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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Pagar aluguel ou comer no Rio*

AP/Estadão

Não é sexta-feira 13, mas o dia 11 de abril de 2014 amanheceu tenebroso, aterrorizante, desesperador, cinzento e sangrento no bairro do Engenho Novo. Sob a alegação da reintegração de posse e da tão badalada propriedade privada, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro retoma seu protagonismo no enredo da criminalização da pobreza, ao passo que a mídia burguesa e seu sensacionalismo desqualificam pessoas sem teto, mascarando o debate sobre a privatização da vida e dos direitos. Enquanto o Governador Pezão e o Prefeito Eduardo Paes acompanham mais esta barbárie em nossa cidade, recursos milionários são aplicados para fins diferentes das necessidades básicas da população fluminense e carioca e estes governantes devem ser responsabilizados.

Na capital dos megaeventos esportivos e da especulação imobiliária, é preciso enxergar além dos que tentam nos permitir ver. Por que um terreno de grandes proporções, capaz de abrigar mesmo que precariamente milhares de pessoas e famílias, encontra-se desocupado e inutilizado durante uma década? Com que intuito interessa à empresa proprietária manter o espaço se seus lucros no ano de 2013 ultrapassaram a marca de um bilhão e quatrocentos e noventa milhões de reais?1 Em vez de a Justiça – burguesa – decidir pela reintegração imediata de posse, com violência, truculência, prisões e mortes, por que não estudar um acordo para manter as famílias no local? Famílias, estas, diga-se de passagem, compostas por trabalhadores e trabalhadoras da região da Zona Norte, que recebem parcos salários e precisam optar entre pagar um aluguel ou comer2, diante dos abusivos preços cobrados em nossa cidade. Cadastrar as famílias para direcionar a outras regiões distantes da cidade e/ou pagar o aluguel social de R$400,00 são paliativos que não contemplam as reais necessidades.

“Se morar é um direito, ocupar é um dever” foi uma pichação que já vi em diferentes locais. E está correta! Se a moradia é efetivamente um direito constitucional, precisamos sim enfrentar a realidade de concentração de terras e riquezas nas mãos de poucos. É simplista e cômodo categorizar como vagabundos e invasores trabalhadores e trabalhadoras tal como nós, mas ansiosos e ávidos por um teto para vive. É simplista o discurso adotado por alguns de que para ter uma casa tem que trabalhar. É querer tapar os olhos diante da realidade ao nosso redor, cujo aumento do preço dos imóveis atinge a marca de 300%3 na região próxima à “Favela da TELERJ” nos últimos dez anos. As políticas de financiamento dos imóveis endividam ainda mais as famílias no país e o percentual de aumento do salário mínimo4 não chega nem à metade deste percentual durante uma década.

Há aproximadamente dois anos e três meses, em São José dos Campos-SP, acompanhávamos e lutávamos contra a violenta desocupação do Pinheirinho5. Hoje, precisamos nos manifestar contra as atrocidades cometidas contra os moradores da ocupação do antigo prédio concedido à Telerj/OI, cuja antiga e bilionária proprietária abandonara o terreno! Um prédio que, cabe destacar, além de tudo, é público e pertence à União. As empresas de telecomunicação são concessionárias de serviços públicos e os bens envolvidos em sua privatização devem retornar à União em 2025.

Se as terras do bairro já foram presenteadas, leiloadas e exploradas, passando por jesuítas e Capitão de Milícias6, é possível e necessário que o espaçoso terreno seja verdadeiramente apossado, fazendo valer o direito à moradia àqueles e àquelas que diariamente constroem essa cidade e hoje não possuem um teto e dignidade para viver com tranqüilidade: trabalhadores e trabalhadoras!

Desapropriação do terreno da Telerj/OI Já! 
Abaixo a truculência e a violência da Polícia Militar! 
Pelo Direito à Moradia!

Conclamamos o conjunto dos ativistas de esquerda para iniciarmos uma campanha de solidariedade aos moradores da Favela TELERJ e realização de um ato público em defesa da moradia e da liberdade dos presos devido à resistência. 

Fabio Teixeira/UOL

2 Em entrevista ao RJTV de 11/04/2014, um dos moradores fala: “Ou pagamos o aluguel ou comemos”.
6 História do bairro Engenho Novo: http://engenhonovo-rj.blogspot.com.br/p/historia.html



*Gabriel Marques, professor de Educação Física da rede municipal do Rio de Janeiro, militante do Coletivo Marxista e do Movimento Sindicalismo Militante

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A luta contra os megaeventos esportivos que atacam a classe trabalhadora e a juventude no Brasil: Não vai ter Copa!


Diego Nogueira,
estudante de Serviço Social da UFRJ, militante 
do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa 
e do Coletivo Marxista


                É fato consensual entre a esquerda brasileira que a conjuntura no Brasil é outra após as manifestações de junho. Inicialmente contra o aumento do preço das passagens pelo país, incorporaram outras pautas, como o questionamento ao alto investimento em obras para a Copa do Mundo, ao passo que áreas básicas como saúde e educação não receberam a mesma e necessária destinação de verbas. Nesse período, durante a Copa das Confederações, as manifestações colocaram os governos neoliberais de Dilma e Lula/PT e Cabral e Paes/PMDB em xeque, surgindo e ganhando muita força nas ruas a palavra de ordem “Não Vai Ter Copa”, que foi e tem sido entoada em praticamente todos os atos após junho.

            Entretanto, nas últimas semanas, alguns setores dos movimentos sociais – com inserção no movimento estudantil – aparentemente recuam e apresentam novas palavras de ordem, como “Na Copa, vai ter luta” ou “Se não tiver direitos, não vai ter copa”. Em nossa avaliação, tais mudanças configuram-se em erros crassos, significando um recuo no processo de avanço do nível de consciência da classe trabalhadora, que sofre diariamente com os trens sucatas da SuperVia e demais formas de transporte público, que morre nas filas das UPAs e não recebe um atendimento adequado à Saúde e que a cada dia que passa questiona o porquê de bilhões de reais de investimentos públicos para um megaevento esportivo. Portanto, nosso papel deve ser potencializar essas angústias e esses questionamentos, transformando-os em enfrentamento ao Mundial da FIFA.

            Precisamos nos preparar e nos defender, obviamente, dos ataques da mídia conservadora e do governo repressor, que estarão lado a lado para garantir o desejo dos setores dominantes para que a Copa aconteça no Brasil. E é neste cenário que a palavra de ordem “Não vai ter copa” manifesta mais do que simplesmente a vontade de que o Mundial não se realize. Ela expressa uma luta direta contra todo o sistema capitalista que, em busca de soluções para a crise nos países centrais, explora ainda mais os países de capitalismo dependente para manter suas taxas de lucro. Além disso, coloca na ordem do dia uma ação concreta e organizada contra os seus interesses, enfatizando que a luta popular se choca com os planos do capital. Este pode e deve ser um duro canto contra a política neoliberal que se aprofundou durante os 12 anos de governo do PT.

            Reivindicar outra coisa diferente da não realização do Mundial – como a diminuição imediata do preço dos ingressos – é negociar migalhas do capital. É aceitar pequenas melhorias em saúde e educação, por exemplo, e continuar submetido à lógica do capital. A estapafúrdia alegação de que as massas possuem o futebol como a paixão nacional e devemos dialogar com estas, que supostamente desejariam a Copa, é recorrer ao caudismo, renegar o papel de luta da vanguarda da esquerda brasileira e, também, ignorar a crescente insatisfação popular com o pacote de violações implementado pelo megaevento, que deve ser politizada. Alegar que faremos lutas antes, durante e depois da Copa é uma obviedade, uma tergiversação, já que enquanto estivermos em uma sociedade de classes, precisaremos lutar contra a exploração, a opressão, a retirada de direitos etc. Em suma, o recuo nas palavras de ordem expressa posições reformistas!


Não negamos que vai ter luta durante a Copa. Lá estaremos lutando firme, ao lado daqueles que militam diariamente para transformar a sociedade. Todavia, ratificamos que seguiremos entoando NÃO VAI TER COPA. E que o conjunto da esquerda combativa faça essa reflexão, unificando as lutas contra os governos e contra a FIFA para que tenhamos ainda mais força nesse período ímpar que se aproxima, convencendo o conjunto da classe trabalhadora e da juventude deste país e de todo o mundo a entoar conosco.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Pela anulação do Plano de Carreira de Paes e contra a Violência do Estado

No Rio de Janeiro, desde o dia 8 de agosto, acompanhamos a greve dos profissionais da Educação das redes estadual e municipal. Eduardo Paes, na capital; e Sérgio Cabral, no Estado, implementam uma política de sucateamento da escola pública, de desvalorização e culpabilização dos educadores por meio da meritocracia, enquanto preparam o terreno para sediar os megaeventos esportivos e enriquecer ainda mais empreiteiros e empresários que financiam suas campanhas. 

Na greve da rede municipal, após negociar com os representantes da categoria, um dos acordos firmados foi a criação de uma comissão contendo representantes da Prefeitura e do Movimento para elaboração do novo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração da Educação - o PCCR - cujo prazo para votação passou de 90 para 30 dias devido à forte adesão à greve e participação da categoria em manifestações. Não satisfeito em ignorar a possibilidade de formulação do novo Plano por meio desta Comissão, o Prefeito e seus braços de apoio - a Secretária de Educação Claudia Costin e o Secretário da Casa Civil Pedro Paulo - elaboraram um Plano que significa uma Reforma Educacional, tentando forçar a ampliação da jornada de trabalho do professorado, não reconhecendo os demais profissionais da Educação e não atendendo a inúmeros itens importantes para a carreira dos educadores. Logo, é um plano que não contempla nenhum segmento da Educação Pública no Rio! Antes de encaminhar para a Câmara Municipal seu projeto, Eduardo Paes reuniu no Palácio da Cidade cerca de 40 vereadores que compõem sua base aliada para promover um almoço e apresentar o plano, impossibilitando a presença e a participação da própria categoria cujo futuro estava sendo discutido.

No dia 26 de setembro, a categoria impediu a votação do projeto, finalizando a sessão e ocupando a Câmara dos Vereadores. Desde então, acompanhamos o aumento da repressão e da truculência da Polícia Militar. No dia 28 de setembro, a Câmara foi desocupada sob brutal ataque aos Educadores. E nos dias 30 de setembro e 1 de outubro a PM prosseguiu a criminalização do movimento para garantir que a Câmara votasse o projeto do Prefeito Eduardo Paes.

 Truculência da PM na noite de 30 de setembro.

A mando de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, PMs atacam Educadores na Cinelândia.

Diante deste cenário, consideramos fundamental que:

- Retomemos a pressão sobre o Poder Executivo. Eduardo Paes é o verdadeiro responsável pelo caos no qual se encontra a Educação Pública! Sua postura autoritária e de quebra da negociação são os motivos da continuidade da greve. A categoria não pode nem deve se limitar pelos discursos da legalidade e da burocracia do Parlamento e da Justiça!

A greve é justa, é legítima e apresenta o poder de mobilização que vai garantir vitórias nesse processo de lutas. Os velhos equívocos sobre reeleição dos vereadores, colocando no poste os nomes dos que votaram contra a Educação, voltam a aparecer. E é justamente nesse mérito que precisamos refletir: não somos eleitores de dois em dois anos para escolher quem nos representa! Somos sujeitos da ação e podemos a cada momento interferir nos rumos da política e da economia de nossa cidade!

- Estejam fechadas todas as escolas! Esta é a resposta imediata à inaceitável violência repressiva da Polícia Militar a serviço de Paes e Cabral, que transformaram o centro do Rio de Janeiro numa praça de violência e covardia contra educadores e a população em geral. Todas as Unidades Escolares devem estar fechadas, radicalizando o movimento, que deve fazer também um duro enfrentamento às Coordenadorias Regionais, de onde saem orientações para as Direções das Unidades Escolares e muitas práticas de assédio moral.

- O Rio de Janeiro precisa mostrar de uma forma veemente sua enorme indignação e seu repúdio a esta onda de violência militar repressiva que se espalha pela cidade, como resposta às mais simples e justas revindicações da classe trabalhadora. E, tal como em 2011, quando a população foi a verdadeira responsável pelos recuos do Governador Sérgio Cabral em relação a seus ataques aos trabalhadores da Corporação dos Bombeiros, é tempo de construirmos uma grande manifestação que tome as ruas da cidade em defesa da Educação Pública e ampliar as bandeiras de luta para que saiam os secretários de Educação estadual e municipal e pela queda de Sérgio Cabral e Eduardo Paes!

Estes são caminhos que podem fortalecer a greve da Educação, defendendo a escola pública e seus profissionais e construindo um Rio de Janeiro que não apenas tenha uma Educação de qualidade para os filhos da classe trabalhadora como seja um local de resistência rumo à construção de uma sociedade sem a exploração e a opressão de poucos sobre muitos!

O Coletivo Marxista, organização que possui dentre seus militantes diversos educadores, constrói e apoia as greves desde seu início e convoca toda a população para impulsionar a Luta pela Anulação do Plano de Carreira de Eduardo Paes. Precisamos nos posicionar contra a Violência do Estado, defendendo o fim da Polícia Militar! 

Tod@s à Grande Manifestação em defesa da Educação, na próxima segunda-feira, 7 de outubro, às 17h, na Candelária!

Fora Cabral! Vá com Paes!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Nas eleições municipais do Rio de Janeiro, voto crítico em Marcelo Freixo! Derrotar os ataques do capital e avançar na organização independente e autônoma dos trabalhadores!


Nas eleições municipais do Rio de Janeiro, voto crítico em Marcelo Freixo. Derrotar os ataques do capital e avançar na organização independente e autônoma dos trabalhadores!

O Coletivo Marxista apresenta, neste manifesto, sua posição em relação às eleições municipais do Rio de Janeiro. As eleições se realizam em um momento em que os trabalhadores e a juventude cariocas sentem mais, a cada dia que passa, as consequências do projeto do capital em suas vidas: remoções em favelas e comunidades pobres, criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, precarização dos serviços públicos, privatização na saúde, educação e cultura, transporte público em péssimas condições, restrições à utilização do espaço público, desvalorização do funcionalismo público e muitos outros são ataques que vivenciamos cotidianamente.

Enquanto isso, às vésperas da realização de grandes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, as empreiteiras lucram mais do que nunca, assim como os grandes empresários dos transportes e dos setores imobiliário e hoteleiro. Na saúde e na educação, a implementação das OSs e Oscips (Organizações Sociais e das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) soma-se à precarização salarial e ao corte de direitos dos funcionários desses setores, aprofundando a privatização e transformando direitos dos trabalhadores em mercadorias. A política de segurança oprime e assassina diariamente trabalhadores e jovens, sobretudo os moradores de favelas, buscando “limpar” a cidade e torná-la atrativa ao grande capital.

A prefeitura de Eduardo Paes (PMDB), profundamente comprometida com os interesses do grande capital, atua para garantir as melhores condições de lucro para o empresariado, o que se faz às custas de mais e mais ataques aos trabalhadores. A “limpeza social” busca preparar a cidade para receber grandes investimentos, com exploração dos trabalhadores, retirada de direitos e confinamento da pobreza nas periferias da cidade. Toda essa política se constrói a partir de uma atuação unificada com o governo estadual de Sergio Cabral (PMDB) e o governo federal de Dilma/PT. É um mesmo projeto de cidade, estado e país, voltado a garantir os interesses da burguesia.

A célebre caracterização de Marx sobre o Estado burguês como um comitê executivo dos negócios da burguesia parece mais atual do que nunca: não é à toa que vemos os grandes escândalos de corrupção com empreiteiras, financiadoras das campanhas eleitorais e beneficiadas pelas grandes obras superfaturadas com dinheiro público. Em um cenário de crise econômica internacional, a saída da burguesia, no Brasil e no mundo, é colocar o ônus nas costas dos trabalhadores e tentar fazê-los pagar essa conta, através da retirada de direitos, cortes de salários, aumento da exploração e da utilização do dinheiro público para salvar empresários e banqueiros.

Nesse cenário, começam a despontar, em ritmos diferentes pelo mundo, processos de contestação ao projeto do capital e mobilizações em defesa dos direitos dos trabalhadores e da juventude. No Brasil, importantes greves e lutas questionam os ataques do governo petista.

Por que apoiamos criticamente a candidatura de Marcelo Freixo?

É nesse cenário que começa a crescer, também no Rio de Janeiro, uma contestação a essa lógica instituída e, agora, representada no governo de Eduardo Paes. E, no momento das eleições municipais, assistimos a uma polarização entre o projeto de Paes e o projeto em torno do qual se organiza a campanha de Marcelo Freixo, do PSOL. A candidatura de Freixo tem crescido e mobilizado setores importantes da juventude, dos trabalhadores e dos movimentos sociais, questionando a lógica da cidade voltada ao grande capital, as remoções, o financiamento público às grandes empreiteiras, a política de limpeza social e as privatizações.

Acreditamos que essa polarização representa um momento importante para as lutas dos trabalhadores e expressa algo maior do que a candidatura e as eleições em si: trata-se de um processo em que o questionamento à lógica representada por Paes começa a crescer e em que, significativamente, importantes setores despertam para a política e para o debate coletivo em relação aos rumos de nossas vidas. Sobretudo entre a juventude, marcada fortemente pela lógica do pensamento único, que viveu e cresceu educada a não acreditar em perspectivas de transformação social, nota-se um crescente interesse pela crítica e participação política.

É a partir desse entendimento que achamos importante apoiar e declarar nosso voto crítico em Marcelo Freixo, por ser uma candidatura que consegue, hoje, expressar um polo real de resistência e questionamento ao projeto implementado por Paes, Cabral e Dilma. Ao declarar nosso apoio crítico, dizemos aberta e claramente que a candidatura de Freixo tem importantes limites, e que esses precisam ser debatidos desde já. Preocupada em atrair amplos setores para seu campo, deixa de apresentar pontos que são essenciais para levar às últimas consequências o enfrentamento ao projeto do capital para o Rio de Janeiro, o Brasil e o mundo.

Entre outros, Freixo abre mão do repúdio aos investimentos privados (que sempre cobram uma contrapartida de benefício ao capital em detrimento dos interesses da maioria da população), de apresentar a necessidade de estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores e do questionamento à lógica da instituição das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas. Na verdade, o mais importante é que por trás dessa postura está a concepção de que é preciso atrair mais e mais setores para o campo da candidatura, torná-la “palatável” e, assim, criar as “condições reais” para a eleição. Por essa lógica, as questões estruturais ficam “para depois”, e a prioridade, que hierarquiza toda a prática política, é a eleição. O socialismo, aí, é apenas uma referência vaga e distante.

O maior problema é que, instituída a lógica de que a eleição é o ponto de partida para iniciarmos um processo posterior de discussão sobre a estrutura da sociedade em que vivemos, se coloca a necessidade de “jogar o jogo” das eleições burguesas, fazendo as concessões impostas pela própria lógica da democracia burguesa para uma possível eleição. Ao mesmo tempo, toda uma geração que agora desperta e se dispõe a lutar pode ser envolvida pela ilusão de que a saída para a mudança de suas vidas e para as transformações sociais é simplesmente depositar um voto na urna e eleger um prefeito que irá fazê-lo por si. 

Se há, nesse momento, um crescente questionamento à ordem instituída e sua representação na prefeitura de Paes, precisamos intervir nesse processo para dizer claramente que as transformações sociais só virão a partir da luta e organização dos trabalhadores e da juventude. Precisamos, nesse processo, denunciar o jogo de cartas marcadas das eleições no regime burguês, determinadas pelo grande capital que financia campanhas que irão os beneficiar quando eleitas. É preciso denunciar toda a lógica que organiza as eleições burguesas, e não depositar expectativas de que precisamos entrar nesse jogo, garantir uma eleição, e só depois, um dia, quem sabe, iniciar as discussões estruturais que as determinam.

Precisamos tirar as consequências e lições do que foi a experiência do PT e dos profundos problemas do programa democrático-popular. Não podemos encarar o processo de incorporação do PT à ordem como um problema de algumas pessoas que, individualmente, falharam em seus compromissos morais – pensando, assim, que bastaria elegermos pessoas sérias, honestas e confiáveis para garantir que o mesmo não acontecesse novamente. Precisamos, isso sim, questionar a lógica que orientou esse programa, que criou ilusões de que seria possível adiar o debate programático, adiar o socialismo e a revolução, ganhando eleições para depois mudar.

Nós, do Coletivo Marxista, defendemos que não há mudança possível dentro da lógica capitalista. “Humanizar o capitalismo” é uma ilusão que ignora os fundamentos básicos de funcionamento desse sistema, já que ele só existe com a exploração da maioria da população trabalhadora. É preciso que tenhamos o socialismo como perspectiva, mas para isso ele não pode ser apenas um nome em um horizonte distante, que em nada se relaciona à nossa prática diária. Se acreditamos que o socialismo é a alternativa consequente, que pode romper com a dominação burguesa e avançar em direção à sociedade sem classes - o comunismo -, essa perspectiva precisa orientar as nossas lutas cotidianas.

Nossos sonhos não cabem nas suas urnas!

Não estamos dizendo, com isso, que uma candidatura da esquerda revolucionária deva propagandear que vai “implementar o socialismo na cidade”, obviamente. O que está em jogo é que precisamos, nesse momento, entender como o socialismo se casa com a intervenção diária, nas lutas e nas eleições. Para isso, precisamos de um programa que tenha lado: o lado da classe trabalhadora. Precisamos apresentar um programa que atenda diretamente aos seus interesses, que entre em contradição com os interesses daqueles que lucram com sua miséria, que incentive a organização autônoma e independente dos trabalhadores e da juventude, que impulsione as lutas dos movimentos sociais.

Enfim, que esteja a serviço das lutas e do socialismo, o que passa, necessariamente, por incentivar a organização autônoma e independente da classe trabalhadora e dizer claramente que as transformações sociais virão da sua luta direta, e não das eleições da democracia burguesa. Um programa que seja capaz de relacionar as condições de vida e os problemas dos trabalhadores e da juventude com o capitalismo, e que apresente a necessidade de a classe estar organizada em seu próprio partido, um Partido Revolucionário que possa unificá-la em direção à ruptura com esse sistema.

Sabemos que o programa de Marcelo Freixo tem muitos limites e que sua candidatura está longe de apresentar toda a reflexão que julgamos ser essencial nesse momento. A partir dessa identificação, o que está em jogo é a nossa tarefa de intervir junto a um processo que, como dissemos, é maior do que a candidatura em si. Trata-se, portanto, de intervirmos junto a um processo que expressa a crescente insatisfação e disposição para a luta de segmentos fundamentais na luta de classes brasileira, diante de uma polarização que é real no atual cenário, e tem peso nas lutas concretas. A conjuntura de mobilização e aglutinação em torno à candidatura de Freixo precisa ser compreendida como um espaço que permita à esquerda avançar, a partir do enfrentamento ao projeto do grande capital no Rio de Janeiro, inclusive nos inadiáveis debates programáticos e estratégicos.

Por isso, partimos dos acordos que temos com o projeto que ora polariza com o projeto de Paes, Cabral e Dilma para o Rio de Janeiro para apresentar nossos desacordos e a necessidade de um programa que vá para além do que está dado. Sem dúvida, o próprio cenário de unificação da esquerda para enfrentamento a esse projeto fica comprometido diante da não constituição de uma Frente que aglutinasse todos os partidos e organizações da esquerda socialista carioca. Consideramos que esse cenário de unificação e mobilização da esquerda, que nos direciona ao apoio crítico a Freixo, estaria muito mais qualificado com a constituição dessa Frente.

A Frente deixou de ser constituída, sobretudo entre PSOL e PSTU, por cálculos meramente eleitorais, e não por um legítimo debate programático: o PSOL se negou a uma coligação para as eleições proporcionais, mais interessado em eleger unicamente seus vereadores do que em constituir um campo mais amplo com segmentos importantes da esquerda. Ao mesmo tempo, o PSTU, que hoje apresenta importantes críticas (com muitas das quais concordamos) ao programa de Freixo, certamente o faria de dentro da campanha caso tivesse a oportunidade de eleger seus candidatos a vereador a partir da base eleitoral do PSOL. Ou seja: o que justifica a candidatura própria do PSTU não são suas críticas ao programa de Freixo, mas sim o fato de não ter sido aceito na coligação proporcional para a eleição de vereadores. Caso tivesse, certamente defenderia que é possível fazer críticas ao programa a partir de um apoio à candidatura.

Assim, o Coletivo Marxista, a partir das importantes críticas colocadas, entende que é preciso posicionar-se frente à polarização que hoje se apresenta no cenário eleitoral carioca e da constituição de uma alternativa ao projeto do capital implementado por Paes, Cabral e Dilma. Não são indiferentes aos revolucionários as condições concretas em que se luta e a correlação de forças na sociedade. A possibilidade objetiva de um segundo turno entre Freixo e Paes incide, de maneira importante, no cenário sobre o qual lutamos. Isso é muito diferente de dizer que uma possível eleição de Freixo seria, necessariamente, um avanço decisivo para a luta de classes. Colocamo-nos ao lado dessa alternativa buscando fortalecer um cenário que garanta melhores condições de enfrentamento e consciência nas lutas que travamos, sempre apresentando nosso programa, nossas críticas e enfatizando que não devemos ter nenhuma ilusão na democracia burguesa, lembrando que apenas a luta e organização autônoma dos trabalhadores e da juventude serão capazes de realmente transformar a situação de miséria, exploração e opressão que ora vivemos.                                                  


Coletivo Marxista                     
                                                       http://coletivomarxista.blogspot.com

quinta-feira, 8 de abril de 2010

As chuvas, o proletariado e a responsabilidade de Lula, Cabral e Paes na tragédia do Rio de Janeiro

No início da noite de segunda-feira, 5 de abril, várias cidades do Estado do Rio de Janeiro sofreram com as intensas chuvas. Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e outras cidades pararam por conta dos estragos produzidos por tanta água. Os mortos confirmados já são quase duzentos, até o momento. Outras centenas ou milhares - este número é ainda mais impreciso - estão desabrigados.


Neste momento, é necessário apontar os responsáveis por tamanha tragédia. A imensa maioria dos que mais sofreram com o temporal é a parte dos mais pobres trabalhadores que moram nas favelas, mais especificamente nos locais que apresentam riscos de desabamento. O que sabemos é: moram nestes locais porque são a parte mais proletarizada da população, porque compõem o setor da classe trabalhadora mais afetado pelo desemprego e pela super-exploração do trabalho, porque seus salários não permitem mais que estabelecer a moradia em local tão arriscado! Jamais porque são “loucos, irresponsáveis e suicidas”, como afirma o governador do Estado do RJ, Sergio Cabral/PMDB, de forma absolutamente desumana e descompromissada com as condições de vida da classe trabalhadora.


O prefeito Eduardo Paes/PMDB preferiu culpar a natureza e sua tremenda força, eximindo-se de toda a responsabilidade – assim como é responsabilidade de Cabral e Lula – com a realização de políticas públicas que atendam aos interesses de moradia mais imediatos desses trabalhadores, como contenção de encostas, urbanização de favelas, sistema de drenagem etc. Fica nítido o descaso dos governantes ao revelar a contenção de investimentos públicos, que acarreta a precarização de áreas como a Defesa Civil. As autoridades solicitam à população para não telefonar para a Defesa Civil em caso de situação que não tenha "tanta emergência.

O presidente Lula/PT seguiu a linha já traçada por seus grandes aliados no Rio de Janeiro. Concordando com Cabral, disse que se analisarmos “todas as enchentes brasileiras, elas atingem sempre as pessoas pobres, que moram em locais inadequados". Confirma, portanto, a tese de culpabilização das vítimas. Diz que “o mais importante nessa história é que precisamos conscientizar a população para que deixe as áreas de risco”, ou seja, que abandonem suas casas e tudo aquilo que conseguiram conquistar com seu duro trabalho, sem qualquer garantia de que estará tudo lá quando retornarem.


Lula diz ainda que as chuvas não preocupam seus interesses nos eventos de 2014 e 2016, pois “não chove todo dia, quando acontece uma desgraça, acontece; normalmente, os meses de junho e julho são mais tranqüilos”. Portanto, contanto que em junho e julho de 2014 e 2016, a cidade esteja preparada para receber a Copa e a Olimpíada, não importa o sofrimento da população nos outros dias. Até mesmo o falso argumento do “legado dos grandes eventos esportivos” utilizado pelos governantes e pelo grande capital para justificar a importância desses eventos na vida do proletariado – que não usufruirá de seu verniz – cai por terra de vez. Tudo estará funcionando em junho e julho de 2014/2016, com todos os bilhões que serão transferidos pelo Estado (governos federal, estadual e municipal) à burguesia nacional e internacional, nessa relação íntima entre governos e capital que inclui, por exemplo, o financiamento das campanhas eleitorais de PT e PSDB, os partidos brasileiros que mantêm a força da ordem burguesa no país atualmente.


Lula, Cabral e Paes são os verdadeiros culpados pela amplitude dos desastres, assim como os governos anteriores que serviram aos interesses burgueses e corruptos. Nada fizeram para melhorar estruturalmente as condições de vida e moradia do proletariado que vive em áreas que ameaçam sua própria sobrevivência e ainda culpam os mortos pela tragédia ocorrida.


É muito importante perceber os projetos sociais que estão em luta: de um lado, o projeto dos capitalistas e dos governos burgueses, que desejam expulsar os favelados de seu local de moradia, motivados por diversos interesses, como a expansão imobiliária nessas regiões (a que se relaciona a imagem da favela criminalizada e de fato alvo da violência policial, do tráfico e de milícias); de outro lado, o projeto do proletariado, que de imediato exige a melhoria de suas condições de vida e moradia, mas tem como objetivo final aquilo que possibilitará o fim das condições sociais que generalizam todas estas tragédias: o fim das condições sociais que causam sua miséria.


Fundamentalmente, são estas condições sociais (que fazem com que o proletariado recorra à moradia nos locais de risco) que precisam ser combatidas. Este é o horizonte necessário que não pode sair de vista de todos aqueles que sentem profundamente as perdas humanas e sociais e lamentam diante das terríveis reações dos governantes burgueses. O objetivo final de nossa luta, para além da necessária melhoria imediata das condições de vida dos trabalhadores que habitam as regiões mais precárias, precisa ser o fim da sociedade de classes!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

SEPE: avaliação de 2009 e perspectiva das lutas para 2010

O ano de 2009 chegou ao fim, tendo sido marcado por dias de grandes desafios para os profissionais de educação e pela necessidade de intensa luta sindical. Em nosso trabalho no SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação), lutamos frente aos ataques dos governos estadual de Sérgio Cabral/PMDB e municipal de Eduardo Paes/PMDB, num cenário mundial de crise econômica do capitalismo.

A partir do projeto de lei do governo Cabral que propunha a quebra do plano de carreira dos professores e a incorporação do “Nova Escola” em parcelas anuais até 2015 – um aprofundamento do arrocho salarial e da superexploração, forte golpe nas condições de trabalho dos profissionais e na qualidade da Educação da rede – professores, funcionários e estudantes da rede estadual se mobilizaram e determinaram o início da greve em Assembleia.

Assembleia dos Profissionais de Educação do Estado do RJ - SEPE


O movimento grevista obteve conquistas importantes, apesar de não ter saído vitorioso em pautas fundamentais. Conseguimos garantir a manutenção do aumento de 12% entre os níveis do plano de carreira dos professores 16h, a implementação do plano de carreira para os professores 40h e o aumento salarial significativo dos animadores culturais. No entanto, não conquistamos o plano de carreira para os funcionários administrativos nem o reajuste salarial necessário destes profissionais. A luta sindical que travaremos em 2010 precisa ter como um dos eixos centrais a incorporação destes profissionais no plano de carreira estadual e seu reajuste salarial.

Destacamos a atuação dos militantes do Coletivo Marxista ao enfatizar a necessidade de luta em apoio aos profissionais de educação perseguidos pelas direções escolares e coordenadorias devido à sua atuação na greve para, assim, protegermos os lutadores sindicais e garantirmos, com o exemplo positivo da vitória, o crescimento e fortalecimento do movimento sindical combativo.

A situação de rede municipal carioca também necessita de organização e mobilização para a resposta política de seus profissionais diante das ações dos governantes. O governo Paes logo cedo demonstrou seu caráter e o objetivo de aprofundamento das reformas neoliberais de privatização e flexibilização/precarização das relações de trabalho por meio do projeto de lei das OS’s. A luta de professores, funcionários e estudantes retirou as escolas municipais do projeto de lei (exceto provões e projetos) que as entregaria à administração direta das “Organizações Sociais”, mas quase todos os outros setores públicos municipais foram mantidos.

Neste fim de ano, já em Dezembro, recebemos a resolução municipal que apresentou mecanismos criados pela Secretaria Municipal de Educação para reeditar a “aprovação automática”, com nova roupagem. Além disso, o governo deve apresentar neste início de 2010 a proposta de plano de carreira e mudança na carga-horária dos professores da rede, o que possivelmente ocorrerá no período de férias escolares. É preciso levantar a rede municipal para lutar em defesa da qualidade da Educação pública, por melhores condições de trabalho e direitos para professores e funcionários.

Para avançar nas lutas sindicais, devemos identificar o que precisa ser realizado pelo SEPE neste ano de 2010. A intensificação do trabalho de base e organização dos profissionais de educação em suas regiões, comunidades e locais de trabalho precisa ser prioridade, fortalecendo a organização dos trabalhadores de forma independente dos governos e instituições de caráter burguês. Neste sentido, a direção majoritária do Sindicato não pode reforçar a crença dos trabalhadores nas instituições da democracia burguesa, como a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) – uma tarefa já cumprida pelos representantes da CUT e do governo Lula/PT no Sindicato. Nossa relação deve ser de enfrentamento crítico e classista com as mesmas.

Ato dos Profissionais de Educação do Estado do RJ durante a greve



Façamos de 2010 um ano de intensa luta pela organização da classe trabalhadora de forma independente da burguesia e instituições que sustentam a sociedade burguesa!


Coletivo Marxista