqueles e daquelas que têm organizado as lutas em suas instituições e a tarefa de dialogar com o corpo discente presente no espaço a partir da realidade concreta de nosso cotidiano. O objetivo do Encontro deve apontar para o amadurecimento das discussões políticas e auxiliar nos debates que apresentem as perspectivas de mobilizações, lutas, posições políticas e atividades da ExNEPe, cujo espaço de deliberação é a Plenária Final. Nesse quesito, o eixo temático, a grade da programação e a escolha dos palestrantes desencadearam mais retrocessos do que avanços, que culminaram com nossa posição apresentada de, por exemplo, acertadamente unificar as mesas antes fragmentadas de Educação Básica e Ensino Superior.

Diante dessa avaliação, é necessário que o Movimento Estudantil de Pedagogia (MEPe) possa reavaliar o método atual e elaborar um Fórum decisório que congregue CAs, DAs e Executivas Nacional e Estaduais com direito a voz e voto para construir os seus espaços nacionais.

Outro debate importante nesse tópico é um vício que precisamos superar: o privilégio de mesas com palestrantes em detrimento de espaços como grupos de discussão. Defendemos a existência de espaços gerais onde palestrantes possam contribuir politicamente com os debates que precisamos travar; porém acreditamos que devamos intermediar tais espaços com discussões em pequenos grupos, onde mais estudantes possam se pronunciar, questionar, criticar e levantar propostas que visem o fortalecimento do Movimento Estudantil. Até mesmo porque deve ser através desses grupos que as propostas direcionadas à Plenária Final sejam apresentadas, discutidas e encaminhadas.

Para finalizar, duas outras questões devem ser refletidas. É interessante que a programação do evento não fique inchada de atividades e que haja nos eventos espaços livres para possibilitar que as delegações se reúnam e avaliem sua participação, que os campos políticos e movimentos possam apresentar suas contribuições ao MEPe, bem como espaços formalmente apresentados na programação para: (a) reunir os Centros e Diretórios Acadêmicos e as Executivas para discussões políticas e auxílio no bom andamento organizativo; e (b) articulações regionais para organizar os Estados e seus respectivos encontros e atividades.


Do turismo ao machismo, passando pela despolitização. Para além da culpabilização ou da naturalização, optar pela reorganização.


Devemos ser científicos ao analisar a totalidade dos problemas ocorridos no XXIX ENEPe. Em vez de naturalizarmos tais fatos ou culpabilizarmos bodes expiatórios, precisamos apontar alternativas que superem a atual despolitização e caminhem firmemente junto ao processo de reorganização da juventude brasileira.

É válido lembrar que nosso país passou por um processo de lutas pela redemocratização na década de 1980 após anos sob a ditadura empresarial-militar. Após esse período, o primeiro presidente, entretanto, é o mesmo que hoje se encontra envolvido na crise do Senado (José Sarney). Seu sucessor, Fernando Collor, inicia o processo de implementação do modelo neoliberal para favorecer os interesses dos setores dominantes e do imperialismo, intensificado pelo tucano Fernando Henrique Cardoso e atualmente pelo petista Lula. Além de precarizar as políticas públicas para Educação, Saúde e Segurança, o neoliberalismo incentiva a busca individual pela superação dos problemas, exacerba o umbiguismo e visa propagandear a vitória final do capitalismo.

Junto a tudo isso, a juventude, geralmente mais contestadora e com mais energia para as lutas, é embriagada. Por meio de novelas, músicas opressoras, reality shows, um convite à naturalização da divisão da sociedade em opressores e oprimidos está ao nosso alcance a cada hora, a cada minuto. Não bastasse essa realidade, a maior e mais representativa entidade estudantil de outrora – a União Nacional dos Estudantes (UNE) – inicia seu processo de burocratização, aparelhamento e afastamento das lutas. Desde 1991, a União da Juventude Socialista (UJS), ligada ao PCdoB, garante através de fraudes, manobras e malabarismos a sua hegemonia político-burocrática à frente da UNE, direcionando o auge de seus Congressos para festas e shows com artistas famosos, ao passo que os espaços de discussão política são cada vez mais sucumbidos ou diluídos atualmente em palco para presidente, senadores, deputados ou reitores. Ou seja, nossa principal referência de lutas e politização há um tempo se encontra a serviço do Governo Lula e das Reitorias que implementam projetos como a Reforma Universitária, o REUNI e o “novo” ENEM, atacando a educação pública. Se está ao lado de um Governo que garante milionários lucros para banqueiros, latifundiários e empresários, a UNE está contra a classe trabalhadora e contra a juventude aguerrida, que a partir de 2007 vivencia um processo de retomada das lutas, ocupando reitorias, construindo campanhas, passeatas e greves para defender a educação pública das garras desses que pretendem consolidar a educação enquanto mercadoria!

A partir desse quadro, precisamos identificar problemas e equívocos difundidos no XXIX ENEPe.

(1) Distribuir preservativos entre os materiais da inscrição é uma prática acertada. A liberdade de se relacionar homo e/ou heterossexualmente deve ser preservada e devem ser prevenidas a gravidez indesejada e o contágio de doenças sexualmente transmissíveis. Um guia turístico que apresente a história, a cultura, as tradições de luta existentes na cidade também é interessante, mas deve ser realizada uma política de passeios a esses espaços que não onere a participação nas atividades do evento, o que infelizmente ocorreu com o turismo exacerbado em Recife. É preciso sim criticar a inexistência de blocos e canetas para anotações de questões importantes que foram debatidas no evento, troca de contatos entre os estudantes etc. Como propostas, ficam a confecção de blocos e canetas com a logo ou o nome da própria ExNEPe, o que cria uma identificação com a entidade. Além disso, a ExNEPe deve incluir no panfleto com a programação os nomes dos palestrantes, de onde eles vêm mas principalmente formular cadernos de resumos dos principais debates temáticos.

(2) Tivemos inúmeros problemas com a alimentação. Primeiramente, devemos refletir: por que a UFPE não possui um Bandejão, o Restaurante Universitário? A política de assistência estudantil é limitada e isso deve estar na pauta de nossas lutas. A existência de Bandejões, com funcionários concursados, facilitaria a negociação, baratearia os custos e melhoraria a qualidade da alimentação e do atendimento. Infelizmente, no ENEPe, é preciso reconhecer que houve falhas gravíssimas na relação entre a Comissão Organizadora e a empresa responsável pela alimentação. Ter os estudantes bem alimentados ao longo do evento é essencial para a qualidade da participação. Um sério processo contra a empresa deve ser realizado e não aceitarmos silenciosamente que houve dias sem leite no café da manhã e estudantes almoçando cachorro-quente!

(3) Valores das Inscrições. O Movimento Estudantil deve se auto-financiar e estimular que as inscrições se voltem tanto para a garantia da estrutura do evento como da materialização da gestão da ExNEPe. Os CAs, DAs e Executivas Estaduais devem pensar a autonomia financeira, organizando rifas, pedágios, festas para arrecadar recursos bem como exigir o apoio de transporte das instituições. Porém, a Comissão Organizadora precisa ter flexibilidade e entender a realidade diversa existente em nosso país. A dívida oriunda de encontros anteriores precisa ser sanada realmente, mas também não podemos abrir mão da qualidade do evento em nome da mesma (como por exemplo na dificuldade declarada em levar palestrantes de estados distantes por conta dos gastos financeiros) e na inexistência de materiais para anotações no kit de inscrição!

(4) Durante o evento, o protagonismo de setores de luta possibilitou a reorganização do evento, criando as Comissões de Alimentação, Limpeza e Comunicação. O auxílio e a incorporação à Comissão Organizadora devem fazer parte da programação do evento (por meio de reunião entre Executivas, Centros e Diretórios Acadêmicos), acrescentando uma Comissão de Disciplina, que tenha uma política para acordar de maneira lúdica e tranqüila os participantes e também mobilizar para a participação nos espaços do evento; uma Comissão de Alojamento, que deve prezar pelo silêncio entre 23h e 07h para o descanso dos participantes; e uma Comissão Cultural, que formule as atividades noturnas para entreter e integrar.

(5) Atividades culturais devem ser espaços para integrar, entreter, sem prejudicar o andamento do evento. Ou seja, precisa ser pensado um teto de término e principalmente não pode se voltar a uma festa alienada, opressora e acrítica. É preciso sim reconhecer o equívoco do leilão de homens durante a Malicious Party, criticar qualquer prática de opressão ocorrida, seja machista, homofóbica ou racista (e não naturalizá-la como alguns estudantes fizeram, argumentando que são corriqueiras tais práticas) e refletir para estabelecer uma superação, uma transformação nas nossas relações culturais alinhadas às necessárias transformações sociais. Tais discussões podem e devem se interligar aos eixos temáticos de nossos encontros e inserir-se em nossas lutas!

(6) Poderíamos argumentar que a chuva atrapalhou, mas seria uma análise simplista. A não ocorrência de um Ato Público e de uma construção coletiva do eixo temático do mesmo é o reflexo do esvaziamento político e da pouca participação. É imprescindível que sejam realizados Encontros Estaduais nos próximos meses bem como o fortalecimento de pré-ENEPEs organizados pelos CAs, DAs e Executivas. No ENEPe foram aprovadas apenas as Executivas Estaduais de Minas Gerais e do Ceará, demonstrando nossa desarticulação.

(7) Um dia antes da Plenária Final, havíamos proposto que fossem digitadas e fotocopiadas todas as propostas apresentadas nos Grupos de Discussão Temática, que deveriam ser distribuídas para facilitar a leitura, acompanhamento e intervenções dos participantes com destaques e contribuições. Infelizmente, a Comissão Organizadora não acatou nossa proposta, informando que não seria necessário, pois haveria datashow para exibição das mesmas. Devido aos problemas relacionados ao datashow, a Plenária Final sofreu um atraso de quase quatro horas, impossibilitando a participação de diversas delegações que tiveram de partir após o horário do almoço, prejudicando dessa maneira a possibilidade de decisão sobre os posicionamentos da Executiva e também das sedes do FoNEPe e do ENEPe. Não bastasse o atraso e também a incerteza da hora em que a Plenária Final se iniciaria, a inexperiente condução da mesa estava extremamente confusa, ocasionando atitudes autoritárias e dificuldades de compreensão dos participantes.

(8) As candidaturas de Itaberaba e Brasília para sediar o próximo ENEPe bem como de João Pessoa e Belo Horizonte para o FoNEPe careceram de fundamentação política, estrutural e organizativa. O MEPe precisa amadurecer a ponto de que projetos de candidatura sejam construídos ao longo da gestão da ExNEPe, indicando entidades que apóiam, integrantes que já se comprometem com a Comissão Organizadora, fotos das condições para alojamento, alimentação e locais das atividades etc. e apresentados na Plenária Final para apreciação e posterior deliberação dos estudantes de Pedagogia. Voltamos a ressaltar a importância de que o eixo temático, programação e palestrantes sejam discutidos coletivamente em fórum com participação da ExNEPe, Executivas Estaduais, Centros e Diretórios Acadêmicos. Tanto a proposta de “Educação e Militância” como a “Políticas Públicas para a Educação Básica” foram lançadas de maneira solta, com limitadas fundamentações teóricas. A equivocada prática de levar as pessoas para votar nas sedes e esvaziar a plenária durante o espaço de discussão dos posicionamentos políticos e plano de lutas novamente foi constatada. Mais de duzentos estudantes participaram da escolha da sede do ENEPe, enquanto menos de oitenta acompanharam os debates políticos de conjuntura, Movimento Estudantil, Educação, Opressões etc. É válido ressaltar que mais de mil e trezentos estavam inscritos no ENEPe.

(9) Várias discussões esvaziadas e picuinhas pessoais através de denuncismos e descaracterizações políticas têm acompanhado os últimos anos do MEPe. No nosso entendimento, tais práticas não colaboram para o avanço das lutas e da reorganização e prejudicam a renovação dos quadros políticos ao confundir deliberadamente e afastar novos estudantes que iniciam sua participação.

(10) Para não dizer que não falamos das flores. A participação do Coletivo Marxista propiciou no Grupo de Discussão Temática o debate sobre temáticas extremamente pertinentes no atual cenário nacional, tanto que a maioria das resoluções apresentadas e (muitas) aprovadas na Plenária Final referentes à conjuntura, à Educação e à reorganização do Movimento Estudantil foram levantadas pela nossa militância. Apesar do esvaziamento quantitativo da Plenária, a qualidade das discussões a partir das defesas e contrariedades às propostas esteve presente. Eis abaixo o que apresentamos:

- Contra o Governo capitalista e neoliberal de Lula/PT (aprovada por consenso);
- Não às demissões e reduções de salários e direitos. Os trabalhadores não pagarão pela crise (aprovada por consenso);
- Pela construção de uma resposta política classista e anti-governista à crise do capitalismo (aprovada por consenso);
- Não à utilização do dinheiro público para salvar empresários e banqueiros (aprovada por consenso);
- Pela retirada das tropas militares brasileiras do Haiti (aprovada por contraste visual);
- Não à Reforma Universitária neoliberal de Lula/PT e revogação dos pontos já aprovados, como Programa Universidade Para Todos, SINAES/ENADE; Decreto das Fundações etc. (aprovada);
- Contra o Plano de Desenvolvimento da Educação do Ministro Fernando Haddad (aprovada por consenso);
- Pela revogação dos Decretos 6095/07 e 6096/07 (IFET e REUNI) e em defesa de uma expansão de qualidade (aprovada por consenso);
- 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Educação! (aprovada por consenso);
- Por uma Universidade pública, gratuita, laica e a serviço do proletariado (aprovada adicionando “de ensino presencial”);
- Pelo livre acesso às Universidades e pelo fim do vestibular. Contra o novo ENEM (aprovada);
- Pela redução das mensalidades nas instituições privadas e pela estatização das mesmas (aprovada, fragmentando-se em duas diferentes);
- Em defesa do Passe livre no sistema de transportes (aprovada com modificações);
- Em defesa da Assistência Estudantil de Qualidade: creches, bandejões, alojamentos e bolsas! (aprovada por consenso);
- Contra a restrição do direito à meia-entrada e contra a volta do monopólio das carteirinhas pela UNE (aprovada por consenso);
- Aprofundar o processo de reorganização do Movimento Estudantil e avançar na construção de uma nova entidade estudantil pela base a partir da ruptura com a UNE. Ter uma posição de autonomia em relação à ANEL, não se comprometendo com sua política. (rejeitada);
- Posição de repúdio à Reitoria da UFPE pela ausência de apoio político à realização do ENEPe (aprovada).

Foram posicionamentos importantíssimos que situam a ExNEPe ao lado da classe trabalhadora, defendendo a Educação Pública, ratificando-a no campo da esquerda ao opor-se ao Governo de Lula/PT e a permanência do não reconhecimento da UNE enquanto entidade representativa dos estudantes.


Essa avaliação tem como objetivo estimular as melhorias para o Movimento Estudantil de Pedagogia. O combate ao turismo exacerbado, à despolitização, às opressões deve ser prática constante da militância. Não resolveremos tais problemas por meio de punições como expulsão do evento tampouco com o critério de carimbar crachás para ver quem terá 75% de participação nas atividades.

É aí que se encontra nosso maior desafio. A juventude brasileira precisa de novas referências, de novas concepções, de novas perspectivas. Como acreditamos que o novo sempre vem, a superação do velho passa por derrotar os agentes de um sistema opressor, cruel e desigual em que vivemos. Hoje, é preciso lutarmos contra o Governo Lula/PT e também contra seus braços entre os jovens: a União Nacional dos Estudantes. Portanto, urge que fortaleçamos a participação coletiva e reconheçamos o papel que possuímos enquanto vanguarda, atuando nos Centros e Diretórios Acadêmicos, Diretórios Centrais de Estudantes e também na própria Executiva de Estudantes de Pedagogia. A reorganização do Movimento Estudantil de Pedagogia deve caminhar lado a lado com a reorganização do Movimento Estudantil Geral. Defendemos que seja aprofundado o processo de reorganização e que avancemos para construir uma nova entidade estudantil pela base e a partir do marco político de ruptura com a União Nacional dos Estudantes.


“Sejamos realistas. Exijamos o impossível!” (Maio de 1968).
Brasil, 10 de agosto de 2009.
COLETIVO MARXISTA

domingo, 8 de março de 2009

Luta Mulher!!!

“A opressão do homem pelo homem iniciou-se com a opressão da mulher pelo homem."
(Karl Marx)


1.Breve histórico sobre opressão feminina

A dominação da mulher pelo homem tem sua origem a partir da necessidade de dominação do homem.
As tribos primitivas se organizavam coletivamente para o bem comum. Em tais tribos, havia divisão de trabalho por sexo, as mulheres cuidavam do setor financeiro e os homens ficavam responsáveis pela alimentação de todos os membros. Os dois trabalhos eram de igual importância.
Cuidar dos filhos não era uma função exclusivamente feminina, muito menos somente da mãe. Todos os membros da tribo eram responsáveis pela educação das crianças.
A partir dos sete anos, as crianças saíam com os adultos e os ajudavam na medida de suas forças. Sendo assim, cresciam conhecendo e construindo seu meio social.
Os casamentos eram coletivos, ou seja, havia um casal, porém tanto homens quanto mulheres podiam ter relações com os outros membros da tribo que não possuíssem o mesmo gen, predominante o da mãe.
Com o crescimento das tribos, ocorreram dois fatos que contribuíram para que a mulher se tornasse submissa.
O primeiro deles é que, com tal crescimento, os genes se entrelaçavam, tornando dificultosa a relação entre os membros de uma mesma tribo. Por esse motivo, implantaram-se as famílias sindiásticas, que consiste em uma relação unilateral onde a fidelidade da mulher era necessária, enquanto a infidelidade do homem era permitida.
Outro fator que contribuiu para a submissão da mulher foi a divisão do trabalho, em manual e intelectual no interior das tribos.
Os indivíduos responsáveis pelo trabalho intelectual foram dominando os responsáveis pelo trabalho manual, escravizando-os.
Com isso, torna-se fundamental a fidelidade da mulher, que era tida como objeto reprodutor, pois era necessário que o gene do pai, e não mais o da mãe, se sobressaísse para que as riquezas produzidas se mantivessem no interior das famílias.
Se antes, todos trabalhavam para que as riquezas produzidas fossem da tribo para a tribo, agora os esforços eram que as riquezas fossem do interior da família para o interior da família.
Dá-se então origem à família, nos moldes que atualmente vivenciamos, base do Estado.
Durante o período Feudal, as mulheres tinham funções de tamanha importância econômica e social. Elas também exerciam funções no campo, na manufatura, administravam o lar e cuidavam da reserva e preparação dos alimentos. Porém, pelo papel histórico, sempre submetidas aos homens.
Durante o século XV, segundo Simoni (2008), ocorreu uma grande e grave crise econômica, delimitando as tarefas da mulher ao lar, ou seja, cuidar da casa e dos filhos.
As cruzadas, no século XI, que visavam retirar Jerusalém da ocupação mulçumana, impulsionaram o comércio, devido ao fato de alguns indivíduos perceberem que poderiam lucrar com as atividades comerciais das mesmas, dando origem aos mercadores.

A configuração das cidades muda, e essas passam a ter maior poder econômico, gerando a crise do feudalismo e dando origem à burguesia.


Com a apropriação dos trabalhos realizados pelas mulheres no lar, como a fiação da lã, do linho, costura e panificação, a mulher pode dedicar-se ao trabalho fora do lar.

Porém, isso não se trata da emancipação feminina nem da classe trabalhadora, pois com a mulher no mercado de trabalho, aumenta a gama de explorados.

A Revolução Industrial é um marco que enfatiza a opressão feminina.

Com o cercamento dos campos, em prol das indústrias, diversas famílias foram obrigadas a irem para as cidades, e mulheres e crianças se viram obrigadas a trabalhar em fábricas.

Segundo Marx, em Salário, preço e lucro, apesar da mesma carga horária de trabalho, mulheres e crianças recebiam menores salários do que os homens, sendo vantajoso aos capitalistas contratar esse setor.

Isso ocorre porque o salário da mulher era tido pela sociedade como um complemento ao salário dos homens, pois era um dever do chefe de família o sustento do lar.

As cargas de trabalho nas fábricas eram de até dezesseis horas diárias, de segunda a Sábado.

Com isso, a família proletária é completamente comprometida.

As mulheres embriagavam seus bebês para que eles não chorassem durante essa longa jornada de trabalho, por vezes matando seus filhos.

A relação entre homem e mulher e o direito de amar se tornaram escassos.

Com todas as dificuldades, homens e mulheres se identificam como pertencentes de uma mesma classe, passando a ser companheiros de luta.

As lutas proletárias prosseguiram em prol e muitas formulações sobre uma terra livre de desigualdades e opressões foram pensadas. Desde o socialismo que Marx denominou de utópico, devido sua falta de materialismo ou de visão da história da sociedade, até o socialismo científico, com base materialista histórica dialética, que tinha como base a unificação entre a compreensão materialista da história e o método dialético como opção filosófica.
O Manifesto do Partido Comunista, escrito por Marx e Engels, já abordava algumas das questões referentes à vida das mulheres sob o modo, apesar de não tratar profundamente sobre o assunto.
Muitos grupamentos femininos dentro dos movimentos operários se reuniam para discutir opressão feminina.
O Partido Social Democrata Alemão tinha em seu seio Rosa Luxemburgo e Clara Zetkin, que discutiam a opressão e os direitos da mulher com operárias e prostitutas.
Karl Marx, Paul Lafargue, Laura Marx e Frederich Engels e posteriormente Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo, Alexandra Kolontai e August de Bebel, desempenharam papéis fundamentais para a luta pela emancipação total da mulher.
Em 1890, após a criação da Internacional Socialista, Clara Zetkin começa a organizar a luta das mulheres para integrá-las as lutas socialistas.
Tanto Zetkin quanto August de Bebel escrevem grandes contribuições para essa luta, auxiliando a aproximação das mulheres ao movimento operário.
Em época em que sindicatos e partidos eram vistos como lugares de homem, após tais táticas da direção da Internacional, inúmeras mulheres se aproximaram, passaram a discutir, produzir e participar das lutas socialistas.


2. Dia Internacional de Luta da mulher


Muito comemorado pelas grandes empresas, lojas de produtos de beleza e floriculturas, esse dia destaca a mulher convencionada pela burguesia, a mulher consumista e nos moldes estipulados pela sociedade de consumo.
A mídia burguesa trata de fazer campanhas e propagandas, os shoppings fazem grandes promoções e as empresas entregam flores nas ruas.
Esse dia, totalmente apropriado pela sociedade capitalista, tem de fato origem na luta das mulheres socialistas.
A origem desse dia é bastante atordoada, várias versões foram colocadas, e aceitas pela sociedade.
No mundo bipolarizado, nas décadas de 50, 60 e 70, onde de um lado estava o bloco Soviético e do outro estava os Estados Unidos se configurando como uma grande potência, é bem possível que a origem do Dia da Mulher tenha sido maquiada em prol dos capitalistas, e foi o que de fato aconteceu.
Em 8 de Março de 1975, a ONU proclama tal dia como o Dia Internacional da Mulher, se utilizando do argumento, que nesse dia, em 1857, em Nova Iorque, ocorreu uma grande greve de mulheres, onde 129 operárias teriam morrido queimadas. Porém, segundo Naumi Vasconcelos, da UFRJ, e muitas outras bibliografias com vasta pesquisa histórica, essa greve nunca teria existido.
O que de fato teria ocorrido é a mistura de dois grandes episódios, um de greve e outro de acidente em uma fábrica, onde inúmeros operários e operárias morreram queimados, pois a pesquisadora Renée Côté, investigou durante dez anos, nos arquivos europeus, dos EUA e do Canadá, e não encontrou nenhum resquício da tal greve.
A menção da greve chegou a ser feita pelo jornal do Partido Comunista Francês e a data por um boletim da Federação Internacional Democrática das Mulheres, em Berlim, nas décadas de 50 e 60.
No final da década de 50 e durante a década de 60, se concretizava a Revolução Cubana, a derrota dos Estados Unidos pelas Tropas do Vietnã, a Revolução Cultural Chinesa, os estudantes nas ruas em variados países, as mulheres americanas protestando contra a Guerra do Vietnã e a juventude passava a ler os livros de Alexandra Kolontai e Wilhem Reich, que falavam sobre a libertação sexual.
Nesse conturbado contexto, ocorre, nos Estados Unidos, a retomada de boletins feministas, em 8 de Março, data que tinha sido esquecida pela burocratização da União Soviética por Stálin e pelo avanço capitalista no Ocidente.
Porém, o verdadeiro dia da mulher vem das mulheres socialistas.
Nos Estados Unidos, o Partido Socialista dirigiu o movimento pelo direito do voto da mulher, junto às sufragistas, mulheres de classe média, apesar de seus ferrenhos embates.
Este mesmo partido aglutinou nessa luta inúmeros coletivos de mulheres, próximos ao partido, e comemorou dois dias, em dois anos diferentes, o dia da mulher, convocando-as com o argumento de que a Revolução da mulher é um grande passo para o início a Revolução de toda sociedade.
Dentro da Internacional ocorriam embates ferrenhos sobre a participação das socialistas na campanha pelo voto da mulher, por ser considerada uma luta burguesa.
Na Primeira Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em 1907, Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kolontai, formulam uma resolução que comprometiam os variados partidos socialistas a comporem as lutas feministas, aprovando a luta pelo voto feminino.
Em 1917, a convocação para o Dia da mulher do Partido Socialista dos Estados Unidos, que dizia: "A realização da Revolução das mulheres é um dos meios mais eficazes para a revolução de toda sociedade", começa a se concretizar.
Em 23 de Fevereiro, ou 8 de Março do nosso calendário, as orientações da ala Bolchevique do Partido Social Democrata era de que não havia conjuntura para greves.
Na manhã seguinte, as operárias têxteis contrariaram essas orientações. Entrando em greve e convocando os metalúrgicos para as apoiarem.
Como se tratava de uma greve de massas, o Partido Bolchevique se viu obrigado a participar dela, e se juntou à marcha convocada pelos setores mais explorados da sociedade, as operárias têxteis.
Essa greve foi um dos importantes episódios de agitação político-social que funcionaram como verdadeiros “estopins” para a Revolução Socialista na União Soviética.
Em 1921, a Conferência Internacional das Mulheres, aprova 8 de Março como o dia Internacional de Luta das Mulheres, e a Terceira Internacional trata de espalhá-la.
O 8 de Março foi freqüentemente comemorado na Rússia Socialista, até a sua burocratização.

3.Sobre as lutas atuais


Vivemos um momento bastante delicado, uma grave crise econômica mundial nos assola, afetando ferrenhamente os trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo.
Tal crise vem se desencadeando desde o início de 2008 com a crise imobiliária nos Estados Unidos e a alta dos preços dos alimentos.
No Brasil, contrariando os fatos concretos, o Governo Lula/PT dizia que a crise não afetaria nosso país, devido às nossas reservas econômicas.
A mídia burguesa tratava de confirmar tais argumentos com reportagens de crescimento econômico em todo país, e afirmando que o número de vendas cresceram no Natal, maquiando a verdadeira situação de desempregos e cortes de verbas.
A CUT fazia o jogo do PT e realizava assembléias dizendo aos trabalhadores para consumirem, pois com isso a crise se abrandaria.
Enquanto isso, a UNE apoiava todas as medidas do governo, que prejudicavam tanto a saúde quanto a educação pública.
O ano de 2009 se iniciou com fatos inegáveis, férias coletivas, cortes de salários e desempregos em grandes empresas como a Vale, a GM e a Varig Log.
Uma Guerra se fixa e se intensifica entre Israel e Palestina, deixando milhares de mortos e feridos. Guerra essa estimulada pelo Imperialismo, que precisa dela para auxiliar na superação de sua crise.
Diante disso, o Governo Lula/PT já reconhece a crise e os desempregos, e desvia milhões para as mãos dos empresários e banqueiros, que continuam demitindo a fim de que seu crescimento econômico diminua mas não cesse.
O Presidente dos Estados Unidos, Obama, vai a público afirmar que essa crise não terá seu fim em 2009.
Se durante 2008 não podíamos afirmar se essa crise se configurava como conjuntural ou estrutural, em 2009 podemos afirmar, é estrutural, pelas suas três etapas: superprodução, crise financeira e desempregos.
Diante de tamanha crise, é tarefa dos partidos socialistas, através dos sindicatos e movimentos, dirigir o proletariado em lutas concretas, sem unidades rebaixadas com a burguesia.
Tais unidades só devem ser feitas quando se configura um avanço de consciência para a classe trabalhadora.
Diante de todo esse cenário, as mulheres proletárias, que por muitas vezes têm seus salários menores que os dos homens, mesmo realizando as mesmas tarefas, tendo jornada dupla ou até mesmo tripla de trabalho, que enfrentam demissões após a volta da licença maternidade, que precisam deixar seus filhos durante boa parte do dia para estarem no emprego, que são estudantes e são expulsas dos alojamentos universitários por engravidarem e quando têm filhos, por vezes param de freqüentar a Universidade por nelas não existirem creches, que quando optam por aborto são recriminadas pela sociedade, pois perderam o direito ao corpo para o Estado, que têm, em muitos casos, no interior da sua própria família, que passar, lavar, cozinhar e limpar, mesmo que tenham menos tempo livre que os homens da casa, estão agora, na linha de frente das demissões.
A situação da mulher na sociedade capitalista, pela própria configuração do Estado burguês, sempre foi a de submissão ao homem, a mesma submissão da classe trabalhadora aos seus patrões e ao Estado Capitalista.
Lembremos que na década de 60, na América Latina, as mulheres, identificadas como classe, lutavam ao lado de seus companheiros nas guerrilhas.
Em tempos de crise, é preciso organizar a luta da mulher pela sua emancipação, que é dialética à emancipação de toda a classe trabalhadora. Logo, organizar as lutas feministas é organizar as lutas da classe proletária, contra a crise econômica e a favor do proletariado.
Devido a isso é tão importante uma coordenação que aglutine os setores mais de esquerda, que toquem as lutas sindicais e dos Movimentos sociais, como é o caso da CONLUTAS, que, apesar de suas sérias debilidades, é um local onde podemos organizar a classe proletária.
E, para organizarmos a luta da Juventude, é preciso que avancemos e criemos uma Entidade, que aglutine os lutadores de esquerda, para lutar contra a Crise Econômica e os grandes ataques que sofre e sofrerá a juventude durante esse período.

Essa entidade se faz necessária há tempos. Porém, nesse momento de grandes ataques à Educação pública, aos direitos da juventude, como a meia entrada e os direitos da mulher, nos deparamos com a necessidade ainda maior da organização de toda a esquerda, para que possamos dar maiores conseqüências às nossas lutas e tenhamos força nacionalmente.
Mulheres! À frente dessa luta, assim como as operárias russas, construindo o novo e lutando contra o Capital!
Dia 8 de Março é o momento de denunciarmos e dialogarmos os avanços pretendidos com o restante da população!

Vivian Machado Dutra
Coletivo Marxista